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Mais do que punição, o sofrimento esconde valiosas lições 

INJURY

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Octavio Messias - publicado em 27/01/22

Para Eclesiastes, "quanto maior o saber, maior o sofrimento"

De tempos em tempos, costumo olhar para trás e lembrar de decisões que foram tomadas cujo desenrolar não foram frutíferos como eu esperava. O que chamamos de arrependimento, uma vontade irracional de voltar ao passado e mudar minhas ações para obter resultados diferentes. Ou seja, não bastasse o momento do sofrimento em si, eu, assim como tantos, tenho uma tendência a ficar remoendo aquele sentimento. O que era para ser por um período limitado acaba se estendendo indefinidamente e dura muito mais do que um necessário. 

Ao crermos em Deus e termos fé de que o que ocorre na Terra sofre ação Dele, como entender o ódio, a pobreza, a pandemia, crises ambientais, guerras e conflitos, entre tantas mazelas do mundo em que vivemos? Um caminho para responder a essa questão pode ser encontrada em Eclesiastes 1, 16-18: 

“Então fiquei meditando: ‘Ora, aqui estou eu com tanto conhecimento acumulado que ultrapassa a sabedoria dos meus predecessores em Jerusalém; minha mente alcançou o ponto mais alto do entendimento e do saber. Por esse motivo me esforcei ao máximo para compreender a sabedoria, bem como a loucura e a insensatez; contudo, o que aprendi, de fato, é que isso igualmente é correr atrás do vento.’ Afinal, quanto maior o saber, maior o sofrimento; e quanto maior o entendimento maior o desgosto.”

O que aquele sofrimento está dizendo?

Há grande sabedoria nessas palavras. E mudar a maneira como entendemos os infortúnios da vida pode aliviar e muito o sofrimento. Se eu parar de reclamar e de insistir em sentir pena de mim mesmo, talvez consiga entender o que aquele sofrimento está tentando me dizer. 

Quando saí da casa da minha família e fui morar sozinho pela primeira vez, logo sofri um pequeno acidente doméstico. Em uma noite de chuva em que cheguei em casa tarde, cansado e encharcado, tudo que eu queria era tomar um banho, comer alguma coisa e dormir o sono dos justos. Quando cheguei à segunda etapa, me queimei ao jogar alguns nuggets de frango no óleo quente demais. Fiquei com uma cicatriz na canela que até hoje me faz remoer o erro de 15 anos atrás. 

Mas em vez de tentar voltar no tempo e não cometer o ato que deixaria a cicatriz, percebo que é mais produtivo dedicar meus pensamentos e despender minha energia a compreender a lição maior que está por trás de tudo. Nessa década e meia que se passou, li notícias de pessoas que sofreram acidentes que deixaram sequelas muito mais graves do que uma cicatriz na canela. Eu, por minha vez, entendi anos atrás que se deve ser muito mais cuidadoso com óleo quente e nunca mais fritei nada vestindo bermuda, o que me preveniu de sofrer esse tipo de infortúnio, talvez em escala muito maior, desde então. Pelo risco envolvido e pela importância da lição, uma queimadura de primeiro grau não foi nada. 

Com o passar dos anos, aprendi a entender o sofrimento, em diferentes níveis e esferas, assim como por motivos diversos, como um apanhado de lições que eu precisava receber para chegar onde hoje me encontro. Só estou vivo até agora porque entendi, ainda quando criança e caí de bicicleta, que não sou onipotente. Uma aula prática das leis da física que pode ter me prevenido de sofrer um acidente de carro quando adulto, por exemplo. 

E se hoje vivemos em um mundo tomado pelo ódio, a lição talvez seja que devamos defender o amor; a pobreza chama atenção para aqueles em dificuldade; a pandemia mostra que enquanto respirarmos o mesmo ar, somos todos iguais; as crises ambientais urgem para que cuidemos melhor do planeta e as guerras historicamente nos mostram que a única solução é a paz.

Em vez de nos remoermos eternamente pelo sofrimento, faz mais sentido apreender com ele e não repetir os mesmos erros. Pois cada lição exige uma mudança de ação. 

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