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Autores de um livro contra o Papa Francisco se dizem traídos

I. Media - publicado em 03/11/21 - atualizado em 03/11/21

Entre eles está o cardeal Robert Sarah, prefeito Emérito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos

Um controverso livro sobre liturgia, publicado nos Estados Unidos com o objetivo de criticar o Papa Francisco, foi editado sem que os autores tenham sido informados sobre o conteúdo real do projeto editorial, segundo I.MEDIA apurou com várias fontes. Os envolvidos afirmam estar se sentido traídos pelo editor.

Em particular, o prefeito emérito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, cardeal Robert Sarah, e o jornalista Christophe Geffroy, confirmaram que não foram informados da presença no mesmo livro de um texto do arcebispo Carlo Maria Viganò, um reconhecido opositor do Papa Francisco.

E depois da publicação da obra, eles descobriram que, entre alguns autores de artigos do livro, aparecem nomes de pessoas que se opõem abertamente ao Magistério dos papas e ao Concílio Vaticano II em assuntos litúrgicos.

O volume, editado pelo escritor Peter A. Kwasniewski, tem o título “From Benedict’s Peace to Francis’s War: Catholics Respond to the Motu Proprio «Traditionis Custodes» on the Latin Mass“.

O livro reúne 70 textos de 45 autores e almeja ser uma compilação de reações à recente carta apostólica “Traditionis Custodes”, do Papa Francisco, publicada em 16 de julho de 2021.

Em sua carta apostólica, o bispo de Roma retira as amplas permissões concedidas pelo Papa Bento XVI com outra carta apostólica, “Summorum Pontificum”, de 7 de julho de 2007, para a celebração da missa de acordo com o Missal Romano anterior ao Concílio Vaticano II.

O livro consiste em uma ampla gama de contribuições, principalmente extraídas de artigos de jornais e blogs, incluindo textos dos cardeais Robert Sarah, Gerhard Ludwig Müller, Raymond Burke, Walter Brandmüller e Joseph Zen.

Há também textos muito controversos, incluindo um artigo do ex-núncio apostólico nos Estados Unidos, arcebispo Carlo Maria Viganò, um dos críticos mais ferrenhos do Papa Francisco. O arcebispo Vinganò chegou inclusive a defender a renúncia do Papa.

Cardeal Sarah: “muito triste”

Uma fonte muito próxima ao cardeal Robert Sarah disse a I.MEDIA que ele se sentiu enganado e traído.

De fato, o cardeal limitou-se a dar consentimento a que uma entrevista sua ao jornal francês Le Figaro, de 13 de agosto de 2021, fosse traduzida para o inglês para a obra. Esse texto era dedicado apenas parcialmente à liturgia.

O cardeal Sarah, de acordo com essa fonte, “não queria e nem quer qualquer tipo de controvérsia”.

“Se tivesse visto o nome de Viganò, ele teria se recusado imediatamente”, disse a fonte. O cardeal africano teria se oposto à vinculação de seu nome no livro se soubesse do tom belicoso da obra. Por esse motivo, o cardeal se sentiu “muito triste”.

O cardeal, de acordo com a fonte, autorizou a publicação de sua entrevista sem imaginar que suas palavras seriam “manipuladas” por um “grupo politizado” com o qual ele se declara em “total desacordo”.

A fonte afirmou ainda que o cardeal Sarah já teve problemas com o grupo em torno do arcebispo Carlo Maria Viganò.

“É provável que os outros cardeais também tenham sido enganados”, diz ele.

Razão ao Papa Francisco

O jornalista francês Christophe Geffroy, diretor da revista mensal católica La Nef, cujos artigos aparecem no livro, explicou a I.MEDIA que também soube da participação do arcebispo Viganò no livro apenas ao receber a primeira cópia do volume já em circulação.

“Eles pediram a minha autorização para incluir no livro vários artigos meus sobre o motu proprio ‘Traditionis custodes’, mas nunca pensei que estaria em meio a esses nomes. Eu não fui informado”, disse.

Ele lamenta a presença no livro de vários textos “que colocam seus autores em oposição ao Magistério da Igreja” e que, em particular, rejeitam o Concílio Vaticano II.

Esses escritos – afirma Geffroy – “dão razão ao Papa Francisco quando ele qualifica os círculos tradicionalistas como opositores ao Concílio Vaticano II e à reforma litúrgica introduzida por Paulo VI”.

Sem resposta do editor

Contatado por I.MEDIA, o editor do livro, Peter A. Kwasniewski, não respondeu às nossas mensagens. Esse teólogo, especialista em liturgia e compositor de música sacra, colabora regularmente com vários sites católicos conservadores nos Estados Unidos.

Camille Dalmas – I.Media

Tags:
DoutrinaLivrosPapa Francisco
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