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“São Bernardo de Claraval” – a melhor fonte sobre o santo

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Leemage via AFP

"La vierge apparait a saint Bernard de Clairvaux", de Filippino Lippi (1486), Badia Fiorentina, Italie

Vanderlei de Lima - publicado em 24/10/21

A presente Vida de São Bernardo difere de todas as outras em dois aspectos importantes

O título deste artigo é o da obra de Ailbe J. Luddy publicada pela Cultor de Livros. Tem 756 páginas e pode ser considerada a melhor fonte sobre Bernardo de Claraval (1090-1153), o grande monge cisterciense canonizado pelo Papa Alexandre III, em 1174, e proclamado Doutor da Igreja, em 1830, pelo Papa Pio VIII.

O autor expõe, com detalhes, logo no início, a metodologia que segue em seu livro: “A presente Vida de São Bernardo difere de todas as outras em dois aspectos importantes, dá maior proeminência ao seu ensino e recorre com maior frequência aos seus escritos, nomeadamente cartas. […] Uma biografia baseada largamente na correspondência do visado, na qual lhe é permitido tanto quanto possível falar por si próprio possuirá o vigor e o caráter íntimo de uma autobiografia, livre de artifícios inevitáveis nestas últimas produções. […] As cartas do Santo são, felizmente, numerosas e das mais íntimas que jamais se publicaram; focam quase todos os tópicos importantes da sua atarefada vida, desde o começo em Claraval até à sua agonia de morte, e expõem com clareza os diversos aspectos do seu caráter. Mesmo que se utilize moderadamente esse material, será possível fazê-lo reviver, por assim dizer, e apresentá-lo ao leitor como ele apareceu aos homens da sua geração ‘pleno de graça e de verdade’. Foi esta a nossa intenção. Outros decidirão até que ponto fomos bem sucedidos” (p. 16-17). De nossa parte, dizemos que o autor, além de bem sucedido, prestou grande serviço, pois entregou aos leitores uma obra séria e em linguagem acessível.

Interessa-nos, a título de pequeno exemplo das riquezas trazidas por Luddy, apresentar um breve trecho do livro no qual São Bernardo, analisando a negação de Pedro (cf. Mt 26,69-75), conclui que o Príncipe dos Apóstolos pecou e explica a razão: “O apóstolo amava o seu Mestre e era incapaz de renegá-lo; porém, agora tratava-se de separação ou morte. A primeira condição era-lhe dolorosa; todavia, não tanto como a segunda. E assim, contra a sua vontade e apenas para escapar à morte, renegou o seu Senhor. Possuía, portanto, duas vontades opostas: uma para escapar à morte, que nada tinha de censurável; a outra para permanecer leal ao seu Mestre, digna de todos os encômios. Onde estava, pois, a sua falta? Pecou ao pretender salvar a vida com uma falsidade, e ao preferir a vida do corpo à da alma. Não que odiasse ou desprezasse o seu Mestre, mas amava-se a si próprio excessivamente, e a súbita emoção do medo não gerou, mas somente manifestou aquele amor vicioso. […] Decidido, portanto, a salvar a vida a todo o custo, viu-se compelido a renegar o seu Mestre. Porém, não constituirá isto uma aceitação de que o livre arbítrio pode ser coagido? Sim, mas não por força alguma estranha a si próprio. A violência que o livre arbítrio sofre provém da sua própria determinação livre; é, pois, voluntária e as ações praticadas sob essa influência são, por consequência, livres. Portanto, aquele que foi compelido a negar Cristo por sua própria vontade, fê-lo porque assim queria; ou antes, não foi, de modo algum, compelido, mas acedeu, e a nenhuma outra força além da sua própria vontade, a fim de escapar à morte a todo o custo… […] que o perigo apenas revelava. Visto isso, o apóstolo foi precipitado na sua queda, não por temor da espada, mas por sua livre vontade” (p. 248-249).

Antes o santo doutor registrou o que entendia por livre arbítrio. “Definirei livre arbítrio como a faculdade pela qual a alma possui o domínio dos seus atos, com exclusão de toda a violência e coação. O seu consentimento não pode ser dado ou recusado senão livremente…” (p. 244). E, logo adiante, trata de outra questão teológica clássica: se os méritos são dádivas de Deus, como podem ser méritos? – Bernardo responde: “O que é uma dádiva como fruto da graça livre de Deus, é mérito como fruto da cooperação do homem” (p. 250 – itálicos nossos).

Eis, pois, uma obra de grande e variada utilidade ao Povo de Deus em geral.

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