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Santo Agostinho e Santa Bakhita: o que eles têm em comum?

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Public Domain

Hozana - publicado em 19/11/21

Algo que pode ser uma surpresa para muitas pessoas, é que esses dois santos eram africanos e negros. Sim! Santo Agostinho foi um homem negro! 

No Dia 1º de novembro a Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos. Trata-se de uma festa muito antiga, iniciada no século IV para comemorar os fiéis mártires. Conforme pesquisa realizada pelo Vatican News, há indícios de que essa celebração ocorreu em Antioquia, no primeiro domingo após o Pentecostes. Depois, a festa toma maiores proporções e começa a ser vivenciada também na Europa e em Roma. Esta data foi instituída pelo Papa Gregório III (731-741) para coincidir “com a consagração de uma capela, na Basílica de São Pedro, dedicada às relíquias dos santos Apóstolos e de todos os Santos mártires e confessores, e a todos os justos, que descansam em paz no mundo”. 

Inúmeras foram as pessoas que, acolhendo os ensinamentos de Cristo e buscando assemelhar-se a Ele na prática do bem, vivendo a radicalidade as bem-aventuranças, tornaram-se santos e santas. Sendo canonizados ou não, conhecidos ou não, todos (as) são recordados (as) pela igreja nessa festa litúrgica. Nas palavras do Papa Francisco, “a Solenidade de Todos os Santos, recorda-nos a vocação pessoal e universal à santidade, propondo-nos os modelos certos para esse caminho, que cada um percorre de modo único e irrepetível”. Todos somos chamados a santidade! Todos os filhos e filhas de Deus!

No decorrer da história da igreja, popularizou-se a devoção de alguns santos e santas, que se tornaram mais conhecidos, como o tão venerado São Francisco, Santo Antônio, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Padre Pio, São Benedito, Santa Rita de Cássia, São Bento, Santo Agostinho, Santa Bakhita, dentre outros.

Santo Agostinho e Santa Bakhita

Além de todo amor dedicado a Nosso Senhor Jesus Cristo, após se deixarem tocar por Sua graça, outras características em comum entre alguns santos e santas podem nos passar desapercebidas, ou porque não são citadas, ou porque realmente não nos atentamos para elas. E foi a partir de reflexões sobre essas duas possibilidades, que surgiu a questão: Santo Agostinho e Santa Bakhita: o que estes santos têm em comum?

Algo que pode ser uma surpresa para muitas pessoas, é que esses dois santos eram africanos e negros. Sim! Santo Agostinho foi um homem negro! 

Essa informação é uma novidade para você? É bastante comum a surpresa dessa descoberta para muitas pessoas. Afinal de contas, é raridade encontrarmos imagens que representem Santo Agostinho com as características do homem negro que ele realmente foi, não é mesmo?

Por que alguns santos como ele, que foram negros, normalmente são representados nas imagens com traços europeus? Quantos santos negros existem na igreja? Quais você conhece? Você já ouviu falar em São Martinho de Lima?

Alguma vez você já parou para refletir sobre essas questões?

Consciência negra

No mesmo mês em que a igreja celebra todos os santos, concidentemente no Brasil, no dia 20 de novembro, é celebrado o Dia da Consciência Negra, data que foi oficialmente instituída, após sancionada a Lei 12.519 de 10 de novembro de 2011. 

A data dessa celebração, faz referência ao dia do falecimento de um grande líder negro, Zumbi do Palmares. Conforme informações da Fundação Cultural Palmares, Zumbi foi capturado quando tinha apenas sete anos de idade e entregue a um padre. Recebeu o sacramento do batismo, aprendeu a língua portuguesa e sobre a religião católica. Aos 15 anos, volta a viver no Quilombo dos Palmares. Sua missão, foi lutar, até o dia de sua morte, pela liberdade de seus irmãos negros também escravizados, tornando-se um símbolo da resistência negra.

Segundo apontamentos da Pastoral Afro-brasileira, o projeto colonial baseado na economia escravagista hegemônica, durou por três séculos. A Igreja, por não ter conseguindo encontrar um outro caminho de ruptura com esse projeto, acabou compactuando com ele de muitas formas. Atualmente, um dos reflexos da adesão da Igreja à escravidão, naquele período, está demonstrado “pelas poucas vocações sacerdotais e religiosas da cultura afro-brasileira. Há uma causa histórica para esta dificuldade. Não há como negar certo estranhamento entre os afro-brasileiros e a Igreja, mesmo que os negros tenham sido os primeiros batizados do continente latino-americano e do Brasil”. (Sugiro que você relembre as questões levantadas no texto, no decorrer da sua leitura).

Caminhos de reparação

Com a chegada do mês de novembro e aproximação dessa importante celebração no Brasil, somos todos convidados, especialmente nós cristãos-católicos, a refletir sobre a cruel e desumana história da escravidão que, após um longo período de colonização europeia, deixou uma pesada herança para a população negra, como: o racismo, discriminação, desigualdades e exclusão social.

Algumas lideranças da igreja, tem se posicionado a esse respeito, na busca por caminhos de reparação e superação dessa realidade. O bispo de Maringá (PR) Dom Severino Clasen, na celebração do Dia da Consciência Negra no ano de 2020, através do site da CNBB, refletiu sobre a questão racial no País:

“É preciso olhar para a vida de tantas pessoas que foram escravizadas, que foram arrancadas das suas terras, da sua cultura, da sua nação, de suas famílias, da sua religião e aqui vieram sem receber troco nenhum para servir aos senhores. Hoje, ainda nós estamos devendo de apurar, de crescer nesta consciência da dignidade da valorização de todas as raças, de todas as culturas, é ali que o evangelho entra”.

Conforme informações do Vatican News, por ocasião do Dia Internacional para eliminação da discriminação racial, o Papa Francisco escreveu em seu perfil no twitter:

“O racismo é um vírus que se transforma facilmente e, em vez de desaparecer, se esconde, mas está sempre à espreita. As manifestações de racismo renovam em nós a vergonha, demonstrando que os progressos da sociedade não estão assegurados de uma vez por todas”.

Após o assassinado de George Floyd, afro-americano de 40 anos, esposo e pai, que foi brutalmente estrangulado por um policial branco nos Estados Unidos no dia 25 de maio de 2020, o Pontífice se posicionou enfaticamente na Audiência Geral, do dia 03 de junho de 2020, ao dizer que não deve haver nenhuma tolerância ao racismo. Rogou pela alma de George Floyd e por todos aqueles que perderam a vida por causa do pecado do racismo.

“Queridos amigos, não podemos tolerar nem fechar os olhos para qualquer tipo de racismo ou de exclusão e pretender defender a sacralidade de cada vida humana.” 

Rezar pelas vítimas da escravidão

Todos nós católicos somos chamados, através do diálogo, da fé e da oração em “comum unidade” de filhos amados e irmãos em Cristo, a buscar reparar os erros do passado e rezar por todas as vítimas da escravidão e do racismo estrutural desses tempos. 

Inspirados pelas palavras do Papa Francisco, convidamos você, a participar da novena organizada pela rede social de oração Hozana, em parceria com o movimento SINclua, com o tema: “Nove dias, com nove santos: um caminho de (des) construção”. Junto com nove santos negros da igreja, iremos buscar conhecer suas histórias, perceber o amor e presença de Deus em suas vidas e aprender com eles, sobre a beleza das diferenças na diversidade da criação de Deus. Buscaremos ainda, em oração, reconhecer os preconceitos raciais enraizados em nós e pediremos a ajuda do Espírito Santo para que, a transformação do nosso interior aconteça constantemente nesse processo necessário de caminhada do nosso “eu” em (des)construção e para que também alcance toda a igreja. Clique aqui para participar.

Renata Cardoso Barreto, idealizadora do SINclua, pelo Hozana.

Tags:
ÁfricaHistóriaSantos
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