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Padre indígena brasileiro contesta ideólogos que dizem que índio não entende celibato

Pe. Justino Sarmento Rezende

Pe. Justino Sarmento Rezende | Redes Sociais

Reportagem local - publicado em 19/04/21

De origem tuyuka, o salesiano pe. Justino testemunhou: "o celibato é uma virtude que pode ser experimentada por qualquer pessoa"

Padre indígena brasileiro, o salesiano Justino Sarmento Rezende é membro da etnia tuyuka e participou do Sínodo da Amazônia em 2019. Na ocasião, ele respondeu a determinados segmentos ideológicos que afirmavam que os indígenas não conseguem compreender o celibato sacerdotal.

A esses ideólogos, o pe. Justino afirmou enfaticamente que qualquer pessoa, seja ela da cultura que for, tem a capacidade não só de compreender, mas também de viver o celibato.

Diante dos veículos de comunicação credenciados junto à Santa Sé e reunidos na Sala de Imprensa do Vaticano, o pe. Justino testemunhou:

“Se eu pensasse que o celibato não é para mim, eu deixaria o sacerdócio. Porque, se algum dia de minha vida eu vir que estou sofrendo muito com isso e que já não estou sendo mais um testemunho de vida para as pessoas de minha comunidade, de minha Igreja, já não teria nenhum sentido para mim”.

Dom de Deus que pode ser assumido como estilo de vida

O pe. Justino continuou:

“O celibato não é algo que nasce com a pessoa humana, é algo que se estabelece ao longo da história. Nenhum de nós, que estamos aqui, nem eu, nem vocês, estamos preparados para viver o celibato. Por isso, eu já escrevi artigos nos quais falo que o celibato é um dom de Deus. Pessoas de qualquer cultura que existe no mundo podem conseguir viver o celibato a partir do momento em que, livremente, não forçadamente, digam ‘Eu quero assumir este estilo de vida’.

Eu digo isso por experiência própria. Minha mãe não me disse ‘Você vai ser sacerdote, viva o celibato’. Pelo contrário, quando entrei no seminário, ela chorou porque queria ter um filho casado para ter a alegria de criar seus netos. Meu avô, que era mestre de grandes cerimônias tuyuka, também me disse: ‘Ser sacerdote não é para nós, os tuyuka. De onde você tirou essa ideia?’.

Padre indígena brasileiro contesta ideólogos

O sacerdote católico da etnia tuyuka testemunhou:

“Para nós, também para mim, os únicos capazes de serem sacerdotes eram os brancos, e não nós. Quando os indígenas se tornam sacerdotes, surgem as perguntas ou dúvidas. Dizem: os indígenas têm muita dificuldade para viver o celibato. Sim, eu tenho porque sou uma pessoa normal. [Mesmo assim,] o celibato é uma virtude que pode ser experimentada por qualquer pessoa, homem ou mulher”.

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