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Papa: violência contra mulheres é problema “quase satânico”

Di Winston Springwater|Shutterstock

Ricardo Sanches - Vatican News - publicado em 20/12/21 - atualizado em 20/12/21

A declaração foi dada durante um programa exibido por uma TV italiana; há tempos o pontífice alerta para o crescimento dos casos de violência contra a mulher

O problema da violência contra as mulheres é “quase satânico”, declarou o Papa Francisco em um programa de Natal dedicado às pessoas “invisíveis” na sociedade de hoje. O programa foi transmitido pela televisão italiana Mediaset em 19 de dezembro de 2021. “O número de mulheres que são espancadas e maltratadas em casa, até mesmo por seus maridos, é muito grande”, lamentou o Pontífice.

Por quase uma hora, o programa mostrou o pontífice interagindo com quatro “pessoas invisíveis” recebidas em sua residência, a Casa Santa Marta, no Vaticano. Entre elas, Giovanna, uma mãe que perdeu o seu emprego e cuja vida familiar é feita de violência, Maria, uma mulher sem teto, Maristella, uma escoteira de 18 anos de quem a pandemia tirou a alegria e Pierdonato, ex-condenado à prisão perpétua e que cumpriu 25 anos de pena.

Durante a conversa entre o pontífice e seus convidados, a mãe da família contou ter perdido o emprego e a casa para proteger a si mesma e aos filhos da violência do marido. Voltando-se para o Papa, ela perguntou-lhe como poderia recuperar sua dignidade depois disso. O Santo Padre, então, respondeu:

“É humilhante, muito humilhante. É humilhante quando um pai ou uma mãe bate no rosto de uma criança, é muito humilhante e eu digo sempre, nunca bata no rosto de uma criança. Por quê? Porque a dignidade é o rosto. Esta é a palavra que eu gostaria de retomar porque por detrás dela está a sua pergunta: há dignidade em mim? Qual é a minha dignidade depois de tudo isto, qual é a dignidade das mulheres espancadas e maltratadas?”.

A imagem de Nossa Senhora

Ainda respondendo à mulher que foi vítima de violência doméstica, Francisco acrescentou:

“Uma imagem vem-me à mente ao entrar na Basílica [de São Pedro] à direita, a piedade de Nossa Senhora [Pietà], Nossa Senhora humilhada diante do seu filho nu, crucificado, malfeitor aos olhos de todos, ela é a mãe que o criou, totalmente humilhada. Mas ela não perdeu a sua dignidade e olhar para esta imagem em momentos difíceis como o seu de humilhação e quando se sente perder a dignidade, olhar para aquela imagem dá-nos força… Olhe para Nossa Senhora, fique com essa imagem de coragem”.

Violência contra as mulheres

Desde o início da pandemia, há quase dois anos, o Papa Francisco vem alertando sobre o problema da violência contra as mulheres. No mês passado, o Santo Padre chegou a afirmar que o homem que agride uma mulher é “um covarde”. Para ele, este problema cresceu nos países que adotaram o isolamento social. As mulheres se viram obrigadas a conviver mais perto seus agressores.

Na Itália, por exemplo, são registrados 90 casos de violência contra mulheres todos os dias. De acordo com a polícia, 62% dizem respeito à violência dentro de casa.

Já no Brasil, um estudo do Datafolha mostrou que uma em cada quatro mulheres alegam ter sofrido algum tipo de violência doméstica durante a pandemia. De acordo com a pesquisa, 73,5% da população acredita que a violência contra as mulheres aumentou no último ano e 51,5% dos brasileiros relataram ter visto alguma situação de violência contra a mulher nos últimos doze meses.

Com informações de I.Media e Vatican News

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