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Qual é a diferença entre pacífico e pacifista?

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Vanderlei de Lima - publicado em 24/10/21 - atualizado em 24/10/21

O pacifismo é uma falácia bem construída para favorecer o mal e desarticular o bem

A resposta à pergunta que dá título a este artigo, é a seguinte: o verdadeiro católico é pacífico – promove a paz como a tranquilidade da ordem (cf. S. Agostinho. De Civitate Dei, 19,13) –, porém jamais se faz adepto do pacifismo, que é uma ideologia, a desejar – sem base alguma – fundar-se na Sagrada Escritura, na Tradição e no Magistério da Igreja (cf. São Paulo VI. Discurso de 1º de janeiro de 1968).

Em Mt 5,38-42, Nosso Senhor comenta a famosa Lei do Talião (do adjetivo latino talis a significar que tal como foi a ação será a reação) e nos convida a superá-la. A nota b da conceituada Bíblia de Jerusalém esclarece, na plena fidelidade à Tradição, que, embora dura, a Lei do Talião foi, no Antigo Testamento, um avanço contra a vingança (cf. Gn 4,23-24 → Êx 21,23-25; Lv 24,17-21; Êx 21,12-14; Dt 19-21) e a ordem de Cristo para suplantá-la é clara, mas não faz dos cristãos um rebanho de simplórios entregues aos maus. Sim, a mesma nota diz “Jesus não proíbe opor-se dignamente aos ataques injustos (cf. Jo 18,22-24), nem, muito menos, combater o mal no mundo”. Daí ser doutrina da Igreja o direito/dever à legítima defesa, inclusive por meio de armas, se necessário (cf. Catecismo da Igreja Católica n. 2263-2266) e a licitude da guerra justa (idem, n. 2309).

Ensinamentos de Cristo

Sim, algumas expressões dos ensinamentos de Nosso Senhor são fortes, contudo foram ditos para reforçar a radicalidade do seguimento a Ele e não podem – nem devem – ser tomados ao pé da letra, como, aliás, nos demonstra o próprio Cristo em Jo 18,22-24. Cristo não só mandou amar os inimigos mas disse: “se alguém esbofetear a sua face direita, oferece-lhe também a esquerda” (Mt 5,39). Isso significa que o cristão será sempre um bobo que não sabe reivindicar os seus direitos ou um fantoche nas mãos dos inimigos?

De modo algum! O Senhor Jesus usou, no contexto oriental, palavras fortes como: arrancar o próprio olho (5,29), amputar a mão direita (5,30), dizer apenas sim ou não (5,36), entregar o manto a quem desejar a túnica (5,40) etc. para conseguir fazer sua mensagem calar fundo na mente dos ouvintes, mas nunca elas foram interpretadas ao pé da letra. Nem pelos ditos pacifistas.

Alerta, a propósito, Dom Estevão Bettencourt, OSB, que “o entendimento literal destas expressões teria feito dos discípulos de Jesus, no início do cristianismo, um rebanho simplório, posto à mercê de todo aventureiro ou explorador; uma tal ‘prática do Evangelho’ só faria promover o mal no mundo, dando ocasião a que ímpios e criminosos acabassem por sufocar a causa do direito, do amor e da verdade. As gerações cristãs, desde o início da nossa era, bem entenderam o sentido metafórico e hiperbólico das citadas frases de Mateus 5-7” (Parábolas e páginas difíceis do Evangelho. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 1985, p. 187).

Pacifismo

Note-se que o renomado filósofo e teólogo beneditino brasileiro reforça a tese (muito real, por sinal) de Santo Agostinho de Hipona († 430), ao escrever: “Todas as coisas verificadas pelos santos no Novo Testamento servem para exemplificar os preceitos que são dados nas Sagradas Escrituras, como quando lemos no Evangelho de São Lucas (Lc 6,29): ‘Recebeste uma bofetada, preparas a outra face’. Nenhum outro exemplo mais excelente de paciência encontramos que o de Nosso Senhor. Mas quando Ele recebeu a bofetada, não falou: aqui tendes a outra face, disse porém, segundo São João (Jo 18,23): ‘Se falei mal, dá testemunho do mal, mas se falei bem, por que me feres?’” (De Mendacio, 15). 

Por tudo isso, o pacifismo é uma falácia bem construída para favorecer o mal e desarticular o bem. Quem o defende na prática poderia (se desejasse ser coerente) retirar as trancas de portas, janelas, portões ou, então, ter uma placa bem visível aos transeuntes: “Aqui, mora um pacifista. Entre! Tenho à sua disposição alguns bens materiais, a minha própria vida, a de minha esposa e filhos. Caros vizinhos, ao verem ou ouvirem algo que, aos seus olhos e ouvidos reacionários, pareça estranho (tiros, gritos, sangue etc.) não avisem a Polícia. Obrigado!”

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