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União Europeia recomenda que funcionários evitem a palavra “Natal”

PAROLIN

Shutterstock | Pasquale Senatore

Francisco Vêneto - publicado em 01/12/21

Cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, critica diretrizes da Comissão Europeia: "contrárias à realidade"

Através da sua Comissão para uma Comunicação Inclusiva, a União Europeia apresentou em 26 de outubro um documento interno de 32 páginas intitulado #UnionOfEquality, no qual recomenda, entre outras diretrizes alegadamente voltadas a “promover a igualdade”, que os funcionários da Comissão Europeia evitem usar a palavra “Natal”.

Em entrevista publicada neste 30 de novembro pelo portal de notícias Vatican News na sua edição italiana, o cardeal secretário de Estado da Santa Sé, dom Pietro Parolin, criticou o documento afirmando que o texto é “contrário à realidade” por tentar ignorar as raízes cristãs da Europa.

Na mesma data, a comissária de igualdade da União Europeia, Helena Dalli, anunciou que as diretrizes estão suspensas porque “claramente precisam de mais trabalho”.

Segundo o diário italiano Il Giornale, o documento orientava os funcionários do braço executivo da União Europeia, explicitamente, a “evitarem pressupor que todos são cristãos”. O texto acrescentava: “Nem todos celebram as festas cristãs e nem todos os cristãos as celebram nas mesmas datas”.

Com essas premissas, o guia de “comunicação inclusiva” operava exatamente o contrário da inclusão que alegava promover, já que excluía de propósito os cristãos em nome de um suposto diálogo que, na verdade, não dialoga com a fé dos cidadãos, mas tenta silenciá-la.

Além de incentivar ativamente a exclusão das referências cristãs, o guia ainda as associava nem tão sutilmente assim a sensações negativas, como no “conselho” aos funcionários para não usarem frases como “o Natal pode ser estressante”, exortando-os a substituí-la por “as festas de fim de ano podem ser estressantes”.

O cardeal Parolin observou que a intenção de evitar a discriminação é correta, mas “este certamente não é o caminho para atingir tal objetivo, porque se corre o risco de destruir, aniquilar a pessoa, em duas direções principais”, que ele então explicou: a primeira seria a da diferenciação que caracteriza as pessoas; a segunda, a do esquecimento da realidade. Ele acrescentou:

“Sabemos que a Europa deve a sua existência e a sua identidade a muitas contribuições, mas não se pode esquecer que uma das principais, se não a principal, foi precisamente o cristianismo. Destruir a diferença e as raízes significa destruir a pessoa”.

O cardeal mencionou ainda a visita que o Papa Francisco faz nesta semana a Chipre e à Grécia, lugares que são “fontes da Europa”:

“Essa viagem chega na hora certa: é uma viagem que nos remete a essas dimensões fundamentais que não podem ser canceladas. Temos que redescobrir a capacidade de integrar todas essas realidades sem ignorá-las, sem combatê-las, sem eliminá-las e marginalizá-las”.

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IdeologiaNatalPerseguiçãoPolítica
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