Aleteia logoAleteia logoAleteia
Quinta-feira 27 Janeiro |
Beato Jorge Matulaitis 
Aleteia logo
Espiritualidade
separateurCreated with Sketch.

3h de morte aparente. Frei Daniele Natale: estive no Purgatório, eis o que vi

fra-daniele-natale.jpg

Wikipedia

Fra Daniele è un Servo di Dio. La sua causa di beatificazione è in corso

Marcello Stanzione - publicado em 14/01/22

"Apresentei-me diante do trono de Deus. Vendo Deus, mas não como um juiz severo, e sim como um Pai afetuoso e amoroso"

Não foi uma tarefa fácil descrever o estado de turbulência em que se encontrava a Clínica Regina Elena de Roma naquele dia de 1952. Ali, frei Daniele Natale, religioso capuchinho de 33 anos, foi internado para a remoção de um câncer de baço. O dr. Riccardo Moretti inicialmente se recusou a realizar a delicada operação porque a doença estava muito avançada, mas a insistência do paciente o levou a tentar de última hora.

Infelizmente, os temores do médico se confirmaram: frei Daniele entrou em coma logo após a cirurgia e morreu três dias depois. Depois que o atestado de óbito foi emitido, parentes e conhecidos se reuniram junto ao corpo sem vida do capuchinho para rezar por ele. Até aqui, nada de estranho. Tudo acontecia dentro da rotina de qualquer hospital. O clamor começou, ou melhor, explodiu três horas depois que a morte do clérigo foi declarada. De repente, o cadáver arrancou o lençol que o cobria, levantou-se com determinação e começou a falar! Todos correram para fora da sala aterrorizados, gritando pelos corredores. Um tumulto sem precedentes eclodiu em todo o hospital. E não foi pouca coisa!

Horas de Purgatório

O próprio frei Daniele narra, com a simplicidade das histórias do Evangelho, o que aconteceu naquele intervalo de três horas. “Apresentei-me diante do trono de Deus, vendo Deus, mas não como um juiz severo, e sim como um Pai afetuoso e amoroso. Então compreendi que o Senhor fez tudo por amor, que cuidou de mim do primeiro ao último momento de minha vida, amando-me como se eu fosse a única criatura existente nesta terra. Também percebi, no entanto, que não só não retribuí esse imenso amor divino, como o negligenciei completamente. Fui condenado a duas ou três horas de Purgatório. Mas como?, perguntei-me, apenas duas ou três horas? E então poderei ficar para sempre perto de Deus Amor eterno? Pulei de alegria e me senti um filho amado”.

No entanto, o júbilo de frei Daniele não durou muito. “A visão desapareceu e eu me encontrei no Purgatório. As duas ou três horas no Purgatório me foram dadas sobretudo por não ter feito o voto de pobreza. Eram dores terríveis que eu não sabia de onde vinham, mas sentia intensamente. Os sentidos que mais ofenderam a Deus neste mundo sentem a maior dor. Era algo para inacreditável porque lá embaixo, no Purgatório, a gente sente como se tivesse um corpo e conhece e reconhece os outros como acontece no mundo”.

“Por que não posso te ver?”

Enquanto isso, continuou o frei Daniele, “apenas alguns momentos daquelas dores passaram e já me parecia que era uma eternidade. O que mais nos faz sofrer no Purgatório não é tanto o fogo, embora tão intenso, mas aquele sentimento de estar longe de Deus, e o que mais dói é ter tido todos os meios disponíveis para a salvação e não ter podido aproveitar. Pensei então em ir a um irmão do meu convento pedir-lhe que rezasse por mim que estava no Purgatório. Aquele irmão ficou maravilhado porque ouviu minha voz, mas não podia ver minha pessoa, e perguntou: Onde você está? Por que não posso te ver? Insisti e, vendo que não tinha outro meio de alcançá-lo, tentei tocá-lo; mas meus braços passavam sem tocá-lo. Só então percebi que estava sem corpo. Contentei-me em insistir que ele rezasse muito por mim e fui embora”.

A aparição de Maria

A situação em que se encontrava o capuchinho parecia não corresponder ao veredicto recebido durante o julgamento particular. “Mas como? Eu estava dizendo a mim mesmo, não era para ser apenas duas ou três horas de purgatório? E já se passaram trezentos anos”.

“De repente – reconstrói o frei – apareceu-me a Bem-Aventurada Virgem Maria e implorei-lhe, implorei-lhe dizendo: Ó santíssima Virgem Maria, mãe de Deus, obtende do Senhor a graça de eu voltar à terra para viver e agir só pelo amor a Deus! Também tomei consciência da presença do Padre Pio e também implorei a ele: por suas dores atrozes, por suas feridas abençoadas, meu Padre Pio, rogai por mim a Deus que me liberte dessas chamas e me permita continuar o purgatório na terra. Então não vi mais nada, mas percebi que o padre estava falando com Nossa Senhora. Depois de alguns momentos, a Santíssima Virgem Maria apareceu para mim novamente: era Nossa Senhora das Graças. Ela reclinou a cabeça e sorriu para mim. Nesse preciso momento tomei posse do meu corpo, abri os olhos e estendi os braços. Então, com um movimento brusco, libertei-me do lençol que me cobria. Fiquei satisfeito, recebi a graça”.

Tumulto na clínica

Tudo isso não era uma fantasia. “Aqueles que me auxiliavam e rezavam por mim, aterrorizados, saíram correndo do salão para procurar enfermeiros e médicos. Em poucos minutos, a clínica estava em turbulência. Todos eles acreditavam que eu era um fantasma. O médico que certificara minha morte entrou. Com lágrimas nos olhos o médico disse: Sim, agora acredito: acredito em Deus, acredito na Igreja, acredito no Padre Pio”.

Quatro décadas de apostolado e sofrimento

Após este episódio. Frei Daniele retomou sua vida de apostolado, como fiel discípulo de São Pio de Pietrelcina, que lhe havia feito esta promessa categórica: ‘aonde você for, eu estarei lá também. O que você diz, eu também digo’. Ele viveu mais quarenta e dois anos e resumiu seu desejo ardente de salvar almas nesta breve oração: “Senhor, dai-me todos os sofrimentos que quiseres, mas um dia deixai-me encontrar no céu todas as pessoas a quem me aproximei”. E quando alguém lhe expressasse alguma dúvida sobre o Purgatório, ele poderia explicar claramente a doutrina da Igreja, mas acima de tudo poderia acrescentar seu testemunho pessoal: “Eu vi o fogo! Eu me senti terrível queimando nas chamas! Muito pior do que o fogo, sofri o terrível tormento de estar separado de Deus!”

Diante dos castigos do Purgatório, os sofrimentos do Servo de Deus frei Daniele Natale nesta terra tornaram-se doces e toleráveis.

Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

PT300x250.gif
Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia