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Se a família é tão valorizada, por que os idosos são isolados?

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Shutterstock | Halfpoint

Juan Carlos Valderrama - publicado em 11/02/21

Não é somente um triste espetáculo ver os idosos sem lar, mas também observar os lares sem idosos

A família tem obtido as posições mais altas nas pesquisas sobre valorização social das nossas instituições. No recente estudo “Família, recurso da sociedade”, patrocinado pelo Conselho Pontifício para a Família e pela Conferência Episcopal Espanhola, a nota média obtida pela família (8,2) foi muito superior à de outras instituições.

O interessante foi observar que, ao mesmo tempo em que se dá esta considerável estima subjetiva da família, socialmente algumas das suas funções tentem a ficar comprometidas.

A mesma pesquisa mostrou um dado revelador, a este respeito: enquanto 80% dos entrevistados deu quase a nota máxima à família, apenas 59% a declarou como uma instituição socialmente importante. Então, a família é considerada como um valor privado, fundamentalmente afetivo, de caráter pessoal: uma instituição valorizada, mas sem repercussão social.

Indicadores

Um dos indicadores que permitem calibrar esta repercussão social é sua capacidade de articular o tempo: em que medida integra eficazmente as gerações. Em geral, pais e avós são um recurso básico (às vezes único) para o desenvolvimento dos filhos, oferecendo, inclusive, um lar ao qual voltar se o trabalho ou o casamento falharem. Mas, e o contrário? A segurança dos filhos que recorrem aos pais é equivalente à que estes podem depositar nos filhos?

Parece que não. Nos últimos 10 anos, aumentou consideravelmente o número de pessoas residentes em estabelecimentos coletivos, que, no caso dos idosos de 60 a 100 anos, representa mais de 60% do total, no caso da Espanha (mais de 270 mil pessoas, em 2011).

Se, a este número, acrescentamos os quase 20% dos idosos que, por livre decisão ou simples necessidade, moral atualmente sozinhos entre nós, a magnitude da população da terceira idade que passa o último período da sua vida na periferia dos seus núcleos familiares acaba sendo desconcertante.

As previsões a médio e longo prazo apontam para uma tendência em alta em ambas as situações. Queda na natalidade, mobilidade geográfica, aumento das famílias monoparentais e dos índices de divórcio, junto ao aumento da expectativa de vida e a clamorosa ausência de políticas públicas de apoio, que permitam que as famílias cumpram suas funções sem excessivo custo material e moral para os seus membros: estes são fatores de risco para as famílias.

Comunidade

Estamos caminhando em uma direção que não só trará novos problemas para as futuras gerações de idosos (que seremos nós), mas também para as gerações de jovens, que se verão privadas de um recurso sem o qual não pode haver um verdadeiro desenvolvimento humano.

Esta espécie de padrão que se estende rapidamente sobre a estrutura familiar dos países constitui um desafio sobre o qual parece oportuno refletir.

Não é somente triste ver os idosos sem lar, mas também observar os lares sem idosos. Às vezes fisicamente dentro, participando plenamente da vida familiar, dando e recebendo, ao mesmo tempo. Mas, em outros casos não: muitos precisam de atenção especial e é justo proporcionar tais cuidados sem que isso signifique uma renúncia à sua inclusão na comunidade doméstica.

Aqui, como em tudo, deve prevalecer o princípio da subsidiariedade, que nos permita usufruir do apoio de outras instituições para o melhor cumprimento possível da nossa responsabilidade.

Quanta verdade descobrimos ainda naquelas palavras do Eclesiástico, que nos exortam a este profundo e enriquecedor senso de piedade: “Meu filho, ajuda a velhice de teu pai, não o desgostes durante a sua vida. Se seu espírito desfalecer, sê indulgente, não o desprezes porque te sentes forte, pois tua caridade para com teu pai não será esquecida, e, por teres suportado os defeitos de tua mãe, ser-te-á dada uma recompensa” (Eclo 3, 12-14)!


HOSPICJUM

Leia também:
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Tags:
FamíliaIdososSociedade
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