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Vítimas do ódio à fé: 3 mártires recentes rumo aos altares

mártires do ódio à fé

Diócesis de Córdoba | Mártires Claretianos | Benedict Kiely via Twitter

Francisco Vêneto - publicado em 01/11/21

O adolescente morto por não jogar fora o escapulário; o seminarista que os milicianos comunistas tentaram violentar; e o padre assassinado pelo Estado Islâmico por não fechar a igreja

Fala-se muito em crimes de ódio na atualidade, mas pouco se reconhecem os muitos e sangrentos casos de ódio à fé que levam fiéis ao martírio simplesmente por acreditarem em Deus e viverem conforme os princípios da religião cristã.

Neste dia de Todos os Santos, recordamos três mártires recentes, vítima do ódio à fé, que estão a caminho dos altares.

Beato Francisco García León, o jovem de 15 anos martirizado porque não jogou o escapulário fora

Francisco García León
Francisco García León

Durante a Guerra Civil Espanhola (1936 a 1939), a facção militante marxista promoveu uma das mais sangrentas perseguições anticatólicas da história recente da humanidade: os crimes de ódio à fé abundaram naquele sombrio período para a Espanha e para o mundo todo. Foram os membros daquela facção, de fato, que assassinaram selvagemente um jovem chamado Francisco: segundo a diocese de Córdoba, o rapaz de 15 anos alimentava “especial piedade” e se destacava pela “disponibilidade para colaborar com a Igreja e praticar a caridade com os idosos e os mais necessitados”.

Quando a guerra civil explodiu em 1936, ele foi “um dos poucos jovens da cidade” a continuar frequentando a Missa diária e recebendo a Comunhão. A família fazia o mesmo. Em 20 de julho daquele ano, militantes comunistas chegaram à casa dos García para prender o pai. Pouco depois, voltaram para levar também o tio. Foi quando notaram o escapulário de Nossa Senhora do Carmo que Francisco usava. Os rebeldes ameaçaram prender o jovem se ele não jogasse fora o escapulário. Francisco afirmou que preferia ser preso. E foi.

Dois dias depois, outro bando de milicianos comunistas invadiu a prisão com machados e armas de fogo e assassinou covardemente todos os detidos. Foi a culminação do testemunho de Francisco García, o jovem de 15 anos martirizado por ódio à fé – mais especificamente, por não ter querido jogar fora o seu escapulário.

No último 16 de outubro de 2021, na diocese espanhola de Córdoba, ele foi o “caçula” dentre os 127 mártires da Guerra Civil beatificados pela Igreja.


Beato Fernando Saperas, o mártir da castidade: milicianos comunistas tentaram até violentá-lo, mas ele morreu fiel

Fernando Saperas mártir da castidade

Outra vítima do ódio à fé durante a mesma Guerra Civil Espanhola foi o seminarista Fernando Saperas, conhecido como o Mártir da Castidade: ele é um dos 109 missionários claretianos beatificados pelo cardeal Angelo Amato na basílica da Sagrada Família de Barcelona em 21 de outubro de 2017.

O jovem nasceu em Tarragona, Espanha, em 8 de setembro de 1905, pleno dia da Natividade de Nossa Senhora. Aos 7 anos já ficou órfão de pai e, para ajudar a mãe, precisou trabalhar cedo como camponês, camareiro, comerciante… Em 1925 foi prestar serviço militar e, surpreendentemente, descobriu no exército a vocação religiosa. Eram frequentes as suas visitas ao santuário do Coração de Maria, dos missionários claretianos, perto do quartel de Santiago. Quando terminou de servir ao exército, Fernando já tinha decidido entrar na vida religiosa. A mãe foi veementemente contra. No entanto, o rapaz ingressou mesmo assim ao noviciado em 1928. Passados dois anos, em 15 de agosto de 1930, dia da Assunção de Nossa Senhora, Fernando emitiu os votos religiosos e sua mãe participou da cerimônia.

Foram cinco anos relativamente tranquilos até explodir a sangrenta Guerra Civil Espanhola, um dos conflitos mais aberrantes e selvagens do século XX em todo o planeta. Aos católicos coube escolher naquele contexto entre os republicanos anarquistas e marxistas, perseguidores da fé, e Francisco Franco, de ideais ligados ao fascismo e que viria a se tornar ditador da Espanha durante as seguintes décadas. Um dilema profundamente ingrato, já que nenhuma opção era adequada.

Em julho de 1936, Fernando teve de fugir duas vezes da casa onde morava para não ser preso. Precisou trabalhar numa taberna, com a máxima discrição possível, mas, quando os frequentadores soltavam blasfêmias, o religioso os repreendia. E ouvia em troca: “Cuidado que podem te matar!”. Ele respondia: “Se me matarem, louvado seja Deus! Aqueles que nos perseguem são uns coitados pelos quais só consigo rezar. Para mim custa pouco perdoá-los”.

O perigo de ser denunciado, preso e torturado pelo comitê revolucionário o obrigou a nova fuga, desta vez para o povoado de Montpalau. E era um perigo sério, pois os revolucionários socialistas perpetravam verdadeiras barbaridades contra padres, freiras e religiosos.

Apesar da fuga, porém, Fernando acabou sendo capturado pelos milicianos marxistas. Os milicianos o submeteram a uma infinidade de provocações de caráter sexual. O religioso resistiu a todas, a ponto de ter sido assassinado sem romper seu voto de castidade. Em uma das sessões de interrogatório, assédio e tortura, dois milicianos o prenderam pelos braços e o despiram à força. Outro deles tirou a própria roupa e tentou violentá-lo. “Me matem se quiserem, me matem, mas não façam isso!”, clamava o religioso, cuja resistência e grande força física levou os milicianos a desistirem do crime abominável.

Mas não desistiram de forçá-lo a todo custo a romper seu voto de castidade: “Vamos levar você para um prostíbulo. Se você tiver relações sexuais com uma mulher na nossa frente, não vamos matá-lo”. Uma testemunha, também refém dos mesmos milicianos, relatou que os captores o levaram de prostíbulo em prostíbulo e tentaram todos os meios imagináveis para derrubar a fortaleza da fidelidade de Fernando à sua consagração, de frases obscenas a incitações violentas. A cada provocação, o irmão respondia: “Sou virgem e virgem morrerei”. As barbaridades a que os milicianos submeteram Fernando foram tamanhas que as próprias prostitutas os enfrentaram para defendê-lo.

Sem conseguirem seu propósito soez, os membros do comitê revolucionário da localidade de Cervera, para onde Fernando tinha sido levado, conduziram o religioso até o cemitério e o colocaram contra o muro para fuzilá-lo. Fernando fez ali apenas uma prece: “Perdoai-os, Senhor, porque não sabem o que fazem. Eu os perdoo. Eu perdoo vocês”. “E você nos perdoa de quê? Apontar!”, gritou um dos chefes milicianos. “Viva Cristo Rei! Viva a religião!”, clamou Fernando. Os tiros cravejaram o seu corpo com o cuidado de não acertar a cabeça, para que a sua agonia se prolongasse o máximo possível.

Enquanto o sangue jorrava do seu corpo fuzilado aos borbotões, ele balbuciava: “Mãe! Mãe!”. Era 13 de agosto de 1936. Fernando Saperas morreu martirizado e virgem, invocando a Santíssima Virgem Maria.


Pe. Ragheed Ganni, sacerdote martirizado pelo Estado Islâmico no Iraque

Foi aberta em 2018 a causa de beatificação do pe. Ragheed Ganni, assassinado pelo Estado Islâmico no Iraque. O processo diocesano foi concluído em agosto de 2019 com o reconhecimento oficial do seu martírio por ódio à fé, ocorrido em 3 de junho de 2007.

“Já mandei fechar a igreja!”, gritou o jihadista, jogando o padre no chão. Ele respondeu: “Mas como vou fechar a casa de Deus?”. E foi morto em nome da fé.

O pe. Ragheed Ganni já tinha recebido várias ameaças de morte, mas, apesar do temor natural, nunca abandonou a sua missão junto ao rebanho de fiéis que tinha sido confiado a ele no Iraque. Dias antes do seu martírio, ele tinha escrito a um amigo: “Todos os dias esperamos o ataque decisivo, mas não deixaremos de celebrar a Missa”. Foi da vivência eucarística intensa, aliás, que ele conseguiu a fortaleza para resistir, firme na fé, até entregar a vida. No Congresso Eucarístico italiano de 2005, ele tinha afirmado: “Algumas vezes eu mesmo me sinto frágil e cheio de medo. Quando tenho a Eucaristia nas mãos e digo ‘Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’, sinto em mim a Sua força: eu tenho nas mãos a Eucaristia, mas na realidade é Ele quem tem a mim e a todos nós; é Ele quem desafia os terroristas e nos mantém unidos no Seu Amor sem fim”.

Terroristas muçulmanos o intimidavam com brutalidade para fechar a paróquia. Mas o padre se negava sempre. A hora da grande provação acabou chegando quando o pe. Ragheed ia saindo da igreja depois de celebrar a Eucaristia dominical. Estava acompanhado por três subdiáconos: Basman Yousef, Gassam Isam Bidawed e Wahid Hanna Isho. Foi quando um bando de homens armados apareceu.

A mulher do subdiácono Gassam Isam Bidawed estava presente. É dela o testemunho ocular do que aconteceu em seguida: “Um dos assassinos gritava para o padre Ragheed: ‘Já mandei fechar a igreja! Por que você não fechou? Por que você ainda está lá?’. Ele respondeu com simplicidade: ‘Mas como é que eu posso fechar a casa de Deus?’. Eles o jogaram no chão. O padre Ragheed só teve tempo de me fazer um sinal com a cabeça para que eu escapasse. Eles abriram fogo e mataram os quatro”.

Depois de assassiná-los, os terroristas ainda colocaram explosivos sobre os seus corpos. Apesar de toda a covardia das ameaças, mais de duas mil pessoas fizeram questão de participar do funeral. O sacerdote e os três subdiáconos foram declarados mártires pela Igreja católica caldeia. Outro sacerdote, o pe. Rebwar Basa, que foi aluno do pe. Ragheed em Teologia Ecumênica na Universidade de Bagdá, sintetizou: “Ele foi um autêntico mártir da Eucaristia”.

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