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Como permanecer em “estado de oração”, segundo o Papa

Reportagem local - publicado em 10/06/21

"Recitemos a oração simples que é tão bom repetir durante o dia: 'Senhor Jesus, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador'”

O Papa Francisco explicou em sua catequese desta semana como permanecer em “estado de oração”.

Ao reunir-se com o público no pátio São Dâmaso, no Vaticano, o Santo Padre recordou inicialmente o itinerário espiritual do Peregrino russo e sua “oração do coração”.

Consiste em repetir com fé: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador!”. Uma oração simples, mas muito bonita. É uma oração que, pouco a pouco, se adapta ao ritmo da respiração e se estende ao longo do dia. Com efeito, a respiração nunca pára, nem sequer quando dormimos; e a oração é o respiro da vida.

Estado de oração

Como é possível, então, manter sempre um estado de oração? – perguntou o Papa.

O monge Evágrio do Ponto afirma: «Não nos foi pedido que trabalhemos, velemos e jejuemos constantemente – não, isto não nos foi pedido – mas temos a lei de orar sem cessar». O coração em oração. Existe assim um ardor na vida cristã que nunca deve falhar. É um pouco como aquele fogo sagrado que se conservava nos antigos templos, que ardia sem interrupção e que os sacerdotes tinham a tarefa de manter vivo. Eis: também em nós deve haver um fogo sagrado, que arda continuamente e que nada possa extinguir. Não é fácil, mas deve ser assim.

O Papa citou então o exemplo de São João Crisóstomo.

São João Crisóstomo, outro pastor atento à vida concreta, pregava deste modo: «É possível, mesmo no mercado ou durante um passeio solitário, fazer oração frequente e fervorosa; sentados na vossa loja, a tratar de compras e vendas, até mesmo a cozinhar». Pequenas orações: “Senhor, tem piedade de nós”, “Senhor, ajuda-me”. Pois bem, a oração é uma espécie de pauta musical, onde colocamos a melodia da nossa vida. Não está em contraste com o trabalho diário, não contradiz as muitas pequenas obrigações e compromissos, mas antes é o lugar onde cada ação encontra o seu sentido, o seu porquê, a sua paz.

O Papa Francisco reconheceu que pôr em prática estes princípios não é fácil.

Um pai e uma mãe, ocupados em mil afazeres, podem sentir nostalgia por um período da sua vida, quando era fácil encontrar tempos regulares e espaço para a oração. Depois, os filhos, o trabalho, as ocupações da vida familiar, os pais que envelhecem… Tem-se a impressão de nunca conseguir concluir tudo. Por isso é bom pensar que Deus, nosso Pai, o qual tem de cuidar de todo o universo, se lembra sempre de cada um de nós. Por conseguinte, também nós devemos recordá-Lo sempre!

Equilíbrio interior

O Papa explicou que, no monaquismo cristão, o trabalho foi sempre realizado com grande honra, não só por dever moral de prover a si mesmo e aos outros, mas também por uma espécie de equilíbrio, um equilíbrio interior.

É perigoso para o homem cultivar um interesse tão abstrato a ponto de perder o contato com a realidade. O trabalho ajuda-nos a manter-nos em contato com a realidade. As mãos juntas do monge contêm os calos daqueles que empunham pás e enxadas. Quando, no Evangelho de Lucas (cf. 10, 38-42), Jesus diz a Santa Marta que a única coisa realmente necessária é ouvir Deus, não significa de modo algum que despreza os muitos serviços que ela estava a realizar com tanto empenho.

Tudo no ser humano é “binário” – explicou Francisco: o nosso corpo é simétrico, temos dois braços, dois olhos, duas mãos.

Assim, também o trabalho e a oração são complementares. A oração – que é o “respiro” de tudo –  continua a ser o pano de fundo vital do trabalho, até em momentos em que não é explícita. É desumano estar tão absorvidos pelo trabalho a ponto de não encontrar tempo para a prece.

Ao mesmo tempo – prosseguiu o Papa Francisco –, uma oração que esteja alienada da vida não é saudável.

A oração que nos afasta da realidade do viver torna-se espiritualismo, ou, até pior, ritualismo. Recordemos que Jesus, depois de ter mostrado a sua glória aos discípulos no monte Tabor, não quis prolongar aquele momento de êxtase, mas desceu com eles do monte e retomou o caminho diário. Porque aquela experiência devia permanecer nos corações como luz e força da sua fé; também uma luz e força para os dias que estavam próximos: os da Paixão.  Assim, os tempos dedicados a estar com Deus reavivam a fé, que nos ajuda na realidade da vida, e a fé, por sua vez, alimenta a oração, sem interrupção. Nesta circularidade entre fé, vida e oração, o fogo do amor cristão que Deus espera de nós mantém-se aceso.

Por fim, o Papa pediu: “recitemos a oração simples que é tão bom repetir durante o dia, todos juntos: ‘Senhor Jesus, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador’”.

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