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As 3 características da fé de Maria, segundo o Papa

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TIZIANA FABI | AFP

Reportagem local - publicado em 16/09/21

"Maria, dilacerada na alma, Mãe compassiva que recolhe as nossas lágrimas e ao mesmo tempo nos consola, indicando-nos em Cristo a vitória definitiva"

O Papa Francisco afirmou que na fé de Maria reconhecemos três caraterísticas: “o caminho, a profecia e a compaixão”.

O Papa falava na Esplanada do Santuário Nacional, em Bratislava, na Santa Missa de encerramento de sua viagem à Eslováquia.

Caminho

Antes de mais nada, a fé de Maria é uma fé que se põe a caminho. A jovem de Nazaré, logo que recebeu o anúncio do Anjo, «pôs-se a caminho (…) para a montanha» (Lc 1, 39), para ir visitar e ajudar Isabel, sua prima. Não considerou um privilégio ter sido chamada para Se tornar Mãe do Salvador; não perdeu a alegria simples da sua humildade por ter recebido a visita do Anjo; não ficou parada na contemplação de Si mesma, dentro das quatro paredes da sua casa. Pelo contrário, viveu aquele dom recebido como missão a cumprir; sentiu necessidade de abrir a porta, sair de casa; deu vida e corpo à impaciência com que Deus quer alcançar todos os homens para os salvar com o seu amor. Por isso Maria Se põe a caminho: prefere as incógnitas do caminho à comodidade dos seus hábitos, a fadiga do caminho à estabilidade da casa, o risco duma fé que se põe em jogo, tornando-se dom de amor para o outro, à segurança duma religiosidade tranquila.

Segundo o Papa, a Virgem é modelo de uma fé que se põe a caminho, sempre animada por uma devoção simples e sincera, sempre em peregrinação à procura do Senhor.

E, caminhando, venceis a tentação duma fé estática, que se satisfaça com algum rito ou tradição antiga; em vez disso, saís de vós mesmos, levais na mochila as alegrias e os sofrimentos, e fazeis da vida uma peregrinação de amor a Deus e aos irmãos. Obrigado por este testemunho! E, por favor, continuai a caminho. Sempre; não pareis! E gostaria também de acrescentar uma coisa. Disse «não pareis», porque, quando a Igreja para, adoece; quando os bispos param, adoecem a Igreja; quando os padres param, adoecem o povo de Deus.

Profética

O Papa explicou ainda que a fé de Maria é também uma fé profética.

Com a sua própria vida, a jovem de Nazaré é profecia da obra de Deus na história, da sua ação misericordiosa que subverte as lógicas do mundo, exaltando os humildes e derrubando os soberbos (cf. Lc 1, 52). Ela, representante de todos os «pobres de Jahvé», que clamam a Deus e esperam a vinda do Messias, Maria é a Filha de Sião anunciada pelos profetas de Israel (cf. Sof 3, 14-18), a Virgem que conceberá o Deus connosco, o Emanuel (cf. Is 7, 14). Como Virgem Imaculada, Maria é ícone da nossa vocação: como Ela, somos chamados a ser santos e imaculados no amor (cf. Ef 1, 4), tornando-nos imagem de Cristo.

Não nos esqueçamos disto: não se pode reduzir a fé a um açúcar que adoça a vida. Não se pode. Jesus é sinal de contradição. Veio para trazer a luz onde há trevas, pondo as trevas a descoberto e forçando-as a renderem-se. Por isso as trevas lutam sempre contra Ele. Quem acolhe Cristo e se abre para Ele, ressuscita; quem O rejeita, encerra-se na escuridão e arruína-se a si mesmo. Jesus disse aos seus discípulos que não viera trazer paz, mas uma espada (cf. Mt 10, 34): de facto, a sua Palavra, como espada de dois gumes, penetra na nossa vida e separa a luz das trevas, pedindo-nos para escolher. Diz: «Escolhe!». Face a Jesus, não se pode ficar morno, com «o pé em dois sapatos». Não! Não se pode. Acolhê-Lo significa aceitar que Ele desvende as minhas contradições, os meus ídolos, as sugestões do mal; e que Se torne para mim ressurreição, Aquele que sempre me levanta, que me toma pela mão e faz recomeçar. Sempre me levanta.

Compaixão

Finalmente – disse o Papa –, Maria é a Mãe da compaixão.

A sua fé é compassiva. Aquela que Se definiu como «a serva do Senhor» (cf. Lc 1, 38) e Se preocupou, com solicitude materna, de que não faltasse o vinho nas bodas de Caná (cf. Jo 2, 1-12), partilhou com o Filho a missão da salvação, até ao pé da Cruz. Naquele momento, na dor terrível vivida no Calvário, Ela compreendeu a profecia de Simeão: «uma espada trespassará a tua alma» (Lc 2, 35). O sofrimento do Filho moribundo, que tomava sobre Si os pecados e as tribulações da humanidade, trespassou-A também a Ela. Jesus dilacerado na carne, Homem das dores desfigurado pelo mal (cf. Is 53, 3); Maria, dilacerada na alma, Mãe compassiva que recolhe as nossas lágrimas e ao mesmo tempo nos consola, indicando-nos em Cristo a vitória definitiva.

E, junto da cruz, Nossa Senhora das Dores simplesmente permanece, disse o Papa.

Está ao pé da cruz; não foge, não tenta salvar-Se a Si mesma, não usa artifícios humanos nem anestésicos espirituais para escapar da dor. Esta é a prova da compaixão: ficar junto da cruz. Ficar com o rosto marcado pelas lágrimas, mas com a fé de quem sabe que, no seu Filho, Deus transforma o sofrimento e vence a morte.

O Papa Francisco pediu que, “também nós, olhando para a Virgem Mãe Dolorosa, nos abrimos a uma fé que se torna compaixão, que se torna partilha de vida com quem está ferido, quem sofre e quem é constrangido a carregar aos ombros pesadas cruzes”.

Uma fé que não se fica pelo abstrato, mas faz-nos entrar na carne e nos torna solidários com os necessitados. Esta fé, ao estilo de Deus, humilde e silenciosamente levanta o sofrimento do mundo e irriga os sulcos da história com a salvação.

Queridos irmãos e irmãs, que o Senhor sempre conserve em vós a maravilha, conserve em vós a gratidão pelo dom da fé. E que Maria Santíssima vos obtenha a graça de que a vossa fé permaneça sempre a caminho, tenha o respiro da profecia e seja uma fé rica de compaixão.

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