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O que é poliamor, afinal de contas?

poliamor

wavebreakmedia - Shutterstock

Reportagem local - publicado em 29/06/21

Denúncia de padre sobre apologia ao poliamor em escola gerou polêmica no Brasil recentemente

Muitos católicos brasileiros se mostraram surpresos recentemente ao descobrirem o que é poliamor, um conceito que gerou polêmica no país após as denúncias do pe. Chrystian Shankar de que uma escola havia distribuído material a seus alunos apresentando o assunto de modo enviesado. Confira o caso neste artigo:

O conceito de poliamor, no entanto, vem girando por diversos meios já faz certo tempo. Em 2017, por exemplo, Aleteia publicou sobre este assunto um artigo assinado por Carolyn Moynihan e cujo conteúdo recordamos a seguir.

Carolyn começava o texto constatando que o reconhecimento legal das uniões homossexuais como equivalentes ao casamento natural vinha gerando uma onda de tentativas diversas de “redefinir” o conceito de casamento no mundo ocidental.

Ela observava então que a união homossexual não era a única forma de relacionamento que pretendia ser equiparada ao matrimônio natural: numa longa fila de modalidades de relação que aguardavam o reconhecimento social, já encontrávamos o assim chamado “poliamor”, que se autodefine como “uma responsável não-monogamia”.

O que é poliamor, afinal de contas?

De acordo com o artigo de Carolyn Moynihan, um grupo californiano chamado Saturnia Regna descreve assim o “poliamor”:

“Muitos amores ou um amor compartilhado entre muitas pessoas. A palavra tem sido usada pelo menos desde o início do século XX para descrever a escolha de amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Esta forma responsável de não-monogamia não implica clandestinidade nem traição. O poliamor consiste em acordos mútuos com pessoas que você ama, mantendo tudo aberto e tratando as pessoas amadas de uma forma ética, consensual e comprometida”.

Carolyn destacou que a palavra-chave nessa descrição é “não-monogamia”, ou seja, a manutenção estável de envolvimento sexual com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. “O que não é muito claro”, prosseguiu ela, “é o que significa exatamente essa ‘responsável não-monogamia’ que o ‘poliamor’ propõe”.

O mesmo grupo Saturnia Regna chegou a anunciar nos Estados Unidos um programa de férias de verão “num lindo resort do norte da Califórnia com uso opcional de roupa”. Em tal ambiente, a “comunidade poliamor” poderia aprimorar habilidades como “a clarificação e a expressão de desejos, a gestão dos ciúmes, a expansão e o aprofundamento da intimidade e do relacionamento multi-parceiros”. Essa proposta apresentava uma perspectiva de “exercícios interativos” num contexto “propício para a expressão sensual em um grau não possível na maioria dos ambientes comuns”.

A propaganda chegava a acrescentar:

“A interação social no ambiente de uso opcional de roupas exige que as pessoas sejam mais respeitosas do que nos contextos comuns – e não menos. O poliamor e os relacionamentos abertos demandam que as pessoas sejam mais sensíveis aos sentimentos e desejos das pessoas com quem interagem – e não menos. Explorar o poliamor exige um nível mais alto de confiança, honestidade, vulnerabilidade emocional e disposição para enfrentar sentimentos desconfortáveis do que é exigido em relacionamentos mais convencionais. Se você não é uma pessoa disposta e capaz de se comportar desta maneira, este evento provavelmente não é para você”.

Qual é a definição de “amor” que fundamenta este conceito?

Carolyn Moynihan comentou a propaganda do grupo Saturnia Regna:

“O esforço para revestir uma orgia com matizes de ‘escola de sensibilidade’ pode ser hilário por um lado, mas, por outro, é uma mostra perturbadora do futuro possível das relações sexuais reguladas só pela aparência de ‘amor’. O ‘poliamor’ afirma que os seus ‘relacionamentos não-monogâmicos’ são apenas ‘outra maneira de amar’. Mas não esclarece qual é a definição de ‘amor’ em que tenta se basear”.

E questionou:

“Há algo que impeça o ‘poliamor’ de conseguir, em breve, a equiparação legal ao casamento? Se nem a definição de casamento está clara hoje em dia, provavelmente não.

E isso importa? Bom, importa para quem acha preocupante a institucionalização da instabilidade familiar. O divórcio já permite há décadas que os pais se separem e formem novos relacionamentos – e não são desprezíveis as estatísticas que indicam que os filhos tendem a sofrer de modo considerável os efeitos dessa ruptura em termos de autoestima, segurança pessoal, rendimento escolar, amadurecimento afetivo. Se o ‘poliamor’ chegar a ser reconhecido legalmente como ‘equiparável ao matrimônio’, o que as crianças acharão de si mesmas no meio disso tudo?”

A pergunta continua válida.

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AmorCasamentoIdeologiaSexualidadeSociedade
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