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James Bond se tornará finalmente o herói que desejávamos?

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Metro-Goldwyn-Mayer Studios Inc.

Cerith Gardiner - publicado em 19/10/21

'No Time to Die' levanta mais algumas questões sobre o passado do espião

Aviso: este artigo contém spoilers.

No fim de semana passado, finalmente consegui ver o novo filme de James Bond, No Time to Die. Como fervorosa fã do 007, eu estava ansiosa para ver o filme e fiquei absolutamente encantada por ter sido um longa de 2 horas e 45 minutos. Então, com pipoca e os filhos mais velhos a postos, fomos levados para o mundo de aventura, intrigas e espionagem de 007.

Mas, antes de tudo, na minha cabeça estava uma pergunta que me inquieta há tempos: “Será que vamos descobrir mais sobre a religião de James Bond?”.

No penúltimo filme de Bond, Skyfall, os espectadores foram levados para a mansão da família Bond na Escócia, onde, entre os combates e explosões, avistamos o esconderijo de um padre, que foi usado durante a Reforma Protestante por católicos que tentavam praticar sua fé em segredo.

Católico?

Isso levou alguns espectadores a se perguntarem: se a família de Bond era católica, onde fica o próprio espião?

Essa curiosidade foi despertada no filme Spectre, no qual a resposta de 007 a Madeleine Swann sobre o que ele seria se não tivesse se juntado ao serviço secreto foi: “Bem, era isso ou o sacerdócio”.

Claro que isso foi dito bem ao estilo de James Bond, mas não deixa de ser uma escolha interessante de carreira para 007 — muito longe de sua profissão como espião.

Nas cenas iniciais do mais recente blockbuster de Bond, somos levados em uma viagem à cidade costeira italiana de Matera. Enquanto o público envolve-se em uma impressionante perseguição de carros, testemunhamos uma tradição semelhante à “Malhação de Judas”.

Tradição local

De acordo com a tradição local, as pessoas escrevem os nomes daqueles que lhes causaram sofrimento e depois queimam o papel, fazendo assim um fogo simbólico que queima o rancor e permite que a pessoa perdoe.

Quando Bond está em Matera, no intervalo entre escapar da morte várias vezes, ele escreve o nome de seu amor passado, Vespa, que o traíra, e queima o papel. Terá sido esse o início da descoberta de 007, um homem com “licença para matar”, da virtude da misericórdia?

Curiosamente, à medida que o filme progride, vemos menos do misógino Bond e mais de um homem abraçando o amor, com o desejo de proteger aqueles com quem se importa, em vez de apenas salvar o mundo de um ataque terrorista devastador.

Mudança

Essa mudança no personagem 007 não passou despercebida — na verdade, muitos críticos apontaram que ele se afasta muito do personagem inicial de Ian Fleming. Mas talvez isso tenha sido uma reflexão sobre o ator que encarnou James Bond nos últimos cinco filmes — Daniel Craig.

Craig não escondeu seu desconforto em participar de cenas de sexo gratuitas, comuns nos filmes anteriores de Bond. Na verdade, ao longo de seus 15 anos como Bond, o ator britânico construiu seu personagem focando mais em sua missão. As sensuais garotas 007 do passado foram substituídas por mulheres de maior virtude, habilidades e talento.

Despedida

Enquanto estou me segurando para não falar sobre as cenas finais do filme, com Bond esquivando-se de balas, tentando evitar a propagação de um vírus geneticamente modificado e acertando as contas sua paixão, acho interessante notar que este filme seja um adeus de Daniel Craig.

Um 007 que parece um pouco menos impiedoso, que é capaz de amar e se sacrificar, e que consegue até respeitar as mulheres… quem sabe Bond esteja lentamente retornando a suas raízes católicas? Talvez 007 esteja no caminho de se tornar o herói que sempre quisemos que ele fosse – mas com o estilo usual que nunca decepciona.

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