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A prática da Confissão frequente

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SeventyFour | Shutterstock

Vanderlei de Lima - publicado em 23/01/22

O Papa Francisco nos demonstra, com a sua própria vida, a importância da Confissão frequente ao declarar: “Todos somos pecadores"

Por Confissão frequente ou “de devoção” entendemos a busca do sacramento da Reconciliação para a acusação dos pecados veniais ou leves ao sacerdote em curto espaço de tempo (semanal, quinzenal, mensal). Estudemo-la.

O Código de Direito Canônico vigente assim se expressa: “cânon 988 § 1. O fiel tem obrigação de confessar, quanto à espécie e ao número, todos os pecados graves, de que tiver consciência após diligente exame, cometidos depois do batismo e ainda não diretamente perdoados pelo poder das chaves da Igreja nem acusados em confissão individual. § 2. Recomenda-se aos fiéis que confessem também os pecados veniais”.

Pelo teor deste cânon, nota-se que permanece válida, na Igreja, a distinção entre pecado grave ou mortal e leve ou venial. A diferença entre ambos é, segundo Dom Dadeus Grings, em seu Curso de Direito Canônico, p. 95, “do dia para a noite. No primeiro caso, o homem vive como ‘inimigo’ de Deus. E não são alguns atos isolados que modificam esta situação. Só Deus pode restituir-lhe a vida da graça. Para isso, é necessário o sacramento. No segundo caso, o homem é amigo de Deus, mas, por fragilidade humana, não corresponde plenamente ao amor divino. Não é perfeito. Reconhece-se por isso, ao mesmo tempo, santo e pecador”. Ora, a confissão frequente – não obrigatória, mas recomendável – muito ajudará esse amigo de Deus a tornar-se cada vez mais íntimo d’Ele.

É o Papa Pio XII quem, por primeiro, muito recomenda aos fiéis a Confissão frequente dos pecados leves: “É verdade, e vós bem sabeis, veneráveis irmãos, que há muitos modos e todos muito louváveis, de obter o perdão dessas faltas; mas para progredir mais rapidamente no caminho da virtude, recomendamos vivamente o pio uso, introduzido pela Igreja sob a inspiração do Espírito Santo, da confissão frequente, que aumenta o conhecimento próprio, desenvolve a humildade cristã, desarraiga os maus costumes, combate a negligência e tibieza espiritual, purifica a consciência, fortifica a vontade, presta-se à direção espiritual, e, por virtude do mesmo sacramento, aumenta a graça” (Mystici Corporis Christi n. 86; cf. Pio XII. Mediator Dei n. 161-162).

Em sua Mensagem sobre a Penitência, de 23/03/1977, o Papa São Paulo VI também louva as vantagens espirituais “que a confissão nos oferece, principalmente se o recurso frequente ao sacramento acompanha o desenvolvimento da vida real, fortalecendo a alma que deseja ser forte e fiel na profissão da sua fé” (itálico nosso). Em suma, a Confissão frequente não pode ser mera rotina, mas meio da graça para o progresso espiritual do penitente.

São João Paulo II, por sua vez, escreve: “Com a presente Exortação, quero dirigir um instante apelo a todos os Sacerdotes do mundo, especialmente aos meus Irmãos no Episcopado e aos Párocos, para que favoreçam com todas as veras a frequência dos fiéis a este Sacramento” (Reconciliatio et paenitentia, 31, VI – itálico nosso). Também o Papa Bento XVI, dirigindo-se aos Bispos suíços, em 07/11/2006, recomenda: “Exortai os fiéis a aproximar-se regularmente do sacramento da Penitência, que permite descobrir o dom da misericórdia de Deus e que leva a ser misericordioso com os outros, como Ele” (O Papa Bento XVI e a confissão. Cançãonova.com – itálico nosso).

Já o Papa Francisco nos demonstra, com a sua própria vida, a importância da Confissão frequente ao declarar: “Todos somos pecadores. Também o Papa se confessa a cada 15 dias, porque também o Papa é um pecador. E o confessor ouve as coisas que eu lhe digo, aconselha-me e me perdoa, porque todos precisamos deste perdão” (ACI Digital, 21/11/2013 – itálico nosso). 

O Santo Padre, como religioso jesuíta, relembra-nos, com sua prática, o Código de Direito Canônico, cânon 664, a prescrever que “os religiosos se esforcem na sua própria conversão para Deus, façam também todos os dias o exame de consciência e se aproximem frequentemente do sacramento da penitência”. Em nota a este cânon, o Pe. Jesús Hortal, SJ, esclarece que “a expressão ‘frequentemente’ significa ‘duas vezes por mês’ (Communicationes 13, 1981, p. 181)”.

Sirvamo-nos, pois, no contínuo processo de conversão rumo à santidade (cf. Mt 5,48), da Confissão frequente como mais um poderoso auxílio da graça em nossa vida.

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