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“Revelações ou A luz fluente da divindade”

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Vanderlei de Lima - publicado em 17/10/21

Os apaixonados pela espiritualidade monástica – de dentro e de fora dos mosteiros – são brindados com este rico tesouro da mística cisterciense feminina do século XIII

“Revelações ou A luz fluente da divindade” – Este é o título, em português, da obra de Matilde (ou Mechitildes) de Magdeburg, mística cisterciense do século XIII, que a Editora Vozes acaba de publicar com 387 páginas.

Nasceu ela entre 1207 e 1210. Bem dotada por natureza, adquiriu vasta cultura. Por ordem de seu confessor, a partir de 1250 – durante 30 anos, portanto – escreveu a obra Lux divinitatis fluens in corda veritatis, que, ao pé da letra, poderia ser traduzida por A luz da Divindade que flui para os [ou nos] corações da verdade, mas apareceu, agora, como A luz fluente da divindade.

Matilde era beguina (mulher que, sem votos religiosos, vivia em comunidade rezando e exercendo a caridade) de Magdeburg. Aí adquiriu grande prestígio, mas não lhe faltaram inimigos por denunciar: os vícios do clero, da Igreja e do Império. Buscando solidão e tranquilidade, retirou-se, já mais velha, para o cenóbio de Helfta. Nesse mosteiro, terminou de escrever sua obra. Faleceu entre 1282 e 1294. 

Ainda que tenha escrito num alemão medieval elevado, sendo uma das primeiras escritoras em língua vernácula, o texto nos foi transmitido em dupla versão: uma latina – com seis livros –, realizada, ao que parece, no convento dominicano de Halle, e a outra, em alemão, que contém sete livros. É a versão alemã que a Editora Vozes entrega ao público. Dela extraímos, a título de estímulo aos leitores, um breve trecho sobre o pecado.

Matilde afirma que pecar não é da natureza humana, mas algo diabólico: “Certas pessoas eruditas dizem que é humano pecar. Em todas as tentações do meu corpo pecaminoso – com todo o sentir do meu coração, com toda a percepção da minha razão e com toda a nobreza de minha alma – nunca consegui chegar a outro reconhecimento senão este: é diabólico pecar. O pecado pode ser grande ou pequeno, mas o diabo sempre está presente. Além disso, o diabólico que acatamos por vontade livre causa-nos um dano maior do que toda a nossa natureza humana. Como humanos, acomete-nos o seguinte: fome, sede, calor, frio, tormento, miséria, tentação, sono, cansaço – Cristo também sofreu isso em seu próprio corpo, Ele que foi um homem igual a nós e por nossa causa. Mas se o pecado pertencesse à existência humana, Cristo necessariamente também teria pecado. Isso porque Ele era um verdadeiro ser humano no corpo, um homem justo na sabedoria, um homem constante na virtude e um homem perfeito no Espírito Santo. Além disso, era um Deus eterno na verdade eterna e não um pecador. Se quisermos nos tornar iguais a Ele devemos viver como Ele viveu ou ser salvos por meio do arrependimento” (p. 190-191). Que profundidade teológica!

Não podemos deixar de observar, no entanto, que o livro não traz Introdução nem explicativas notas de rodapé. Ambos os recursos ou ao menos um deles melhor contextualizaria o leitor da obra que, por ser do século XIII e tratar de temas religiosos diversos, pode tornar-se de árdua compreensão. Notamos ainda que algumas expressões deveriam ser melhoradas em sua tradução: na página 289, em vez de “salubre”, o correto seria salutar; na 364, no lugar de “Cristandade”, poderia ser Cristianismo; na 367, o ideal seria colocar vírgula após cada hora litúrgica; na 92, é muito estranha a qualificação de Nossa Senhora como “deusa”; na 300, troque-se “abençoar-se” por benzer-se; na 327, é mais condizente celeireira do que “administradora”; na 274, troque-se “beata” por bem-aventurada; nas páginas 140, 205, 245, 305, divindade fica melhor que “deidade”; na 2ª aba, escreva-se mosteiro e monjas de Helfta no lugar de “convento” e “freiras” etc. Tais lapsos – que demonstram certa imperícia do tradutor e do revisor em termos específicos do monaquismo – não atrapalham a obra como um todo, mas devem ser corrigidos numa próxima edição.

Como quer que seja, os apaixonados pela espiritualidade monástica – de dentro e de fora dos mosteiros – só têm a parabenizar a Editora Vozes por brindar-nos com este rico tesouro da mística cisterciense feminina do século XIII.

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