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Papa agradece a jornalistas por exporem abusos sexuais na Igreja

Papa Francisco

Antoine Mekary | ALETEIA | I.Media

Francisco Vêneto - publicado em 16/11/21

Francisco ressaltou a missão do jornalismo de informar o público sobre os fatos reais e "tornar o mundo menos obscuro"

O Papa Francisco agradeceu aos jornalistas por exporem os abusos sexuais na Igreja Católica apesar das estruturas eclesiais que, indevidamente, tentaram acobertar os clérigos que perpetraram tais crimes.

Francisco ressaltou a missão do jornalismo de informar o público sobre os fatos reais e “tornar o mundo menos obscuro”:

“A missão do jornalista é explicar o mundo, torná-lo menos obscuro, fazer com que as pessoas tenham menos medo e possam olhar para os outros com maior consciência, e também com mais confiança. É uma missão difícil”.

O Papa também encorajou os repórteres a saírem das redações para averiguar o que acontece na sociedade. Em particular, ele reforçou esta necessidade no tocante à urgência de combater a desinformação propagada por meio da internet. Francisco ainda enfatizou que, dentro desta missão, um tema de particular relevância para a Igreja é a revelação dos casos de abusos sexuais:

“Agradeço a vocês pelo que nos dizem sobre o que está errado na Igreja, por nos ajudarem a não esconder isso embaixo do tapete, e pela voz que vocês deram às vítimas de abusos”.

Durante uma cerimônia oficial no último sábado, 13 de novembro, o Papa homenageou em especial dois veteranos correspondentes de imprensa junto à Santa Sé: Philip Pullella, da agência Reuters, e Valentina Alazraki Crastich, da rede mexicana Televisa. Eles receberam, respectivamete, as insígnias de Cavaleiro e Dama da Grã-Cruz da Ordem Pia.

Abusos sexuais na Igreja

Valentina Alazraki, a propósito, desempenhou um extenso trabalho de divulgação de um caso que chocou o seu México natal e toda a Igreja Católica há pouco mais de dez anos: a revelação da vida dupla e do longo e gravíssimo histórico de abusos sexuais e de poder cometidos pelo pe. Marcial Maciel, fundador da congregação religiosa dos Legionários de Cristo.

Passado pouco mais de um ano da sua morte, ocorrida em 2008 aos 87 anos de idade, uma edição do jornal norte-americano New York Times afirmou em fevereiro de 2009 que o fundador tinha tido “pelo menos” uma filha. Posteriormente, o jornal francês Le Monde revelou a existência de outros filhos do sacerdote. Diversos veículos de imprensa passaram então a publicar outras graves denúncias contra o padre, entre as quais a de ter cometido plágios de obras de espiritualidade, ter sido viciado em drogas e ter cometido abusos sexuais contra noviços da própria congregação que havia fundado.

O Papa Bento XVI se referiu publicamente a Marcial Maciel como “falso profeta”. Valentina Alazraki declarou que Bento XVI contribuiu fortemente em favor das investigações. Ela sustentou também que o Papa São João Paulo II desconhecia a verdade sobre Maciel.

As denúncias de abusos sexuais por parte de clérigos ganharam repercussão planetária principalmente a partir de 2002, quando o jornal The Boston Globe, dos Estados Unidos, publicou uma vasta série de reportagens sobre o assunto, desmascarando uma doentia cultura de acobertamento desses crimes. O trabalho do jornal norte-americano inspirou o premiado longa-metragem “Spotlight” (2015), ganhador do Oscar de melhor filme na edição de 2016.

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