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Bispo teme que conquista dos talibãs motive extremistas iraquianos

Archbishop Bashar Warda

FILIPPO MONTEFORTE | AFP

Reportagem local - publicado em 28/09/21

Há grande preocupação com a atividade de grupos terroristas no Iraque

O arcebispo católico caldeu de Erbil teme que a chegada ao poder no Afeganistão dos talibãs venha a funcionar como um elemento catalisador para a atividade dos extremistas iraquianos. 

Em declarações à Fundação AIS, D. Bashar Warda, reconhece que a atividade dos militantes do Daesh, o grupo jihadista Estado Islâmico, assim como os de outros movimentos extremistas, tem crescido nos últimos tempos no Iraque e que a isso não será alheia a situação que se vive no Afeganistão.

Graves implicações

D. Warda, seguramente um dos mais respeitados Bispos do Médio Oriente, reconhece que os dois países são muito diferentes mas que “a subida ao poder dos talibãs pode ter implicações extremamente graves para o Iraque”, podendo funcionar como “um incentivo àqueles que apoiam este tipo de regime”.

O Bispo mostra-se “preocupado” com a atividade dos grupos terroristas no Iraque, reconhecendo que “eles não saíram totalmente” do país e que continuam dotados de “capacidade de causar danos”. 

Mais do que a existência de células clandestinas do Daesh, o grupo jihadista Estado Islâmico, o Arcebispo de Erbil fala numa “mentalidade” associada a estes terroristas e que “permanece na região”. E isso, diz, “é uma preocupação contínua…” “Penso que a mentalidade do Daesh ainda persiste no Iraque e na Síria entre certos segmentos da população…”

Insegurança

O anúncio, em Julho, pelo Presidente Joe Biden, de que retirará a missão de combate dos Estados Unidos do Iraque até ao final do ano, irá agravar este sentimento de insegurança que já se está a viver e terá um impacto negativo não só entre a comunidade cristã mas também em relação a outras minorias religiosas presentes na região.

Diz D. Bashar Warda que a História recente do seu país ensina que “nos momentos de instabilidade e conflito são as minorias que sofrem primeiro”. Por isso, acrescenta, “qualquer mudança no envolvimento dos EUA no Iraque conduzirá a um aumento da instabilidade e estamos preocupados que [essa situação] irá conduzir a uma perseguição adicional às minorias religiosas”.

Apesar de todos estes sinais, o prelado mostra-se esperançoso no futuro do cristianismo no Iraque, especialmente depois da visita do Santo Padre ao país em Março deste ano.

“Somos um pequeno número [de fiéis], mas estamos firmes e a dar o nosso melhor onde quer que estejamos no Iraque para mostrar que somos uma peça vital no tecido do país.” 

(Com Fundação AIS)

Tags:
ConflitosGuerraTerrorismo
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