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Cantor Mark Lanegan encontrou Deus quando esteve no fundo do poço

MARK LANEGAN

Hans Lucas via AFP

Mark Lanegan em show em Lille (França), a 6 de novembro de 2019

Octavio Messias - publicado em 23/03/22 - atualizado em 23/03/22

Músico morto há um mês narrou em seu livro de memórias episódio em que teve uma epifania na clínica de reabilitação; confira apresentações do vocalista em igrejas

Nesta terça (22) completou-se um mês da morte de Mark Lanegan, ex-vocalista das bandas Screaming Trees, uma das principais na cena grunge, de Seattle (EUA), no começo dos anos 1990, e Queens of the Stone Age, um dos grupos de rock mais populares dos anos 2000. O músico, que ainda mantinha uma bem-sucedida carreira solo com 12 discos lançados, foi encontrado sem vida por sua esposa, Shelley Brien, na cozinha de sua casa em Killarney, na Irlanda, onde morava desde 2020. Ele tinha 57 anos e sua morte foi lamentada publicamente por artistas do calibre de Eddie Vedder, Nick Cave e John Cale (The Velvet Underground).

Embora uma causa não tenha sido oficialmente revelada, sua morte muito provavelmente foi relacionada a um caso severo de Covid-19 que Lanegan sofreu em março do ano passado, quando passou semanas em coma, quase perdeu a voz e a audição, e chegou a quebrar alguns ossos em uma queda. Essa fase foi narrada em seu segundo livro de memórias (quarto no total), publicado em dezembro nos Estados Unidos e na Europa. 

No mesmo mês foi lançada no Brasil a tradução de Sing Backwards and Weep, seu livro de estreia, também de memórias, originalmente publicado em 2020. A obra de fôlego narra detalhes desde sua infância até as turnês mundiais com o Screaming Trees, com foco, principalmente, em sua dependência química.

No último capítulo, Lanegan conta como finalmente conseguiu abandonar o vício, no final dos anos 1990. Ele estava internado em uma clínica de reabilitação em Los Angeles paga por Courtney Love, já viúva de Kurt Cobain (1967-1994). Terminado o tratamento, o músico sentiu o velho impulso de cair nas ruas e conseguir drogas. No entanto, pediu ajuda divina e foi atendido: 

“De repente, de maneira espontânea, num momento de desespero abjeto, eu disse em voz alta: ‘Deus, me mude’.

Nunca tinha acreditado em um Deus cristão tradicional ou em nenhum ser supremo. […] Eu não sabia quem eu estava chamando… mas, no segundo em que supliquei por misericórdia, fui fisgado por uma força invisível e ainda assim esmagadora, tão poderosa e repentina quanto um tiro de espingarda. 

[…] Fui arrancado da minha cadeira e minha vida passou diante dos meus olhos: minha infância desperdiçada, minha juventude arrogante, minha raiva e minhas obsessões, meus crimes, minhas desilusões, minha autodepreciação, minha paranoia, minha desesperança, minha ira e minha triste espiral descendente de viciado. Eu tinha ouvido esse clichê um milhão de vezes – minha vida passou pelos meus olhos –, mas finalmente entendi o que isso significava. Naquele exato instante, isso foi poderosa e intensamente verdadeiro, a experiência mais autêntica da minha vida em 1 segundo no gramado de um hospital psiquiátrico de Los Angeles.

[…] Eu tinha pedido para ser mudado, e agora, em 1 segundo, estava mudado”, escreveu Mark Lanegan, que de fato retomou uma vida criativa, mais produtiva do que nunca, longe das drogas. 

E suas letras passaram tratar de temas como espiritualidade e a fazer alusões a passagens bíblicas. Seu vozeirão grave e ríspido, algo como o do líder de um culto, soava particularmente bem no ambiente de uma igreja (vide os dois vídeos acima, em catedrais na Inglaterra e na Islândia). E, entre 2007 e 2009, Lanegan cantou em dois discos do grupo inglês Soulsavers, que, ao som de órgão e teclados, faz uma espécie de mistura entre soul e gospel (abaixo).

Com a epifania, Lanegan descobriu sua espiritualidade, que reverenciou, discorreu sobre, utilizou em seu processo criativo e para a qual sua voz tornou-se veículo. O episódio representou a segunda chance de uma vida errática e, com isso, o renascimento de um grande artista.

Que Deus o tenha.

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