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Como superar o excesso de autocrítica

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Michael Rennier - publicado em 08/03/21

Um olhar honesto para nós mesmos é diferente de não nos amarmos como Deus nos ama

Em algum lugar, guardado no disco rígido de um computador, está um romance fracassado que escrevi há cerca de 15 anos. a minha autocrítica me obriga a dizer isso: eu não me importaria muito se ele se perdesse para sempre. Por outro lado, seria uma perda tremenda. Sim, a escrita e o enredo são terríveis e ele não é um bom romance. Mas é o meu romance. Escondido em sua gaveta digital juntando poeira, sua existência é semelhante a puxar um canivete e arranhar meu nome no tronco de uma árvore para provar que eu estava ali. Eu vivi. Eu escrevi. Mesmo que eu tenha vergonha de mostrar para você.

Meu romance é o pior, mas o motivo pelo qual trago isso à tona é porque, quando penso nisso, sinto uma necessidade irresistível de autocrítica. Como poderia ter escrito aquilo? Eu ao menos sei escrever? Se as pessoas soubessem que ele existia, eles leriam meus ensaios novamente?

De fato, eu tive que chegar a um acordo com essas questões e colocá-las em perspectiva. Há uma linha tênue entre admitir honestamente que o romance não é muito bom e criticar constantemente a mim mesmo, o que leva à contínua ansiedade e dúvida.

Autocrítica e autoconhecimento

A autocrítica é uma parte necessária do autoconhecimento e do conhecimento de nossas limitações. Ninguém quer delirar sobre o que é bom e o que não é. Não é incomum, porém, que a autocrítica se torne vergonhosa e prejudicial. Isso nos paralisa. E se aquele romance fracassado tivesse iniciado um ciclo interminável de vergonha que me convencesse de que eu nunca seria um escritor decente?

Vejo a autocrítica tomar conta de meus filhos. Eles passam a acreditar em uma certa ideia sobre si mesmos – que são ruins em matemática ou não sabem tocar piano – e isso os sabota. Como pai, é frustrante porque sei que a ideia que eles passaram a ter sobre si mesmos é falsa. Eu vejo isso claramente, mas sou exatamente como eles.

Muitos outros que conheço são da mesma forma porque internalizamos narrativas críticas sobre nós mesmos que distorcem nossa autocompreensão. Dissemos a nós mesmos tantas vezes que somos ruins nisso ou não podemos fazer aquilo, que agora acreditamos nisso com quase um fervor religioso. É um processo que só pode terminar em paralisia. Se nada pode ser feito direito, é melhor não tentar nada.

Limitante, mas confortável

Isso é exatamente o que a autocrítica em excesso nos motiva a realizar – absolutamente nada. A verdadeira vergonha é que o roteiro constante em nossas mentes que aponta todas as nossas deficiências e falhas não tem imaginação. Supõe a pior interpretação possível de um mundo em que nada funciona bem, todo jogo de xadrez termina em empate, todo esforço um fracasso embaraçoso. Não há mais emoção, sem sonhos ou ambições.

Também é seguro. Estranhamente, acho que é por isso que nos viciamos na autocrítica. Às vezes é quase prazeroso. Faz-nos sofrer, mas também nos protege da desilusão. A autocrítica é limitante, mas confortável. Quase me pergunto se estamos com medo – medo de lutar, medo de comemorar nossas vitórias.

Lembro-me da primeira vez que escrevi um ensaio e o enviei a uma editora. Eu estava convencido de que o editor iria ler a primeira linha, rir e apagá-la. Isso seria o começo e o fim da minha carreira de escritor. Mas eu preparei meus nervos e arrisquei um fracasso. E sim, caro leitor, falhei. Esse ensaio não foi publicado. Então escrevi outro e foi publicado. Publiquei centenas de ensaios agora, mas cada vez que clico no botão enviar para mandá-lo um a um editor, estou convencido de que será rejeitado imediatamente, os leitores vão rir de mim ou eu vou conseguir comentários desagradáveis ​​em resposta.

Essas coisas às vezes acontecem. Mas o que aprendi é que a maior parte da reação negativa esperada está na minha cabeça. Os editores e leitores, de fato, são infalivelmente generosos e gentis.

Como superar a autocrítica doentia

Essa gentileza me revelou o segredo de superar a autocrítica viciante e doentia. O segredo é pensar em mim como as outras pessoas pensam sobre mim. Por alguma razão, somos mais duros com nós mesmos do que com as outras pessoas. Cuidamos melhor das outras pessoas do que de nós mesmos. Estamos mais inclinados a estender misericórdia e perdão aos outros.

É um erro recusar misericórdia a si mesmo. Não, você não é perfeito. Nem eu. Seja misericordioso de qualquer maneira. Tenha compaixão. Se isso é tudo o que você pode fazer, force-se a saber que existem pessoas que o amam muito e um Deus que o ama muito. Quem somos nós para dizer a Deus que ele está errado? Quem somos nós para dizer a todos que nos amam que, não, na verdade, não temos talento e todos estão enganados?

Portanto, seja misericordioso consigo mesmo e aceite tanto a vitória quanto a derrota. O excesso de autocrítica nos paralisa. É hora de deixarmos isso para trás e pular para a vida com entusiasmo. Talvez um dia eu tenha coragem de escrever um novo romance.


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