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Como combater os preconceitos cognitivos?

KIM JESTEM?

Jacob Lund | Shutterstock

Aliénor Strentz - publicado em 30/06/21

Todos nós somos vulneráveis ​​a preconceitos, mas podemos tomar medidas para evitar que eles nos façam cometer erros

Já conhecemos a famosa “reclamação” de São Paulo: “Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero” (Romanos 7, 18-19). Talvez o apóstolo também estivesse sujeito a preconceitos cognitivos!

Mas, afinal, o que são preconceitos cognitivos? São como atalhos que nosso cérebro usa para nos ajudar a tomar decisões rápidas, mas podem nos levar a cometer erros. 

Embora não possamos erradicar os preconceitos cognitivos, podemos combater seus efeitos negativos desenvolvendo gradualmente novos hábitos. Aqui estão algumas maneiras de fazer isso.

1Analise opiniões diferentes

É importante nos distanciarmos mentalmente de nossas convicções. Devemos ter tempo para considerar as ideias que as diferenciam ou se opõem a elas. Desse modo, nos abrimos a outros pontos de vista que podem ampliar nosso conhecimento, nos fazer mudar nossas opiniões ou ainda nos confirmar em nossas convicções.

Isso nos ajudará a saber mais claramente por que preferimos nossa opinião a outras. Vamos às “periferias” do nosso pensamento, como pede o Santo Padre, e no final ganhamos em abertura e profundidade de reflexão.

2Pratique um monólogo interno positivo

Nossos pensamentos e emoções iniciais em reação às coisas podem tender a ser rígidos, ásperos ou pessimistas. Por exemplo, se estamos propensos a uma interpretação negativa, podemos dizer a nós mesmos: “Meu dia foi um desastre!”

Um monólogo interior mais positivo e construtivo, no qual nos fazemos perguntas e avaliamos nossos pensamentos e sentimentos impulsivos, pode nos levar a ver as coisas de forma diferente e qualificar nossa afirmação inicial. “Todas as 24 horas do dia foram realmente tão ruins? O que você quer dizer com ‘catastrófico?’ ”

3Desenvolva o pensamento coletivo

Uma forma de reduzir nossa rigidez mental pode ser desenvolvendo um “sistema de decisão”, especialmente em contextos como a família ou o mundo corporativo. É o que propõe Olivier Sibony, consultor e escritor.

Trata-se de definir antecipadamente os critérios a serem cumpridos para que uma determinada decisão seja tomada, discutir explicitamente as incertezas em vez de varrê-las para debaixo do tapete, e não confiar na própria opinião inicial, mas apresentá-la a uma equipe (ou mesmo a várias equipes). O time deverá encontrar argumentos para de defesa e de crítica em relação à decisão proposta.

A partir desse pensamento coletivo cuidadoso e metódico, pode surgir uma forma de pensar nova, mais rica e menos rígida.

4Abra espaço para a dúvida

Na consciência de muitos cristãos, a dúvida é frequentemente percebida de forma negativa. No entanto, se analisarmos a famosa “dúvida” de São Tomé sobre a ressurreição de Cristo, podemos ver que isso o levou a discernir o que os outros apóstolos ainda não percebiam ou expressavam: “Meu Senhor e meu Deus!”

O apóstolo Tomé, ao ativar seu sistema de pensamento “lento”, para usar o vocabulário da neurociência – em outras palavras, por meio da dúvida e do questionamento – foi o primeiro apóstolo a reconhecer explicitamente a divindade do Senhor ressuscitado.

Portanto, pode ser uma boa ideia desacelerar o ritmo de nossos pensamentos com um pouco de dúvida, a fim de obter um melhor discernimento espiritual.

Tags:
Psicologia
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