Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Quinta-feira 21 Outubro |
São Bertoldo de Parma 
Aleteia logo
home iconAtualidade
line break icon

“Meus pais foram mortos pelo Talibã”, diz cristão que vive na Itália

Afeganistão

Hoshang Hashimi / AFP

Reportagem local - publicado em 03/10/21 - atualizado em 03/10/21

O regresso dos talibãs ao poder avivou memórias dolorosas, tempos em que a sua família vivia a fé em Cristo na clandestinidade

Ali Ehsani tem 38 anos e é advogado. Há três décadas, assistiu ao assassinato dos pais pelos talibãs. Tinha 8 anos quando fugiu do Afeganistão. Na companhia de um irmão, fez-se ao caminho. Foi uma longa e penosa viagem que só terminou em Itália. O irmão não sobreviveu. O regresso dos talibãs ao poder avivou memórias dolorosas, tempos em que a sua família vivia a fé em Cristo na clandestinidade. Em entrevista ao secretariado espanhol da Fundação AIS, Ehsani contou a sua história.

Fuga

“Foi uma viagem angustiante que nos levou do Afeganistão ao Paquistão, Irão, Turquia e Grécia, até chegarmos a Itália. O meu irmão morreu pelo caminho…” Ali Ehsani tinha oito anos. “Um dia cheguei a casa, vindo da escola, e descobri que os talibãs tinham destruído a nossa casa e matado os meus pais. O meu irmão e eu fomos forçados a fugir do Afeganistão.” Os pais tinham sido denunciados por um vizinho. Denunciados por serem cristãos. A família de Ali vivia a sua fé quase na clandestinidade, no maior dos segredos. 

O Afeganistão é um país maioritariamente muçulmano com uma tolerância muito reduzida para as minorias religiosas, para os não sunitas. Com uma visão muito rigorosa do Islão, as mulheres são obrigadas a usar burka, os homens têm de deixar crescer a barba, num mundo de proibições que torna a vida sufocante para a esmagadora maioria da população. 

Perseguição

Os pais de Ali sabiam disso e nunca falaram abertamente sobre a religião porque receavam que ele, ainda criança, os traísse inadvertidamente. Um dia, os seus amigos perguntaram-lhe por que razão o pai não ia à mesquita para as orações como todos os outros homens, como todos os muçulmanos. “Fui para casa e perguntei-lhe. Ele pediu-me para não dizer a ninguém que éramos cristãos…” Mas o segredo foi descoberto e acabou em tragédia. 

Ali tinha oito anos. O irmão era mais velho. Tinha 16. A viagem até Itália, uma verdadeira odisseia, durou cinco anos. “Foi angustiante”, diz agora, como se fosse possível reduzir tudo a duas palavras. Já passaram muitos anos mas ainda é difícil lembrar a morte do irmão. Tinham apanhado um barco para chegar à Grécia. O mar agitado acabou por ser a sepultura do seu irmão. Ali agarrou-se a uma botija de gasolina que transformou numa boia de salvação. “Se Jesus existe, Ele salvar-me-á de morrer afogado”, foi o que pensou. 

Sobreviveu. Tinha 11 anos quando chegou a Itália com ideias muito concretas sobre o que queria fazer na sua vida: estudar Direito, ser advogado para defender os mais fracos, os que estivessem em dificuldades, os que ficassem órfãos, como ele. E nunca se esqueceu das suas raízes, do seu país. Nunca se esqueceu de tentar ajudar outros que pudessem estar a viver também clandestinamente a sua fé no Afeganistão. 

Liberdade

E descobriu uma família que precisava de ajuda. Uma história incrivelmente parecida com a sua. A televisão ligada via satélite a um domingo a transmitir a Missa foi suficiente para que um vizinho os denunciasse. “O pai foi preso e não mais ouviram falar dele. A família foi forçada a fugir e escondeu-se numa espécie de abrigo, pagando a um guarda para protegê-los. Graças às autoridades Italianas e do Vaticano, conseguimos tirá-los do país. Vivem agora em Itália….” 

Ali Ehsani conta como esses primeiros dias em liberdade foram vividos intensamente por esta família que ajudou a retirar do Afeganistão. “A primeira vez que puderam assistir à Missa, ficaram tão emocionados que só choravam. Foi profundamente comovente…” Um dos elementos da família confessou que depois de tantos anos a viver a fé na clandestinidade, sentia-se como que a renascer. Ali Ehsani sabe bem o que significa essa palavra. Também ele teve de aprender a respirar em liberdade. Ali tinha apenas oito anos quando fugiu do Afeganistão. 

(Com Fundação AIS)

Tags:
GuerraPerseguiçãoTerrorismo
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
VENEZUELA
Ramón Antonio Pérez
Quando a vida surge do abuso atroz a uma jovem deficiente
2
Pe. Zezinho
Reportagem local
Pe. Zezinho faz alerta sobre orações de cura e libertação
3
COMMUNION
Philip Kosloski
Oração ao seu anjo da guarda antes de receber a comunhão
4
Carlo Acutis
Gelsomino Del Guercio
“Ele fechou os olhos sorrindo”: foi assim que Carlo Acutis morreu
5
Reportagem local
A bela lição que este menino deu a todos ao se aproximar do Papa
6
São José
Francisco Vêneto
Padre irmão de piloto de avião partido em dois: “São José tem mui...
7
Aleteia Brasil
O segredo da cidade bósnia onde jamais houve um divórcio
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia