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Carta do Papa a Leniel Borel, pai do menino Henry: leia na íntegra

Papa Francisco

Antoine Mekary | ALETEIA

Francisco Vêneto - publicado em 19/05/21

"As palavras do Santo Padre nos fortalecem na fé e nos apoiam a ser imitadores de Cristo"

A carta do Papa a Leniel Borel, pai do menino Henry, tem comovido não apenas o próprio engenheiro e sua família, mas também milhares de brasileiros desde que foi divulgada nesta noite de 18 de maio.

O pequeno Henry, de 4 anos, foi morto em 8 de março em decorrêcia de violências cuja responsabilidade foi atribuída a seu padrasto e à sua mãe. Ambos estão presos preventivamente sob acusação de homicídio triplamente qualificado.

Em meio a um sofrimento impossível de ser imaginado por quem não o vive em primeira pessoa, o pai e a avó do menino, Leniel Borel e Noeme Camargo, receberam uma carta de conforto de parte do Papa Francisco, assinada pelo monsenhor Luigi Roberto Cona, assessor para Assuntos Gerais da Secretaria de Estado do Vaticano.

O texto reconhece que “é quase um milagre que uma pessoa ferida possa encontrar a coragem de recusar ter ódio”.

Carta do Papa a Leniel Borel

Uma amiga da família de Leniel que vive na Europa havia escrito ao Vaticano relatando a tragédia. Em 24 de abril, a Secretaria de Estado respondeu. A carta foi então remetida a Leniel pela amiga.

Segundo o próprio engenheiro, a carta afirma que ele está no caminho certo ao resistir a sentimentos de ódio. Leniel declarou à rede CNN:

“Eu e minha mãe ficamos gratos por receber a Bênção Apostólica do Papa Francisco. No momento mais difícil de nossas vidas, as palavras de amor e solidariedade transmitidas pelo Santo Padre nos fortalecem na fé e nos apoiam ainda mais a sermos imitadores de Cristo”.

A carta na íntegra

Reproduzimos a seguir o conteúdo da carta com a mensagem do Papa a Leniel e sua família:

Vaticano, 24 de abril de 2021

Prezada Senhora,

O Santo Padre recebeu a carta, triste e aflita, que lhe enviou no dia 14 deste mês de abril, contando nela as horas amargas que vive o povo brasileiro e também a loucura humana que levou ao massacre do pequenino Henry Borel. E, neste momento, seus familiares sentem que precisam fortalecer a sua fé unindo os seus corações ao coração do Sucessor de Pedro, cuja fé conta com um apoio especial de Jesus (cf. Lc 22, 32) para poder confirmar a fé dos seus irmãos.

Considerando o caso dramático referido na missiva, o Papa Francisco incumbiu-me de assegurar a sua paterna vizinhança e solidariedade ao pai Leniel Borel e à avó Noeme Camargo, confiando-os à proteção da Virgem Maria com os desejos bons que cada um traz no coração: deixem-se reconhecer como amigos de Jesus; a todos chamem amigos e, de todos, sejam amigos.

O Santo Padre conta com a senhora Noeme e o senhor Leniel para contrastarem a cultura da indiferença e do ódio que sentem crescer ao seu redor; não se deixem contaminar pelo ódio, transformando-se à sua imagem e semelhança. Sejam do número das pessoas que se recusam a entrar no circuito do ódio, que se recusam a odiar aqueles que lhes fizeram mal, dizendo-lhes: “Não tereis o meu ódio!”. Deste modo ajudarão a parar o mal, como fez Abraão quando pediu a Deus para não exterminar os justos com os culpados (cf. Génesis t8, 23-32).

Basta-lhes uma só pessoa boa, para não odiarem todas as pessoas. É quase um milagre que uma pessoa ferida, como o senhor Leniel e a senhora Noeme, possa encontrar a coragem de recusar ter ódio e o afastar do seu coração; mas é um milagre que lhe permite viver em paz e ajudar a salvar o mundo de si mesmo. Propiciadora de luz e assistência do Alto para a senhora Noeme e para o senhor Leniel Borel e quantos vivem ao seu redor, o Papa Francisco concede-lhes a Bênção Apostólica. Valho-me do ensejo para lhe testemunhar meus sentimentos de fraterna estima em Cristo Senhor.

L. Roberto Cona
Mons. Luigi Roberto Cona
Assessor

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FamíliaPapa FranciscoPaternidadeTestemunhoViolência
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