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O amor pelos animais e a irredutível condição humana

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Pixel-Shot | Shutterstock

Jacques Ricot - publicado em 29/04/21

O movimento animalista luta por uma melhor consideração dos animais. Para o filósofo Jacques Ricot, no entanto, é necessário resistir à dissolução das fronteiras entre o homem e o animal

Uma nova sensibilidade para com os animais está se desenvolvendo – e esta é uma boa notícia!

 Embora ainda haja muito a ser feito na prática, uma consciência agora amplamente compartilhada exige que o animal não seja mais sujeito a maus-tratos. Além disso, pedidos de cuidados com os animais estão sendo expressos cada vez mais abertamente. Vemos, portanto, o aumento do poder das atitudes de acordo com uma gradação que começa com o flexitarismo e termina com o veganismo.

O flexitarista busca limitar seu consumo de carne animal por razões de preservação do equilíbrio ecológico. Além disso, tem a sensação de que está participando involuntariamente do abuso animal. 

Já o vegetariano se recusa a consumir carne animal em nome da consideração devida a esses companheiros do homem que, como ele, têm o direito de viver sua vida. O vegano dá um passo além ao se abster de comer produtos de origem animal como mel, ovos e leite. Mais radical ainda, o vegano se abstém de usar produtos de origem animal como lã, couro ou certos cosméticos.

A questão dos animais e o risco ético

A questão animal acabou se tornando uma “causa” e o campo militante e político não pode mais ignorar um movimento que muitas vezes se autodenomina “animalista”, a ponto de serem bandeira para muitos partidos.

Demasiadas afirmações perigosas, sob o pretexto louvável de reavaliar a condição animal, passam a desvalorizar a do homem, o que pode levar a consequências éticas potencialmente monstruosas.

Antes de tomar posição, entretanto, é importante conhecer as muitas facetas do movimento animalista, olhar com rigor para a natureza da continuidade entre o homem e o animal, mas também o que os separa. 

O filósofo Jacques Derrida, muito favorável à nova consideração que devemos dar ao animal, não hesitou em falar de “ruptura abissal” entre os animais e o homem. No livro “Qui sauver ? L’homme ou le chien ?Quem salvar? O Homem ou Cachorro?) ele faz um balanço da continuidade e da descontinuidade entre o homem e o animal.

Com efeito, ele afirma que demasiadas afirmações arriscadas, sob o pretexto louvável de reavaliar a condição animal, passam a desvalorizar a do homem, o que pode levar a consequências éticas potencialmente monstruosas. 

Animais e o status de pessoa

Por exemplo: um dos principais pioneiros na defesa dos animais, o filósofo Peter Singer chega a negar o status de “pessoa” a certos seres humanos por serem deficientes de grande gravidade. Por outro lado, alguns animais, para ele, mereceriam esse status de “pessoa” por causa das performances de que são capazes! Singer afirma: “Portanto, parece, por exemplo, que matar um chimpanzé é pior do que matar um ser humano que, por causa de uma deficiência mental congênita, não é e nunca será uma pessoa.”

E não se trata de uma afirmação isolada, pois Singer também já afirmou: “Certamente existirão certos animais não humanos cuja vida, quaisquer que sejam os critérios adotados, será mais valiosa do que a de alguns humanos. Um chimpanzé, como um cachorro ou um porco, terá um grau mais alto de autoconsciência e uma capacidade maior de se relacionar com os outros do que uma criança com retardo mental severo ou uma pessoa em estado de saúde. Portanto, se basearmos o direito à vida nessas características, devemos conceder a esses animais o direito à vida tão forte, senão mais forte, do que esses humanos deficientes ou senis. “

A irredutível condição humana

Por isso, é urgente e necessário resistir à dissolução das fronteiras entre o homem e o animal, tomando nota das conquistas do darwinismo que mostram a sua continuidade no que diz respeito às ciências naturais. 

O homem é um mamífero localizado na escala dos seres vivos e é legítimo estudar sua origem e seu lugar entre as diferentes espécies animais. Seu estudo se insere na zoologia e é um bom método, como tal, examinar sua posição na árvore das espécies. Mas o homem, que é o único capaz de construir tal árvore de espécies, é também o único ser dotado de moralidade e, portanto, de responsabilidade. O outro lado dessa característica é que ele também é capaz de imoralidade e irresponsabilidade e, por exemplo, de exibir uma crueldade pior do que a dos animais.

Às vezes, o movimento animalista acusa as religiões monoteístas porque, sendo criado o homem à imagem e semelhança de Deus, segundo o famoso versículo do Gênesis, teriam reduzido o animal à sua dominação indivisa. Não há dúvida de que tal leitura existiu, mas não se coaduna com o que dizem os textos bíblicos que, pelo contrário, convidam o homem a medir e a cuidar de toda a criação, incluindo os animais. O mérito da irrupção do movimento animalista terá tido a virtude de forçar os crentes a revisitar seus textos fundadores.

Tags:
AnimaisFilosofiaPolítica
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