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Padre candidato a cargos políticos: 5 esclarecimentos sobre por que não

Padre

Anneka | Shutterstock

Francisco Vêneto - publicado em 29/06/21

"Reduzir a missão do padre a tarefas próprias do mundo civil não é uma conquista, mas uma gravíssima perda"

Padre candidato a cargos políticos: o que a Igreja diz a esse respeito?

Em 2015, na Argentina, um padre católico chamado Jorge Crespo tomou a decisão unilateral de se candidatar a deputado. Diante de tal cenário, o arcebispo de Salta, dom Mario Antonio Cargnello, teve de se pronunciar publicamente e prestar importantes esclarecimentos aos fiéis sobre a relação entre os sacerdotes católicos e a atuação política e partidária.

O arcebispo destacou 5 pontos que recordamos a seguir:

1 – Visão positiva da política

A Igreja valoriza a atividade política, considerando-a como uma forma privilegiada de caridade social. Por isso, incentiva os seus fiéis leigos a assumirem suas responsabilidades no serviço ao bem comum, que é a razão de ser da atividade política.

2 – Distinção e colaboração

Ao mesmo tempo, o Concílio Vaticano II ensina:

“A Igreja, que, em razão da sua missão e competência, de modo algum se confunde com a sociedade nem está ligada a qualquer sistema político determinado, é ao mesmo tempo o sinal e salvaguarda da transcendência da pessoa humana” (Gaudium et spes, nº 76).

Por isso, destaca-se a independência e a autonomia da Igreja e do Estado. Cada um deve agir no seu próprio âmbito, mas ambos devem trabalhar em parceria no serviço à vocação pessoal e social do homem. Esta colaboração precisa ser saudável, boa e respeitosa dos âmbitos próprios de cada um.

3 – O sacerdote está acima de qualquer parte política

Este é o contexto em que é preciso avaliar a atuação do sacerdote, que é ministro de Cristo e do Seu Evangelho e, por isso mesmo, é ministro da Igreja.

O Diretório para o Ministério e a Vida dos Presbíteros explica:

“O sacerdote, servidor da Igreja que, em virtude da sua universalidade e catolicidade, não pode ligar-se a nenhuma contingência histórica, estará acima de qualquer parte política. Ele não pode tomar parte ativa em partidos políticos ou na condução de associações sindicais, a menos que, na opinião da autoridade eclesiástica competente, a defesa dos direitos da Igreja e a promoção do bem comum o exijam” (nº 33).

4 – Os leigos e a sua vocação política

São muitos os homens e mulheres com vocação política; é a eles que corresponde agir, por iniciativa própria, no político e no social. A Igreja respeita profundamente todos os leigos que participam da promoção do bem comum, considerando tal participação como um dever ético para todos os membros da sociedade. Aos padres corresponde acompanhar os leigos na formação permanente de uma consciência reta.

5 – O padre é um homem a serviço da fraternidade

Os sacerdotes são homens a serviço de todos, em busca da fraternidade espiritual. Tomar partido envolve o risco de dividir: por isso, os padres não podem intervir diretamente na ação política nem na organização social.

Reduzir a missão do padre a tarefas que são próprias do mundo civil não é uma conquista, mas uma gravíssima perda para a fecundidade evangélica da Igreja inteira. O apelo constante dos leigos, dos pobres, dos doentes, dos marginalizados, das crianças, dos jovens e das famílias testemunha isto.

Veja também o que disse e fez o arcebispo de Maringá, PR, dom Severino Clasen, no tocante à proibição de que membros do clero católico se candidatem a cargos políticos. Ele reforçou que quem se candidatasse seria suspenso do exercício das sagradas ordens. Confira:

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