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Canadá manda fechar igrejas – e arcebispo celebra Missa ao ar livre, com neve e abaixo de zero

Canadá manda fechar igrejas e bispo celebra ao ar livre

Emanuel Zetino | Facebook

Francisco Vêneto - publicado em 05/01/22

Em 2020, o país já tinha aplicado restrições tão desproporcionais que até cassinos podiam receber mais gente do que as igrejas

O Canadá voltou a mandar fechar igrejas sob a alegação de conter a nova onda de contágios pelo coronavírus causador da covid-19, cuja mais recente mutação, a ômicron, aparenta ser menos letal que as anteriores, mas de proliferação muito mais rápida.

Ainda que seja imperativo tomar medidas preventivas contra mais uma onda de internações e mortes pela doença, os precedentes no Canadá levantam consideráveis questionamentos relativos ao tratamento às igrejas no país.

Fechar igrejas, mas com quais critérios?

Em 2020, por exemplo, o governo canadense, que é um dos mais laicistas da atualidade em todo o planeta, já tinha aplicado restrições clamorosamente desproporcionais às práticas religiosas nas igrejas, mesmo com as paróquias seguindo à risca todos os protocolos sanitários. Na província de Québec, os cassinos podiam receber até 250 pessoas, enquanto as igrejas apenas 50; o comércio de maconha chegou a ser listado como “serviço essencial”, enquanto as Missas presenciais foram excluídas das atividades permitidas à população.

Na ocasião, o cardeal arcebispo de Québec, dom Gérald Cyprien Lacroix, protestou publicamente contra a falta de diálogo e de coerência das autoridades da província em várias medidas de combate ao coronavírus:

“Desde o início temos sido bons parceiros, fazendo a nossa parte pelo bem de todos e colaborando no esforço coletivo durante esta crise. Era necessário ser solidários e nós fomos. Mas as autoridades do governo não nos levam a sério. Em nenhum momento conseguimos estabelecer um diálogo franco e direto com o governo e com os funcionários da saúde pública (…) As comunidades de fé, que certamente podemos considerar um serviço essencial, foram praticamente ignoradas. Não dá para entender. Os católicos têm o direito de ser considerados com respeito e não ignorados e relegados. Nosso governo evita qualquer diálogo aberto e sereno com os líderes das comunidades de fé. Isto não é saudável para a nossa sociedade de Québec”.

Novamente, a ordem de fechar igrejas levanta questionamentos

Transcorrido mais de um ano desde então, eis que, faltando apenas uma semana para o Natal de 2021, o governo canadense decretou que somente as pessoas vacinadas poderiam participar das Missas – e, mesmo assim, as igrejas só poderiam receber 50% da sua capacidade total.

Em 30 de dezembro, porém, o governo resolveu tornar ainda mais restritivas as suas diretrizes sanitárias, agora proibindo totalmente as reuniões de pessoas em lugares de culto – ou seja, emitindo novamente a ordem de fechar igrejas.

A resposta pastoral de um bispo

Dom Christian Lépine, arcebispo de Montréal, reagiu com uma resposta inusitada: respeitando as normas do governo e, ao mesmo tempo, não abandonado os fiéis e o seu direito de receber a Santíssima Eucaristia, ele resolveu transformar o estacionamento da catedral de Marie-Reine-du-Monde em local de encontro para Missas ao ar livre, em pleno rigor do inverno canadense, com neve e temperaturas (bastante) abaixo de zero.

Ele mesmo descreveu o cenário:

“Vacinados e não vacinados podem vir juntos à Missa ao ar livre para encontrar o Senhor no sacramento da Comunhão”.

Dom Christian Lépine comparou a situação com a de Maria e José quando não achavam abrigo em Belém para o nascimento de Jesus: tiveram de se adaptar a uma estrebaria que, praticamente, equivalia a ficar à intempérie.

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