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O perigo de viver no auto-engano

3 min de leitura
Referência

Crédito: Dean Drobot | Shutterstock

Se sou tudo o que construí com mentiras e, de repente, perco tudo isso, então quem sou eu afinal?

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Um dia atendi uma pessoa que foi internada em um hospital psiquiátrico depois de perder a consciência e a razão, ignorando a verdade sobre si mesma e entrando em profunda depressão.

Em nosso encontro, ela não falou nada sobre culpa e arrependimento. Segundo ela, jamais havia feito nada de errado. E caso tivesse cometido algum erro, tinha sido sem querer. Ela tinha profunda reprovação em relação aos outros.

Em histórias como essa, a conscientização sobre os maus atos diminui. Considera-se aceitável o que não é aceitável. Ou desconsidera-se a gravidade daquilo que é muito sério.

São histórias com raciocínio tais como:

    E, por fim, essas pessoas param de fazer qualquer consideração moral, porque "quem não vive como pensa acaba pensando como vive".

    Gravidade

    Quando tais pessoas estão nessa condição, evitam tudo o que possa fazê-las refletir ou sentir a necessidade de apelar para as forças do espírito, para encontrar a verdade, interessando-se apenas em se mover na superfície das coisas. Eles têm a covardia de não querer se enfrentar.

    Dessa forma, elas se sentem livres para construir sua própria consciência, tornando o auto-engano um modo de vida, mentindo, ouvindo e acreditando em si mesmas; porque, segundo elas, é assim que as coisas funcionam para elas.

    Assim, elas se tornam reis de seu próprio reino de miséria, ao serem infiéis à esposa, no seu dever de pai, amigo, filho, irmão, trabalhador, cidadão etc. É claro, com certos limites, marcados não por sua prudência, mas por sua astúcia para manter as aparências.

    E quando se sentem descobertos, geralmente são agressivos.

    Finalmente, quando o destino os atinge inevitavelmente, seu castelo construído sobre a areia desmorona, sem que muitas vezes se reconheçam péssimos construtores, por causa da arrogância.

    Pessoas cujo epitáfio poderia muito bem ser escrito: "Aqui jaz o falso eu daqueles que viveram a vida inteira fora da realidade de si mesmo e dos outros".

    É assim, porque no drama do auto-engano, a primeira coisa que se perde é a consciência, e então a cabeça, a compreensão do real, para finalmente advir o desastre moral e uma abundância de desastres em todos os aspectos da vida.

    No entanto, muitas dessas pessoas têm sua chance, quando a consciência ainda é capaz de alertá-las de que vivem em auto-engano. Momentos em que sua sensibilidade e inteligência ainda são desafiadas e, se decidem ouvi-las, têm esperança de que a salvação esteja lutando para recuperar algo, ou até mesmo toda a verdade deles mesmos.

    E, neste caso, antes tarde do que nunca.

    O entendimento é a consciência da verdade, e quem a perde entre as mentiras de sua vida, é como se perdesse a si mesmo, porque nunca se encontrará ou se conhecerá, e se tornará outra mentira em que, no final de sua vida, não restará nada de seu verdadeiro eu.