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Cresce o investimento em alimentação sustentável

FARM

Valentin Valkov | Shutterstock

Octavio Messias - publicado em 03/10/21

Empresas de tecnologia que reproduzem a carne animal em laboratório são aposta do mercado de investimentos

Na semana passada foi noticiado que o ator Leonardo DiCaprio estava investindo em duas startups que desenvolvem carne a partir de células animais, a Aleph Farms e a Mosa Meat. “Uma das formas mais eficazes de combater a crise climática é transformar nosso sistema de alimentação”, ele disse no comunicado. 

O discurso do ator é condizente com a visão ambientalista, de que a criação de gado gera desmatamento, cerca de 15% das emissões de carbono e, pelo menos no Brasil, consome em torno de 70% água do país. Um relatório da FAIRR Initiative, uma coalização internacional de grandes gestores com 40 trilhões de dólares em ativos, apontou que 30% das emissões de carbono das famílias norte-americanas vêm da alimentação. E, desta percentagem, 75% são com produtos de origem animal. 

Investimento de futuros

As food techs de carne – o que engloba tanto as que produzem carne a partir da célula animal quanto as plant based, que reproduzem o sabor e a textura da carne a partir da proteína vegetal – podem ser uma solução a médio prazo para a crise ambiental. E o mercado começa a se dar conta disso. 

Um levantamento da FAIRR mostra que os investimentos globais nas food techs de carne cresceram 40% neste ano. Os aportes a esse tipo empresa –  passaram de 366 milhões de dólares em todo o ano de 2020, para US$ 506 milhões só no primeiro semestre de 2021. Se essa tendência de crescimento se mantiver até o final do ano, os investimentos terão triplicado. 

Criada em 2011, a startup californiana Eat Just  tem o primeiro laboratório de produção de carne para fins comerciais do mundo. A GOOD Meat, uma divisão da empresa, anunciou neste ano ter ultrapassado US$ 267 milhões em aportes. O ovo de origem vegetal e os nuggets de frango vegano são sucesso em diversos países e em 2021 a companhia conseguiu autorização para entrar no mercado de Cingapura, o que deve multiplicar ainda mais seus investimentos. 

No Brasil, começam a surgir os primeiros hambúrgueres de origem vegetal, feitos de insumos como beterraba ou ervilha. Hoje é possível encontrar nos congeladores de grandes redes de supermercados produtos de food techs nacionais, como Futuro Burger  e Not Burger. Para Maria Lettini, diretora executiva da FAIRR Initiative, “a forma como consumimos precisa mudar. E o papel da carne cultivada não é necessariamente substituir esses alimentos, mas oferecer outra opção, diversificar nossas fontes de proteína”.

Tags:
fomeMeio ambienteSaúde
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