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Madeleine Pauliac: a médica que ajudou freiras abusadas sexualmente na Segunda Guerra

MADELEINE PAULIAC

Public Domain

Sandra Ferrer - publicado em 27/08/21

Quando um convento sofreu brutalidades terríveis durante a Segunda Guerra Mundial, uma jovem médica apareceu para levar conforto e ajuda

Em 1945, quando a Segunda Guerra Mundial estava chegando ao fim, os soldados do Exército Vermelho começaram a se retirar de Berlim e voltar para casa.

No meio do caminho, na Polônia, longe de levar a tão desejada paz àquelas terras, semearam o terror entre a população civil, inclusive as religiosas.

Estupro e assassinato

Um grupo de soldados soviéticos atacou um convento de freiras polonesas. Os soldados, então, as estupraram sistematicamente por dias. Algumas delas foram mortas após sofrer inúmeras humilhações. Das que sobreviveram, algumas ficaram grávidas. 

Enquanto isso, uma jovem médica francesa chegava à Polônia. Seu nome: Madeleine Pauliac. Nascida em Villeneuve-sur-Lot em 16 de setembro de 1912, não foi a primeira vez que ela se juntava ao esforço de guerra.

Durante meses, Pauliac trabalhou incansavelmente em um hospital de Paris e participou de várias operações da resistência francesa. Ela ajudava paraquedistas aliados, escondia judeus em sua casa e até participava de missões do Esquadrão Azul da Cruz Vermelha. No início de 1945 foi uma das mais renomadas médicas do Exército francês, promovida a tenente e até recebida pelo general Charles de Gaulle.

Missão pela França

Madeleine Pauliac foi enviada a Moscou com a missão de repatriar prisioneiros de guerra franceses. Em maio do mesmo ano ela foi transferida para Varsóvia, para um hospital da Cruz Vermelha Francesa.

Enquanto trabalhava incansavelmente tratando os soldados antes de retornar à sua terra natal, Pauliac testemunhou o caos que assolou a capital polonesa, onde os soldados do exército russo estavam enlouquecidos e cometendo todos os tipos de ultrajes.

Diante de uma dor tão terrível

Mesmo assim, a médica não poderia imaginar que esses soldados seriam capazes do que fizeram com algumas freiras beneditinas da região, que a contataram. Ela era uma das poucas médicas a quem as religiosas podiam recorrer. Pauliac escreveu em seu diário estas palavras concisas, mas duras, depois de visitar um convento:

“Havia 25 delas, 15 foram estupradas e mortas pelos russos. As 10 sobreviventes foram estupradas cerca de 42 vezes, algumas por 35 vezes e outras por 50 vezes cada … e cinco delas estavam grávidas.”

Humilhadas e brutalmente abusadas, as freiras sentiam uma dor insuportável no corpo e na alma. 

As que engravidaram carregaram uma terrível cruz. Algumas, por medo ou desespero, foram até tentadas com pensamentos sobre aborto. Mas a Dra. Pauliac era muito mais que médica para aquelas mulheres. 

Ela as ouvia, confortava e tentava compartilhar sua dor em um belo ato de amor ao próximo. Ela não as julgava; simplesmente ficava ao lado delas quando mais precisavam de um vislumbre de luz na terrível escuridão que envolvia sua casa. Ela também ajudou no parto de vários bebês.

Morte prematura

Além de atender as irmãs sempre que podia, Pauliac continuou seu trabalho no hospital francês em Varsóvia e viajou por toda a Polônia em busca de soldados feridos.

Infelizmente, seu trabalho teve um fim abrupto em 13 de fevereiro de 1946, quando ela morreu em um acidente de trânsito, aos 34 anos. Seu corpo foi repatriado e repousa em sua cidade natal. 

Em 2016, a cineasta Anne Fontaine levou a história da Dra. Madeleine Pauliac e das freiras polonesas para a telona em um filme comovente chamado The Innocents.

Tags:
GuerraReligiososViolência

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