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Quando um Papa descobriu que o café era bom

COFFEE

Shutterstock | portumen

Aliénor Goudet - publicado em 14/07/21

O café era considerado a "bebida do diabo", até que um Papa do século 16 resolveu prová-lo...

Era o fim do século 16. Rumores perturbadores estavam se espalhando em Roma. Dizia-se aqui e ali que o Papa Clemente VIII estava prestes a fazer o impensável: o Sumo Pontífice, representante de Cristo na terra, guia e pilar do catolicismo, estava prestes a tomar café! Um verdadeiro absurdo…

Isso porque eram os muçulmanos e hereges que costumavam consumir esta bebida do Iêmen. Acreditava-se que o próprio Satanás lhes oferecia a bebida “mais escura do que uma noite sem lua e amarga”. Ele fazia isso, supostamente, para consolá-los por não poderem beber vinho, a bebida emblemática do sangue de Cristo. 

O café no mundo muçulmano

No entanto, alguns anos antes, o café era causa de perseguição até mesmo entre os muçulmanos. Como não é mencionado no Alcorão, era considerado um alimento proibido. Esta foi uma concordância surpreendente entre os seguidores do Islã e do Cristianismo. No entanto, essa demonização oficial não impediu a disseminação da “bebida do diabo”.

Foi nessa época que surgiram os kahvehane, os primeiros cafés. Proibidos ou não, eles se tornaram locais de compartilhamento intelectual no Oriente. As pessoas discutiam literatura, ouviam poetas e jogavam jogos de tabuleiro.

Os amantes de cafeterias eram, frequentemente, cultos e amantes das artes. No entanto, eram malvistos pelas autoridades religiosas e, às vezes, até perseguidos. Somente no reinado do sultão Mehmed IV (1642-1693) os kahvehane foram oficialmente legalizados. Foram seus embaixadores que introduziram o café à nobreza europeia.

E Clemente VIII descobriu que o café era bom

 Entretanto, no final do século 16, o Papa Clemente VIII decidiu provar a “bebida do diabo”, apesar de sua estigmatização e de sua origem supostamente maligna.

 Para surpresa de todos, o Papa riu após a experiência. Depois, declarou”

“O aroma do café é agradável demais para ser obra do Maligno. Seria uma pena se os muçulmanos tivessem direitos exclusivos sobre ele.”

Daquele dia em diante, os cristãos puderam desfrutar da famosa “bebida do diabo”. O café, então, se espalhou rapidamente na Europa nos séculos seguintes e se tornou popular em todos os círculos. 

De fato, os estudantes e todos aqueles que passam a noite inteira em claro são, sem dúvida, gratos ao Papa Clemente VIII.

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