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Vinho e monges: os vinicultores do céu da Provença

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Marc Paitier - publicado em 04/05/21

Os monges beneditinos de Barroux revivem uma tradição milenar

São cerca de 30 homens, alinhados em duas filas de cada lado de um caminho que atravessa um canteiro de vinhas. Eles são jovens e cheios de força, mas seu sorriso é tão gratuito quanto o de uma criança.

Alguns deles usam tonsura, o sinal ancestral de sua renúncia ao mundo. Eles estão vestidos com seu hábito monástico tradicional. São monges beneditinos da abadia de Santa Madeleine du Barroux, cuja torre da igreja se avista à distância, nas alturas sobranceiras às vinhas. A seus pés encontram-se caixotes vazios que logo se encherão com as primeiras uvas da vindima, clarividências banhadas pelo sol.

Os jardins e o céu

Por enquanto, os monges meditam, cantam louvores a Deus, antes de colherem ao sol provençal os novos frutos da videira, que o bom tempo fez amadurecer. “Ora et labora” (“Rezar e trabalhar”) é o seu lema: Trabalham em silêncio com gestos precisos e um ritmo regular e inabalável. Eles levantam os olhos de vez em quando para agradecer a Deus por tanta abundância. O trabalho árduo da vinha garante a sua subsistência; também permite que eles conquistem um caminho para o céu.

Ao contemplar esta cena, lembro-me de uma frase de Dom Gérard, o fundador da abadia: “Olhando para o céu, os monges desenharam os jardins da terra”. Aqui tudo está no seu lugar, na tranquilidade de uma ordem que traz alegria e paz: fileiras de vinhas emolduradas por muros de pedra seca esbarram em campos de oliveiras e matagais onde convivem zimbros, alecrim, azinheiras, madressilva e tomilho.

Abadia

A abadia românica insere-se na paisagem como um dos seus elementos naturais. A estética rochosa dos montes Dentelles de Montmirail e o majestoso Monte Ventoux completam o quadro para lhe dar um toque atemporal. Um perfume de eternidade sobe da terra.

Estamos exatamente no lugar onde Clemente V, o primeiro Papa de Avignon, plantou a primeira vinha pontifícia no início do século XIV. Cerca de 700 anos depois, nada parece ter mudado, como se este lugar fosse preservado da fúria do mundo.

Os monges revivem uma tradição milenar que associa os homens de Deus ao ambiente camponês, realizando o mesmo trabalho. Ao propor aos vinicultores vizinhos que se juntassem a eles na elaboração de grandes vinhos e, assim, garantindo-lhes um rendimento decente, restauraram a alma destas propriedades monásticas, que criaram à sua volta uma imensa poesia humana contra a qual nada poderia prevalecer.

Abriram uma via de caridade, a “Via Caritatis”, que dá identidade aos vinhos que eles produzem. A frase que o historiador medieval Georges Duby aplicou à arte cisterciense é perfeitamente adequada para definir sua natureza: “Alcançam o mais complexo pelo mais simples, o sonho pela razão e a perfeição pela doçura”.

Vox rouge é um vinho encantador, pleno, poderoso. É uma quintessência de frutas vermelhas, uma explosão de frescor e pureza. Já o Pax rouge é amplo e generoso, combina elegância, carácter e finesse, com taninos untuosos fundidos num bouquet de especiarias, fragrâncias mentoladas e caramelo. E o Lux tinto é um vinho voluptuoso que expressa tanto a suavidade do mosteiro como a majestade da paisagem em que cresceu. O Lux rosé é uma obra-prima com seus aromas sutis e encantadores de pétalas de rosa. E o Lux white, marcado por flores brancas e amêndoas, combina densidade com finesse.

De sua varanda celestial, os monges vinicultores de todos os tempos se alegram.

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