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Se Jesus não é Deus, ele deve ser um lunático: eis o porquê

Lords' Prayer

James Tissot | Brooklyn Museum | Public Domain

Pe. Patrick Briscoe - publicado em 15/02/22

CS Lewis forneceu uma linha de argumentação magistral, dizendo que simplesmente não podemos pensar em Jesus como apenas um bom professor de moral

Para muitos não cristãos, o cristianismo é meramente uma das grandes religiões do mundo. Segundo essa abordagem, Jesus seria, portanto, um dos grandes professores e pensadores da história, algo como Platão ou Aristóteles.

Mas os cristãos creem e vivem de uma forma diferente, por causa de um código moral que o próprio Cristo nos deu. Ouvimos uma parte desse modo de vida apresentado no Evangelho:

Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis fartos! Bem-aventurados vós que agora chorais, porque vos alegrareis! Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos ultrajarem, e quando repelirem o vosso nome como infame por causa do Filho do Homem! Alegrai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no céu.

(Lc 6, 20-23)

Mas, mesmo assim, a pessoa de Jesus Cristo não é redutível simplesmente a um código moral ou a uma maneira de viver. O Papa Bento XVI escreve em Deus Caritas Est: “Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”. 

Ser discípulo de Jesus significa não simplesmente cumprir um conjunto de regras ou leis: ser cristão significa vivenciar Cristo como Senhor.

O Trilema

Cinquenta anos antes do Papa Bento XVI escrever sua magistral carta encíclica sobre o amor de Deus (citada acima), outro estudioso cristão estava pensando na mesma questão sobre a natureza de Cristo e a vida em Jesus.

C.S. Lewis escreveu o seguinte em seu livro best-sellerCristianismo Puro e Simples:

Eu estou tentando prevenir que continuem dizendo a bobagem que as pessoas dizem frequentemente sobre Ele: “Eu estou pronto para aceitar Jesus como um grande professor de moral, mas eu não aceito a sua afirmação de ser Deus”. Isso é uma coisa que não devemos dizer. Um homem que fosse somente um homem e dissesse o tipo de coisas que Jesus disse não seria um bom professor de moral. Ele ou seria um lunático – no mesmo nível de um homem que afirma ser um ovo mexido – ou então ele seria o Diabo do Inferno. Você tem que fazer sua escolha.

Para Lewis, simplesmente não faz sentido dizer que Jesus é um grande professor de moral. Apenas alguns capítulos depois que Lucas nos dá essa versão das bem-aventuranças, o evangelista registra a grande reivindicação de Jesus de ser Deus. Lucas nos diz: “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Lc 10, 22). Muitas vezes nas Escrituras, o próprio Jesus afirma diretamente ser Deus.

Lunático, mentiroso ou Senhor

Jesus não pode simplesmente ter sido um grande professor de moral e, ao mesmo tempo, ter feito todas as reivindicações sobre sua própria divindade que o Novo Testamento apresenta.

Alguém pode até questionar a confiabilidade das Escrituras, mas nesse ponto é preciso perguntar: Por que acreditar no seu ensino moral? Em outras palavras, se o texto não é confiável, por que usá-lo? Para C.S. Lewis, então, as opções razoáveis a partir do Evangelho são: (1) Jesus é um lunático, (2) Jesus é um mentiroso ou (3) Jesus é o Senhor.

  1. Lunático. Nesse sentido, somente uma pessoa com problemas mentais afirmaria ser Deus. Segundo esse ponto de vista, Jesus teve boas intenções, mas era um auto-iludido. Isso preservaria sua integridade moral, suponho, mas novamente coloca em dúvida a legitimidade de seu ensinamento moral. Afinal: Quem estruturaria sua vida segundo a maneira de viver de alguém psicologicamente perturbado?
  2. Mentiroso. De acordo com esse argumento, Jesus simplesmente mentiu sobre quem ele era. Ele era um homem, apenas um homem, e os momentos em que ele reivindica uma identidade divina são simplesmente mentiras. De acordo com esse ponto de vista, no entanto, não consigo ver como se poderia seguir o ensinamento moral baseado em um mestre mentiroso.
  3. Senhor. Esse argumento reconhece simplesmente que Jesus é quem ele diz ser. Ele oferece ensino moral, mas não é um mero professor de moral entre outros. Jesus Cristo é o Filho unigênito do Pai. Ele é nosso Senhor.

C.S. Lewis não mede palavras para afirmar que Jesus é o Senhor. Ele conclui:

Ou esse homem era, e é, o filho de Deus, ou não passa de um louco ou coisa pior. Você pode querer calá-lo por ser um louco, pode cuspir nele e matá-lo como um demônio; ou pode cair a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém venha, com paternal condescendência, dizer que ele não passava de um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis deixá-la. 

Diante desse argumento, defendido pelo apologista cristão C.S. Lewis, o que devemos concluir? O que, então, é razoável pensar sobre Cristo?

Devemos cair de joelhos e adorar o Senhor. Este não é um Deus que impõe fardos incontroláveis. Este não é um Deus que legisle o impossível. Jesus Cristo nos deu um modo de vida e caminha entre nós, dando-nos a força para permanecer fieis a Ele, seguir em frente, lutar pela felicidade e paz.

Jesus Cristo, nosso Senhor, é ele mesmo nosso modo de vida. Moldemo-nos a Ele com todas as fibras do nosso ser, louvemo-Lo a todo momento. Proclamemos com todos os anjos e santos através dos tempos: “Jesus Cristo é o Senhor!”

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BíbliaHistória da IgrejaJesus
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