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Aumenta o apreço pela Igreja Católica na Ucrânia

Pe. Lucas Perozzi Jorge, padre brasileiro na Ucrânia

Ana Oliveira | Facebook

Francisco Vêneto - publicado em 06/03/22

O país é majoritariamente ortodoxo, mas tem reconhecido a bravura dos padres, religiosos e freiras católicos que se recusam a abandonar o povo

Está aumentando o apreço pela Igreja Católica na Ucrânia durante a guerra iniciada no último dia 24 de fevereiro, data em que tropas da Rússia invadiram o país de 40 milhões de habitantes e que, assim como a própria Rússia, é de religião predominantemente ortodoxa.

Os fiéis ortodoxos ucranianos se dividem entre os cerca de 25 milhões que seguem a Igreja Ortodoxa Autocéfala da Ucrânia, reconhecida canonicamente pelo Patriarcado de Constantinopla em 2019; os 5 a 7 milhões que continuam aderindo à Igreja Ortodoxa Ucraniana, ligada desde 1696 ao Patriarcado de Moscou, e os que se identificam como ortodoxos sem especificar nenhuma jurisdição ou afiliação.

Os católicos são 6 milhões e tem como líder local Sua Beatitude Sviastoslav Schevchuk, Arcebispo Maior da Igreja Greco-Católica da Ucrânia, sediada em Kiev. Trata-se de uma tradição em plena comunhão com a Igreja Católica.

De acordo com o pe. Antonio Vatseba, superior do Instituto do Verbo Encarnado na Ucrânia, muitos residentes na área de Donbas sob controle ucraniano se mostram gratos à Igreja Católica:

“Por meio do trabalho da Cáritas, muitos residentes de Donetsk e Luhansk conheceram a Igreja Greco-Católica da Ucrânia. Aliás, graças aos atos de caridade, muita gente na Ucrânia começou a ver com bons olhos a Igreja Católica”.

O sacerdote considera, também, que as relações são muito boas entre a Igreja Greco-Católica da Ucrânia e a Igreja Ortodoxa Autocéfala da Ucrânia – mas permanece um maior distanciamento de parte da Igreja Ortodoxa liderada pelo Patriarcado de Moscou.

O historiador ortodoxo Antoine Arjakovsky, fundador do Instituto de Estudos Ecumênicos de Lviv e codiretor do departamento de Política e Religiões do Collège des Bernardins de Paris, também destaca a respeitabilidade da Igreja Católica no país de maioria ortodoxa. De acordo com Arjakovsky, os ucranianos mantêm “lembranças muito vivas da visita de João Paulo II em 2001 e sonham em ver o Papa Francisco em seu país”. Ele considera, porém, que essa visita “não parece estar na agenda”, independentemente da guerra, devido ao delicado empenho do Vaticano em manter um diálogo respeitoso com o Patriarcado de Moscou, que, por sua vez, considera cismática a Igreja Ortodoxa Autocéfala da Ucrânia.

Apesar desses meandros diplomáticos, a Igreja Católica na Ucrânia tem se destacado junto à população pela firmeza dos seus padres, religiosos e freiras que se recusam a abandonar o país durante a guerra e mantêm corajosamente as suas atividades tanto espirituais e pastorais quanto de apoio heroico à população – inclusive abrigando muitas pessoas dentro de igrejas, conventos e mosteiros.

Confira alguns desses casos e testemunhos:

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