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Por que ‘O Exorcista’ é um filme católico?

THE EXORCIST

Warner Bros.

David Ives - publicado em 29/10/21

Mesmo aqueles pouco familiarizados com a Igreja e seus ensinamentos reconhecem a inegável visão católica de mundo do filme

“Isso ainda acontece, toda vez que exibimos”, disse Mark Anastasio, do Coolidge Corner Theatre. Ele se refere à tendência de um ou mais membros do público fugirem do auditório durante a exibição do filme O Exorcista. E isso acontece especialmente com católicos. Mas por que é assim? Talvez seja por reconhecerem a inegável visão católica de mundo do filme e as implicações dos eventos narrados no filme. Aqui estão algumas ideias incorporadas no roteiro que mostram que O Exorcista é de fato um filme muito católico.

O demônio é real

Após seu lançamento, O Exorcista não foi elogiado como uma obra-prima da maneira que geralmente é nos dias de hoje. Em seu artigo contundente no New York Times, o crítico Vincent Canby disse que o filme tratava do tema da possessão diabólica usando um estilo de cineastas amadores acostumados a contar histórias de santos.

O que parece ter incomodado o crítico é que os cineastas de fato usaram todo o seu ofício para persuadir os espectadores a levar a sério a ideia de que Satanás não pode ser reduzido a uma mera superstição. Ou seja, o demônio deve ser reconhecido como um ser verdadeiro, que se opôe a Deus e à humanidade.

O físico e o espiritual estão conectados

A renomada crítica Pauline Kael, da revista New Yorker, não se importou tanto com a questão da existência de Satanás, mas criticou duramente o filme por aquilo que ela considerou uma maneira grotesca de retratar uma suposta possessão demoníaca de uma jovem.

No entanto, é difícil aceitar a crítica de Pauline Kael, tendo em vista que ela mesma elogiou outros filmes igualmente “pesados”. Por exemplo, ela disse uma vez que The Wild Bunch, um dos filmes mais sangrentos de sua época, era um “poema traumático de violência, com imagens tão ambivalentes quanto as de Goya”.

Então, o que tornava O Exorcista diferente? Em seu livro Catholics in the Movies, a historiadora Colleen McDannell propõe que “o foco corporal de O Exorcista deixou os críticos desconfortáveis, não por causa de sua violência ou sexualidade, mas pela maneira como o filme retrata a conexão entre corpo e espírito”.

A Igreja reconhece a pessoa humana como uma unidade de alma espiritual e corpo material, com o corpo servindo como nosso meio comum de percepção do material e espiritual. Por causa disso, qualquer ataque à santidade do corpo humano também pode ter ramificações espirituais negativas. Essa ideia incomoda muitas pessoas. E O Exorcista vai fundo nesse ponto.

A possibilidade de redenção através do sofrimento

Se você aceitar a conexão entre corpo e espírito como se vê em O Exorcista, então as cenas mais horríveis da possessão demoníaca de Regan, de 12 anos, não são mero teatro.

Escrevendo sobre Flannery O’Connor para o The Guardian, Heather McRobie afirmou: “Longe de ser sem sentido, a violência frequentemente presente na obra de O’Connor — um personagem morre aparentemente sem sentido em quase todos os seus contos — indica que, para a escritora, a violência era uma maneira de preparar os personagens para seu momento ‘epifânico’, aquele ponto de proximidade com a morte em que a essência de um personagem é revelada.”

Os horrores mostrados em O Exorcista funcionam da mesma maneira, embora em um nível mais visceral do que as obras de O’Connor. Uma das principais histórias do filme é ação redentora do padre Karras, que no início do filme perdera a fé após a morte excruciante de sua mãe. Através da experiência dos terríveis sofrimentos físicos de Regan e dos constantes ataques espirituais que o diabo desencadeia sobre o próprio sacerdote, Karras finalmente persevera, recuperando sua fé bem a tempo de escolher o auto-sacrifício para salvar a alma de outro.

Se O Exorcista mostra algo, é a aceitação católica de que o caminho para a redenção às vezes pode ser permeado de sofrimento, uma noção bastante ofensiva à mentalidade moderna de maximização do conforto.

O mundo precisa do que a Igreja oferece

Nem todas as críticas de O Exorcista vieram de escritores seculares. Mesmo aqueles que aceitam a noção do filme de que Satanás é real e pode causar sofrimento através de ataques corporais e espirituais ainda apontam algumas falhas no filme.

Uma crítica comum envolve o personagem do padre Karras. Trata-se da cena em que ele convida o demônio a sair do corpo de Regan e entrar no seu próprio, momento que culmina com ele pulando da janela. Embora a cena dramatize a jornada espiritual de Karras, certamente não é como a Igreja treina seus exorcistas. Mas isso acontece no filme, o que levou alguns críticos cristãos a dizerem que o diabo vence no final.

Talvez esses críticos estivessem certos se fosse esse de fato o fim da história. No entanto, há uma cena silenciosa após a atitude extrema de Karras, na qual um colega padre se ajoelha ao lado do moribundo Karras, pega sua mão e pede que ele aperte caso busque absolvição. E com aquele leve aperto de mão, Satanás é derrotado. Talvez esta seja a última mensagem católica de O Exorcista. Seja através do grande gesto de um exorcismo ou do dom silencioso do perdão, o mundo precisa do que a Igreja tem a oferecer.

Tags:
CinemaCulturaDemônio
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