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Adotar uma criança é um ato de amor 

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Shutterstock / Syda Productions-AI

Octavio Messias - publicado em 21/11/21

"Um caminho para realizar a maternidade e a paternidade de uma forma muito generosa", define Papa Francisco

Tenho um amigo que é casado há sete anos e continua completamente apaixonado pela esposa. Dá gosto de ver, eles estão sempre juntos, dão muitas risadas um com o outro e me parecem o casal ideal. Mas nem tudo são louros e há anos o casal enfrenta dificuldades para engravidar do primeiro filho, como é comum entre muitos dos meus amigos no final da casa dos 30 anos, começo dos 40. Nesse ínterim, chegaram a gastar muito dinheiro em tratamentos que não tiveram resultado.

Os exames, no entanto, revelam que o principal problema é com ele, que apresenta uma contagem baixa de espermatozóides. E, por isso, o meu amigo vive angustiado, com medo de que a mulher que tanto ama, e que está no final de sua vida fértil, o abandone para poder ter um filho com outra pessoa – o que, conhecendo sua esposa, me parece pouco provável, já que ela também demonstra amá-lo profundamente. Mas o medo é um sentimento irracional e a incapacidade de gerar filhos pode ser uma das maiores frustrações da vida adulta. 

Exemplo de José

Dia desses, quando tomávamos um café e ele desabafava sobre mais um tratamento que não funcionou, tive coragem de sugerir a ele uma alternativa que há tempos passava pela minha cabeça: “Por que vocês não adotam?”. Ele disse que já tinham pensado nisso, mas que sua esposa tem um antigo desejo de gestar uma criança, o que me parece um argumento legítimo, porém não definitivo.

Reproduzir é um dos instintos humanos mais básicos, mas não é o único. Também temos os instintos de proteger, cuidar, amar. E eles não se restringem a filhos biológicos. Deus sacramentou o ato da adoção ao escolher o carpinteiro José para ser pai de Jesus. Não fosse a adoção, o menino Jesus teria crescido sem o exemplo e o amor de um pai. E José teria se privado da glória de criar o Messias. 

Mediação do amor de Deus

“A adoção é um caminho para realizar a maternidade e a paternidade de uma forma muito generosa”, escreveu Papa Francisco na Exortação Apostólica Amoris Laetitia, sobre o Amor na Família. “Os que assumem o desafio de adotar e acolhem uma pessoa de maneira incondicional e gratuita, tornam-se mediação do amor de Deus que diz: ‘Ainda que a tua mãe chegasse a esquecer-te, Eu nunca te esqueceria’ [Isaías 45:15].” 

Além disso, adotar uma criança é dar a um ser humano que já existe a oportunidade de ele se livrar de um destino de pobreza, carência, traumas e infelicidade. E, a partir do momento em que a convivência se transformar em vínculo e afeto, aquela criança se torna tão filha quanto uma gerada pelo mesmo casal. E o amor resultante dessa família tem o poder de preencher a vida de todos os seus membros. 

Esses foram os argumentos que utilizei no café com o meu amigo. Hoje de manhã, ele me escreveu para agradecer pela conversa e ainda deu a notícia de que conversou sobre o assunto com sua esposa, ela se convenceu, e que, a partir da semana que vem, vão começar a procurar agências de adoção. E eu não poderia ter ficado mais feliz com a notícia.

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