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O último imperador romano pagão: Juliano, o Apóstata

Juliano o Apóstata

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Francisco Vêneto - publicado em 26/05/21

Ele renegou Jesus e desafiou o Evangelho, mas, no final da vida, acabou gritando ao céu: “Tu venceste, Galileu!”

O último imperador romano pagão foi Juliano, o Apóstata, que, por volta do ano 360, moveu uma implacável perseguição não cruenta contra a Igreja. Ele passou para a posteridade com o epíteto de Apóstata porque, mesmo tendo sido batizado e educado na fé cristã, renegava Cristo e procurava denodadamente restabelecer as velhas crenças e cultos pagãos greco-romanos.

Embora não promovesse as carnificinas contra os cristãos que tinham ensanguentado os primeiros séculos da Igreja em Roma, Juliano apoiava cismáticos e hereges, despojava a Igreja de seus bens, proibia os cristãos de se defenderem nos tribunais e até vetava que eles dessem aulas nas escolas.

Muito culto e refinado, poderia ter feito grandes coisas pelo Império, mas dedicou suas forças a combater a fé a ponto de cometer insensatezes como a tentativa de reconstruir o Templo de Jerusalém, motivado pela intenção de afrontar Jesus Cristo e “desmascará-lo” como “falso profeta”, visto que Jesus tinha afirmado que, daquele templo, não restaria pedra sobre pedra.

Juliano Apostata

Juliano chegou a orquestrar grandes movimentações de engenharia para levar adiante aquela grandiosa e custosa empreitada, mas, apenas colocadas as primeiras pedras, um terremoto avassalador voltou a derrubá-las. Em vez de “desmascarar” a profecia de Jesus, Juliano acabou ajudando a comprová-la. O templo de Jerusalém nunca mais voltou a ser reconstruído.

A este respeito, o contemporâneo São João Crisóstomo exclamou:

“Cristo edificou a sua Igreja sobre a pedra e nada pôde derrubá-la. Ele derrubou o templo e nada pôde reedificá-lo. Ninguém abate o que Deus eleva, nem eleva o que Deus abate”.

Partindo depois para uma guerra contras os persas, o último imperador romano pagão foi ferido mortalmente por uma flecha. Uma antiga tradição copta atribui a flechada a São Mercúrio. Segundo essa mesma tradição, Juliano era ex-colega de estudos de ninguém menos que São Basílio Magno. Aprisionado logo no início desse governo imperial, São Basílio teria invocado a ajuda de São Mercúrio e recebido uma visão na qual o santo lhe revelava ter atingido o imperador com a flecha. O ícone que aparece na imagem ilustrativa desta matéria representa essa tradição.

Tradições coptas à parte, o historiador Teodoreto relata que, uma vez atingido pela flecha, o imperador apóstata levou a mão à ferida, recolheu do próprio sangue que jorrava aos borbotões e o lançou ao céu, gritando para Jesus Cristo:

“Tu venceste, Galileu!”

O último imperador romano pagão morreu aos 32 anos, sem filhos, depois de apenas 20 meses à frente do Império que tentara descristianizar.

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CristianismoHistóriaHistória da IgrejaJesus
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