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Escritor português lança livro tocante sobre a perda da mãe

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Octavio Messias - publicado em 23/09/21

No livro Mãe, recém-lançado no Brasil, o escritor e jornalista Hugo Gonçalves realiza corajosa exposição autobiográfica

Na primeira década de sua vida, aconteceu com o português Hugo Gonçalves o maior temor de qualquer criança, que é perder a mãe. Como acontece com tantas pessoas, o luto não foi devidamente elaborado na época do trauma, e tornou-se uma poderosa força inconsciente a atormentar seus relacionamentos e lhe causar angústia ao longo da vida. 

Até, prestes a completar 40 anos, o escritor, jornalista e roteirista português resolveu dedicar um livro ao tema, e escrever tornou-se instrumento de autoanálise, de elaboração tardia do luto e de cura. Esse é o processo exposto de maneira honesta e corajosa no livro Mãe, recentemente publicado no Brasil pela Companhia das Letras. A obra foi originalmente lançada em Portugal em 2019 com o título Filho da Mãe. A obra foi finalista dos prêmios PEN Clube e Fernando Namora. 

Em busca do tempo perdido

Em 2016, já consagrado como correspondente de publicações portuguesas em Nova York, Madri e Rio de Janeiro, assim como coautor e roteirista das séries televisivas País Irmão e Até que a Vida nos Separe, da emissora lusitana RTP, Gonçalves recebeu de sua avó materna, dentro de um saco plástico, o testamento de seu avô, com a escritura da casa e outros documentos. O que lhe remeteu à tarde em que, aos nove anos de idade, soube da morte de sua mãe, vítima de um câncer: “Sabes que a tua mãe estava a sofrer, não sabes? Ela agora já não está a sofrer mais”. 

O conteúdo daquele saco plástico desencadeou uma busca interior com destino à infância e ao maior pesadelo que uma criança pode enfrentar, que é a perda da mãe. Obstinado em reconstituir o cheiro, a voz e o afeto da matriarca, o autor lançou-se também em uma jornada geográfica passando por Ilha da Madeira, Algarve, Lisboa, Porto, Rio de Janeiro e Nova York, recolhendo fragmentos como fotos, conversas com o pai, o irmão e a avó e depoimentos de conhecidos, gravações de voz, o corredor do hospital, o colégio de padres, uma cicatriz na perna, tudo com o intuito de compor uma imagem total de sua mãe.

Acerto com o passado

A partir de seu relato pessoal, o autor constitui um panorama universal não só da ausência e do luto, como da inestimável importância da figura materna no decorrer da vida. O autor atinge insights tão profundos que é possível relacionar a perda da mãe a muitos de seus conflitos pessoais na vida adulta. Atinge todos esses objetivos em uma prosa precisa, contida e bela, sem esbarrar no sentimentalismo. É um livro maduro sobre o afeto, as origens, a família e as dores do crescimento, um audacioso acerto de contas com o passado. 

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