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Para os pais: como se livrar do sentimento de culpa

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Michael Rennier - publicado em 05/07/21

Às vezes você acha que não é um bom pai ou uma boa mãe? Calma! Ter uma família inclui cometer erros juntos e perdoá-los

Todo pai, suspeito eu, sente alguma culpa. É um fenômeno que não é muito falado em voz alta, mas, mesmo assim, é muito comum. Eu me pergunto se estamos todos andando por aí o tempo todo nos sentindo culpados, mas pensando que ninguém mais se sente da mesma maneira. Será?

A culpa é o tipo de segredo que me faz acreditar que todos estão surpresos com o quão ruim eu sou. Todos os outros pais certamente falam entre si sobre como meus filhos sobem pelos escorregadores dos playgrounds, quando claramente os escorregadores são feitos para escorregar (não para subir). Eles também devem se surpreender com a maneira pela qual como meus filhos uivam como lobos enquanto estão perigosamente empoleirados a 6 metros e altura em uma árvore. Todos também devem comentar sobre como eu deixo meu filho ir à Missa vestindo a calça do avesso. Enfim, um pai nunca deixa de se sentir um pouco culpado.

Pais culpados e a armadilha da culpa

Devo ser o único pai cujos filhos agem assim. Pelo menos, é assim que parece às vezes – que você é o único com falhas e todos os outros pais no planeta são perfeitos. Isso faz parte da armadilha da culpa e nos faz sentir excepcionalmente inadequados quando, na verdade, todos estão no mesmo barco. 

De fato, todos os pais se torturam sobre as escolhas que fizeram. Fui muito rigoroso? Fui muito tolerante? Voltei ao trabalho cedo demais? Eu os mandei para a escola errada? Escolhi o médico errado para ele? Fui um mau exemplo?

Por outro lado, toda criança inevitavelmente cometerá erros. Esperamos e rezamos para que os erros não sejam muito grandes e que elas aprendam a se tornarem adultos responsáveis. No entanto, até que aconteça com você, é difícil abalar a confiança do novo pai de que para seu filho será diferente. 

Filhos: evitar a culpa dos pais

Seu filho evitará esses erros. Os erros são para os filhos de outras pessoas. Mas acontece. Seu filho tem problemas na escola, tem problemas de comportamento ou abandona a faculdade. Seus melhores esforços não foram suficientes. Você começa a fazer perguntas mais difíceis a si mesmo. A culpa se instala.

A paróquia pela qual sou responsável é abençoada com um grande número de famílias jovens. Há momentos durante a Missa em que mal consigo me ouvir falar, porque as crianças participam da missa com extremo vigor e entusiasmo. Eles cantam aleluias desafinadas minutos depois que paramos de cantar, viram as páginas de seus missais mais alto do que eu jamais ouvi o som de papel antes e correm loucamente para o banheiro em intervalos aleatórios.

Culpa e vergonha

Com o canto do olho, vejo pais abandonando o navio um por um, empacotando crianças em plena crise e as levando para fora dos corredores. Vejo também uma expressão de vergonha em seus rostos. Os pais sempre se desculpam comigo por seus filhos. Eles sentem um certo nível de culpa por terem perturbado a Missa. Minha resposta é garantir que tudo está absolutamente, perfeitamente bem – todos nós sabemos que não é ideal para as crianças perderem a cabeça no meio de Missa. Mas garanto-lhes que é perfeitamente natural. As crianças estão aprendendo a participar da Missa e, como família, nossa paróquia as apóia e ama enquanto praticam.

Não é perfeito, mas também não é nada para se sentir culpado e, certamente, nenhum pedido de desculpas é necessário. Em todo caso, que tipo de família paroquial seria se não houvesse muitas crianças animando nossas orações? E, para pensar: qual de nós, adultos, participa perfeitamente da Missa todas as vezes, sem um único devaneio rebelde?

A questão é que as crianças estão ocupadas, crescendo. Elas serão irritantes às vezes, testarão nossa paciência e farão com que reagimos mal. Elas vão cometer erros. Os pais também cometem erros. Temos dias ruins. Nem sempre sabemos como resolver seus problemas ou como dar exatamente o que precisam.

Fundamentalmente, o problema é insolúvel. Mesmo tirando os erros específicos que cometi como pai, sei que, todos os dias, não estou amando meus filhos perfeitamente. Eu não os estou amando do jeito que eles merecem. Tudo o que posso fazer é o meu melhor, e se eu dei o meu melhor a eles, não há razão para sentir culpa. No final, nossos filhos são seres humanos com seus próprios sentimentos e ideias. Eles fazem suas próprias escolhas e não podemos levar para o lado pessoal, como se fôssemos de alguma forma culpados todas as vezes que a criança tem um colapso durante a Missa ou o adolescente tem problemas.

A longo prazo

No romance “Gilead”, Marilynne Robinson escreve: “Minha experiência mostra que a culpa pode irromper pela menor brecha, cobrir a paisagem e permanecer nela em poças e umidade, tão nativa quanto a água”. Em outras palavras, se nos apegarmos à culpa por muito tempo, isso não é saudável. Isso nos consome. A culpa não serve para muito uso a longo prazo. Funciona muito bem no curto prazo para nos alertar sobre um problema, mas devemos sentir a culpa, reconhecer o erro e, então, transformá-lo em uma mudança positiva para o futuro.

A paternidade é um processo em evolução. Crianças são complicadas. As situações são obscuras. Não existe uma resposta certa. Eu mantenho minha fé de que Deus torna todas as situações lucrativas, mesmo as dolorosas que causamos por nossos próprios erros. Tudo é uma chance de crescer e aprender, tanto para pais quanto para filhos, desde que não permitamos que a culpa sabote o processo.

Ninguém pode ser especialista em tudo o tempo todo. Em qualquer caso, ser pai bem-sucedido não significa apenas ter mais informações e conhecer as teorias mais recentes. Ser pai significa ser uma família unida, cometendo erros juntos, perdoando uns aos outros e, acima de tudo, amar uns aos outros. Onde está o amor, não há espaço para culpa.

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Educação dos FilhosFamíliamãespais
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