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A freira refém de terroristas há 4 anos: “Rezem muito por mim”

IRMÃ GLORIA REFÉM DE TERRORISTAS

Sociedad Misiones Africanas-SMA

Francisco Vêneto - publicado em 09/07/21

Dona Rosita, mãe da irmã Gloria, faleceu aos 87 anos "sem poder aguentar a tristeza e o desespero" pela situação dramática da filha

A freira refém de terroristas há 4 anos: é com essa triste e pavorosa descrição que se pode apresentar ao público a religiosa colombiana Gloria Cecilia Narváez Argoty, que, em 7 de fevereiro de 2017, caiu nas garras do terror e sob elas permanece até hoje.

A freira sul-americana trabalhava na África, em missão das Irmãs Franciscanas de Maria Imaculada, congregação da qual faz parte, quando foi sequestrada por quatro homens armados numa aldeia de Karangasso, no Mali.

GLORIA NARVAEZ

“Ela sempre soube qual era a sua vocação. Sempre quis servir a Deus, ensinar e ajudar os mais pobres”.

Quem deu esse depoimento, poucos meses após o sequestro, foi Édgar, irmão da freira e porta-voz da família Narváez desde que o caso se tornou internacionalmente conhecido – há mais de 4 anos.

“Quem é que iria imaginar uma coisa dessas? Nunca tinha acontecido nada conosco aqui na Colômbia, onde existe terrorismo, narcotráfico, paramilitares. Não sabíamos o que era um sequestro, nem uma extorsão. E nunca passou pela nossa mente que uma coisa dessas fosse acontecer com a minha irmã no Mali, em outro continente. Em casa nós só olhamos para o mapa e ainda não acreditamos. Ninguém sabe o motivo”.

Autoridades da Colômbia e do Mali estabeleceram contatos, na época, para descobrir quem tinha sequestrado a religiosa – as primeiras hipóteses já apontavam para um grupo jihadista. A congregação e a Conferência Episcopal Colombiana fizeram firmes apelos desde o início pela libertação da irmã Gloria Cecilia. Em dezembro de 2017, os sequestradores teriam pedido um resgate mediante um vídeo no qual exibem a religiosa ainda em vida. A irmã Gloria, que aparecia no vídeo falando em francês, pediu a intercessão do Papa Francisco para que os raptores a libertassem.

Mas os terroristas não a libertaram. Passados 4 anos, ela continua em cativeiro e seu irmão Édgar continua lutando por libertá-la.

A freira refém de terroristas há 4 anos

GLORIA CECILIA ALVAREZ

Por intermédio da Cruz Vermelha Internacional, porém, os dois irmãos conseguiram trocar algumas poucas mensagens ao longo desses anos.

Em 3 de fevereiro de 2021, os sequestradores permitiram que a irmã Gloria enviasse uma dessas cartas. A religiosa escreve está agora sob o controle de uma nova facção de captores, chamada Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (GSIM, pela sigla em inglês). É um bando jihadista vinculado à Al-Qaeda e que atua na região do Sahel, ao sul do deserto do Saara. A irmã termina a carta suplicando:

“Rezem muito por mim. Que Deus abençoe vocês. Espero que Deus me ajude a alcançar a liberdade. Fraternamente, Glória”.

Por sua vez, Édgar teve de contar à irmã, em uma das suas cartas anteriores mais difíceis, que a mãe deles, dona Rosita, havia falecido aos 87 anos, em parte porque “não conseguia mais aguentar a tristeza e o desespero” pela situação da filha. Demoraram meses até que a irmã Gloria pudesse responder a essa carta dolorosa.

Em março de 2021, a Colômbia enviou uma missão internacional de resgate ao Mali. A operação deveria durar até agosto, mas, ainda em junho, a equipe recebeu ordens para retornar à Colômbia, sem que fosse divulgado oficialmente o motivo da suspensão da operação.

Édgar se declarou “triste e desconcertado” com esse cancelamento precoce da missão: “o grupo da Colômbia que ia buscá-la voltou e a minha irmã está sozinha”.

O irmã da missionária colombiana também declarou que ela “está fisicamente acabada, muito magra, a pele do rosto parece queimada pelo sol, pelo clima do Mali, mas, graças a Deus, ela se manteve sã. Ela tem muita força”.

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