Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Quinta-feira 21 Outubro |
São Bertoldo de Parma 
Aleteia logo
home iconEm foco
line break icon

O Instagram e a saúde mental dos adolescentes

PHONE

Shutterstock | Antonio Guillem

Merche Crespo - publicado em 23/09/21

Jornal divulga dados que apontam: o Instagram tem efeitos negativos na saúde mental de jovens e adolescentes

O jornal The Wall Street Journal divulgou uma série de informações, afirmando que o Instagram tem efeitos negativos na saúde mental de adolescentes e jovens, conforme apontam estudos internos da própria empresa detentora da rede social.

Uma afirmação que já podíamos esperar. O que não esperávamos, entretanto, é que os diretores da empresa já soubessem disso há muito tempo, e não tenham feito nada para minimizar os resultados desses estudos.

O que dizem os estudos internos?

Há três anos, o Facebook, dono do Instagram, realiza pesquisas internas sobre os efeitos da rede social Instagram em seus usuários – cerca de 1.220 milhões em todo o mundo. Na verdade, já houve várias apresentações de dados de acompanhamento sob o título: “Deep Immersion Into Adolescent Mental Health“.

E a conclusão é que “o Instagram piora os problemas de imagem corporal em 1 a cada 3 adolescentes” , como apurou o jornal americano. Além disso, de acordo com o estudo, “o Instagram pode mudar a forma como as mulheres se veem e se descrevem”.

E, pelo que dizem os dados a que o jornal teve acesso, um novo estudo de 2020 especificava que, o Instagram faz 32% das jovens mulheres, se sentirem mal com o seu corpo. E elas culpam esta rede social pelo aumento dos casos de ansiedade e depressão.

Desejo de cometer suicídio

Na verdade, o impacto desses dados vai mais longe. A pesquisa interna indica que, entre os adolescentes que relataram ter pensamentos suicidas, 13% dos usuários britânicos e 6% dos americanos atribuíram o desejo de suicídio ao Instagram.

Na verdade, este é um fato preocupante, pois mais de 40% dos usuários do Instagram têm 22 anos ou menos.

Instagram, uma rede mais prejudicial que outras

Além disso, esses estudos internos indicam que alguns desses problemas são específicos do Instagram e não tanto de outras redes sociais.

A razão é porque o Instagram foca muito no corpo e no estilo de vida, se comparado a outros aplicativos como o Tik Tok ou o Snapchat, redes muito comuns também entre jovens e adolescentes.

As características identificadas como mais prejudiciais para os adolescentes são: no Instagram, as pessoas continuamente se comparam com as outras e relacionam seu valor à atratividade pessoal, riqueza e sucesso. Se o jovem não é assim, ele se sente perdido e desvalorizado.

Da mesma forma, o estudo também reconhece que “a tendência de compartilhar nesta rede apenas os melhores momentos, a pressão pela perfeição e o efeito aditivo da plataforma podem levar os adolescentes a uma espiral de transtornos alimentares, obsessão por um corpo saudável ou depressão”.

Falta de autocontrole por parte dos usuários

Além disso, de acordo com a pesquisa interna de março de 2020, divulgada pelo The Wall Street Journal, os algoritmos aplicados a fotos e vídeos compartilhados por usuários possuem conteúdo nocivo diretamente associado a eles. Uma tempestade perfeita para quebrar o equilíbrio emocional dos adolescentes.

Por fim, 25% dos usuários que responderam aos estudos do Instagram reconheceram que “não se sentiam bem o suficiente” ou atraentes e que a sensação começou com o uso desse aplicativo, o que minou sua confiança e relacionamento com os amigos.

Ao mesmo tempo, os adolescentes afirmaram que “queriam dedicar menos tempo ao aplicativo, mas não tinham autocontrole suficiente para isso”.

O que dizem os executivos da empresa?

É surpreendente que internamente a empresa admita que eles são a causa de inúmeros problemas sérios, como descobriram os repórteres do Wall Street Journal.

No entanto, publicamente os diretores da empresa os minimizam. Eles ainda enfatizam os benefícios que o uso das redes sociais pode trazer. Por exemplo, em 25 de março, em uma audiência no Congresso dos Estados Unidos, perante o Comitê de Energia e Comércio, o CEO Mark Zuckerberg disse que “usar aplicativos sociais para se conectar com outras pessoas pode trazer benefícios à saúde mental”. Ele chegou a defender perante a Câmara dos Deputados a criação de um Instagram para menores de 13 anos, diante das críticas iradas dos parlamentares.   

A realidade é que o Facebook se recusa a divulgar esses relatos sobre o uso das redes, o que, segundo o CEO do Instagram, Adam Mosseri, “pode ​​ter um impacto enorme”. Porém, as respostas da empresa são sempre evasivas, alegando que esses dados são de sua propriedade e que os detalhes obtidos em estudos internos são contraditórios.

Declaração do Instagram

Após este vazamento de reportagens e dados negativos, o Instagram emitiu um comunicado no qual afirma que apóia as conclusões da pesquisa e que continuará tentando entender os problemas complexos e difíceis que os jovens enfrentam nas redes sociais.

Em um dos parágrafos, eles dizem o seguinte: “No Instagram, analisamos os benefícios e os riscos do que fazemos. Estamos orgulhosos de que nosso aplicativo pode dar voz àqueles que foram marginalizados, pode ajudar amigos e familiares de todos os cantos do mundo a se manterem conectados, pode gerar mudanças sociais; mas também sabemos que pode ser um lugar onde as pessoas têm experiências negativas. “

Por último, afirmam que continuarão a trabalhar com parceiros externos e pesquisadores para analisar todos os dados e assegurar que estão desenvolvendo novas funções aplicadas à rede.

Tags:
DepressãoFilhosInternetRedes sociais
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
VENEZUELA
Ramón Antonio Pérez
Quando a vida surge do abuso atroz a uma jovem deficiente
2
Pe. Zezinho
Reportagem local
Pe. Zezinho faz alerta sobre orações de cura e libertação
3
COMMUNION
Philip Kosloski
Oração ao seu anjo da guarda antes de receber a comunhão
4
Carlo Acutis
Gelsomino Del Guercio
“Ele fechou os olhos sorrindo”: foi assim que Carlo Acutis morreu
5
Reportagem local
A bela lição que este menino deu a todos ao se aproximar do Papa
6
São José
Francisco Vêneto
Padre irmão de piloto de avião partido em dois: “São José tem mui...
7
Aleteia Brasil
O segredo da cidade bósnia onde jamais houve um divórcio
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia