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Palacete histórico em São Paulo é convertido em centro cultural

SAO PAULO

Shutterstock | Donatas Dabravolskas

Octavio Messias - publicado em 24/09/21

Espaço com três mansões sobrepostas e 37 moradias, Vila Itororó torna-se espaço para shows, exibições de filmes e exposições interativas 

“Um conjunto surrealista que não se prende às regras do utilitarismo nem obedece a regras e estilos determinados, surpreendendo até hoje aos pesquisadores pelo seu ecletismo e singularidade.” Esta é uma possível definição da Vila Itororó, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, em matéria da Folha de S. Paulo publicada em 1978. O conjunto construído na década de 1920 com três mansões sobrepostas que, com os “puxadinhos”, chegou a somar 37 moradias, foi reinaugurado há duas semanas, com o mesmo nome, como um auspicioso centro cultural. O espaço passa a oferecer exibições de filmes, shows de música e exposições interativas, gratuitamente, toda semana, de quinta a domingo. 

Atrações 

Todas as quintas-feiras, às 19h, acontece o Cineclube Éden (homenagem ao Clube Éden Liberdade, que ali costumava funcionar), com programação variada. Às sextas às 20h e aos domingos às 16h acontecem shows ao ar livre, em respeito aos protocolos da pandemia, sendo que hoje (24) apresenta-se a dupla The Blues Experience e, depois de amanhã (26), o projeto Jazz na Kombi. 

A enorme piscina que costumava servir aos banhistas do Clube Éden e que hoje se encontra desativada será usada como palco de projeções multimídia. Ainda há uma biblioteca com acervo voltado para literatura infanto-juvenil e material relacionado a patrimônio cultural, arquitetura e história, incluindo conteúdo sobre a ocupação da Vila Itororó. Para 2022 está prevista a inauguração de um café e a realização semanal de uma feira gastronômica e cultural com comida, bebida, artesanato, livros e artes impressas.    

Ruína histórica 

Construídas entre 1922 e 1929 pelo empreiteiro e comerciante português Francisco de Castro, as três casas foram sobrepostas graças a um conjunto de colunas adquiridas do antigo Theatro São José, que costumava ficar em frente ao Theatro Municipal de São Paulo. Dele também podem ter visto adornos como esculturas gregas e vitrais. A ideia era criar um conjunto habitacional acessível, bem localizado e com algum requinte para famílias de imigrantes que chegavam em São Paulo. Nessa época passava por ali o Riacho Itororó, que dá nome à Vila e costumava ter a água represada para encher a piscina. 

 A degradação do Centro na segunda metade do século passado levou à degradação da Vila Itororó, que foi invadida e transformada em cortiço. A propriedade foi tirada de Castro por credores e doada ao Hospital Beneficente Augusto de Oliveira Camargo. Por décadas ensaiou-se transformá-la em centro cultural, inclusive com projeto de implementação de uma unidade da rede Sesc, o que não foi para a frente. Entre imbróglios legais, só em 2009 foi decretado que a Secretaria do Estado de São Paulo tomaria posse do terreno. Depois de concluída a recolocação de 104 famílias que ali viviam, o projeto de restauro, orçado em R$ 40 milhões, foi iniciado em 2015.

Agora, finalmente, os paulistanos e turistas podem finalmente dispor de um centro cultural histórico, no coração da Bela Vista.

Vila Itororó

Rua Martiniano de Carvalho, 265 – Bela Vista

Tags:
ArteViagem
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