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Nigéria: país mais populoso da África “está em guerra”, diz bispo

NIGERIA

Shutterstock | vic josh

Fundação AIS - publicado em 04/07/21

Para o arcebispo, não haverá mais nenhum lugar no mundo onde tantas pessoas são “mortas em público sem consequência”

É mais uma voz que se ergue na denúncia da violência que está a afectar a Nigéria. O Arcebispo Matthew Ndagoso, da Diocese de Kaduna, diz que “o país está em guerra” e acusou de serem “criminosos, no verdadeiro sentido da palavra”, todos os responsáveis por esta situação tanto “fanáticos religiosos” como “bandidos, sequestradores, terroristas, pastores armados e oportunistas”.

Para o Arcebispo, não haverá mais nenhum lugar no mundo onde tantas pessoas são “mortas em público sem consequência”, acusando assim as autoridades de negligência grosseira na defesa das populações. “Os cidadãos estão sozinhos”, disse. “Bandidos estrangeiros ou outros criminosos podem vir à vontade matar-vos, saquear-vos, violar-vos, raptar-vos e assassinar-vos…” 

As palavras emotivas do prelado, durante o funeral no início de Junho do Padre Alphonsus Bello Yashim, um sacerdote católico assassinado em Malfunashi, são mais uma denúncia da violência sem fim que está a atingir o mais populoso país de África, perante a inoperância das autoridades.

A Igreja tem sido particularmente visada nesta onda de ataques. A Diocese de Kaduna é exemplo disso. O seminário local já foi atacado e três dos seus alunos foram raptados e um foi mesmo assassinado durante o ano de 2020. Por causa do clima de insegurança, as autoridades eclesiásticas decidiram encerrar provisoriamente a estrutura.

A situação é também trágica nos estados de Benue e Taraba. As disputas de terras têm criado inúmeros problemas aos agricultores cristãos que se sentem assediados por grupos de pastores Fulani, cada vez mais radicalizados e violentos. 

O Padre Kuha Indyer, missionário da congregação do Espírito Santo e parceiro de projecto da Fundação AIS, relata que “os pastores Fulani estão a massacrar o povo Tiv [essencialmente cristão], matando-os com as suas facas e com armas modernas como a AK47”. 

Os ataques sucedem-se a um ritmo assustador. Há algumas semanas, foram mortas 36 pessoas em Benue. “Entre as vítimas, também estava um dos meus parentes”, disse o padre Indyer. “Eles apareceram do nada uma manhã e mataram toda a gente numa questão de minutos.” O padre relatou ainda que na Diocese de Katsina-Ala “várias escolas e paróquias foram encerradas devido às actividades de gangues criminosos”.

(AIS)

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