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Como o extremismo ideológico pode levar a teorias conspiratórias

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AuntSpray | Shutterstock

Octavio Messias - publicado em 06/02/22

Pesquisa com mais de 100 mil participantes mostra que quanto mais distante do centro no espectro político, maiores chances de acreditar em informações sem fundamento

Em sua tradicional mensagem Urbi et Orbi, no último Natal, Papa Francisco lamentou o cenário de polarização e extremismos que vivemos hoje e, ao longo de apenas duas páginas de discurso, usou a palavra “diálogo” 11 vezes e expôs como a pandemia intensificou a intolerância no mundo. “A nível internacional, corre-se o risco de que esta complexa crise conduza a atalhos em vez de caminhos mais longos de diálogo. No entanto, são esses, na realidade, os únicos que levam à resolução de conflitos e a benefícios compartilhados e duradouros”, afirmou o Pontífice. 

Além dos conflitos, tensões e crises citados pelo Papa, da Síria à Ucrânia, a pandemia também intensificou o radicalismo político e mostrou como isso tende a levar à desinformação e à crença em teorias que não correspondem à realidade. É isso que prova uma pesquisa quantitativa – conduzida com 104.253 pessoas de 26 países – recentemente publicada na revista Nature Human Behaviour.

Arco ideológico

O questionário pedia aos voluntários que se situassem no espectro político (esquerda e direita, de moderada a extema, além do centro), revelassem em quem pretendiam votar nas próximas eleições e que se posicionassem em afirmações como “acredito que eventos aparentemente desconexos são muitas vezes o resultado de atividades encobertas” ou “existem organizações secretas que têm grande influência nas decisões políticas”. Com base nas respostas, os pesquisadores observaram que, quanto mais distantes do centro estivessem os participantes, maior a probabilidade de acreditarem em teorias conspiratórias. O que não faltou na pandemia. 

Teorias de que a ex-chanceler alemã Angela Merkel seria uma alienígena reptiliana, assim como os ex-presidentes norte-americanos George W. Bush e Barack Obama, terraplanismo, o conspiratório movimento QAnon e informações deturpadas ou fictícias a respeito dos efeitos da vacina (colocando a vida de milhares de pessoas em risco) circularam muito além do razoável. Vale lembrar que 80% das internações por Covid-19 no Brasil são de pessoas que não se vacinaram. O estudo salienta que a maioria das pessoas crentes em teorias conspiratórias é de ultradireita. O que não significa que fake news também não circule no outro extremo. 

Validação

No livro A Natureza das Teorias da Conspiração, de Michael Butter, da Universidade de Tübingen, na Alemanha, o autor explica como esse tipo de teoria conspiratória circula desde a Grécia Antiga, vindo a ganhar força e disseminação no momento presente graças à internet e às mídias sociais. 

Como os algorítimos, que são programados para pregar para convertidos e nos mostrar apenas publicações que correspondem ao nosso arco ideológico, essa pesquisa demontra que, ainda que muitos recorram à razão ao se posicionarem politicamente, o lado emocional muitas vezes fala mais alto. 

Como se estivéssemos constantemente em busca de validação para aquilo que já queremos acreditar. O que é uma atitude perigosa, que gera apenas conflito e desinformação, diminuindo consideravelmente a possibilidade de qualquer diálogo. Como defende Papa Francisco, o diálogo é fundamental para uma convivência social harmoniosa. Assim como nos atermos aos fatos e não a delírios, por mais tentadores que eles possam parecer. 

Tags:
InternetPolíticaRedes sociaisSociedade
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