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Há algum problema em gostar demais de um animal de estimação?

DOG,

gostua | Shutterstock

Julio De la Vega Hazas - publicado em 16/01/22

Não se trata tanto de perguntar se estamos amando demais um animal, e sim se isso é um substituto para esconder a carência de amor pelas pessoas

Há algum problema em gostar demais de um animal de estimação? Seria possível resolver a questão respondendo simplesmente que “não”, mas, do ponto de vista moral, a pergunta não está muito bem formulada. Não se trata tanto de perguntar-se se estamos amando demais um animal, e sim se isso é um substituto de algo, um amor que esconde a carência de amor pelas pessoas. E esta carência pode ser ou não culpável, dependendo de muitas circunstâncias.

É muito difícil aqui estabelecer regras gerais. Em um extremo, podemos encontrar o amor de uma pessoa cega pelo seu cão-guia, que para ela é uma ajuda necessária e inestimável. No outro extremo, uma famosa atriz, sex symbol dos anos 70, vive atualmente cercada de cachorros, declarando que está profundamente decepcionada com os homens, sem perceber que esta atitude é consequência de uma vida irresponsável e fruto de um orgulho ferido.

A amizade (inclusive a particular amizade entre esposos, entre pais e filhos) só acontece realmente entre pessoas. Um animal, ainda que às vezes tenha reações semelhantes às humanas, não pode corresponder a uma amizade. É por isso que o Catecismo da Igreja Católica afirma que “pode-se amar os animais, mas não deveria desviar-se para eles o afeto só devido às pessoas” (nº 2418).

Animal de estimação e carência de afeto

É empobrecedor para a vida humana cobrir a carência de afeto com o afeto por um animal de estimação. Às vezes, vemos na rua uma senhora carregando um cachorrinho no colo, como se fosse um bebê, mas esta pode ser a prova visível de uma solidão que entristece a alma.

Inclusive comparando o amor ao animal com o amor às pessoas, pode-se dizer que o conceito de amor aqui está distorcido, porque é um amor possessivo; este tipo de amor não é ruim para com um animal, pois ele é realmente uma possessão nossa; mas é inadequado e egoísta com relação às pessoas.

Alguns poderiam objetar que existem solidões não buscadas. Pensemos no caso de uma senhora viúva, cujos filhos não lhe dão atenção. O mais lógico parece ser buscar a única companhia que ela pode ter à mão: um animal de estimação. Bem, mas uma coisa é não ter mais nenhum recurso, e outra é conformar-se com isso e fechar-se às pessoas, física e afetivamente, centrando-se no animal.

Esta pessoa poderia ser aconselhada a não abandonar os animais, mas também a buscar amizades. O livro do Gênesis já dizia: “Não é bom que o homem esteja sozinho” (2, 18). E o remédio para esta solidão não é um animal, mas as pessoas. Conformar-se com o animal não é um verdadeiro remédio, mas apenas um anestésico.

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