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Kirill seguirá Putin em sua queda

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UKRAINE WAR ECUMENISM

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Jean-François Colosimo - publicado em 29/03/22

O teólogo Jean-François Colosimo analisa as consequências da relação ambígua entre o Patriarca Kirill e Vladimir Putin. Para ele, os dois estão fadados a cair juntos

Aleteia: Salienta-se que Putin e Kirill são da mesma geração. Para além da sua idade, o que têm estes dois homens em comum?

Jean-François Colosimo: Na Rússia, depois de 1989, apenas duas instituições surgiram dos escombros do comunismo: a KGB e a Igreja, que têm laços antigos. Kirill entrou imediatamente na corrida para se tornar patriarca, um objetivo que alcançou em 2009. Embora tivesse uma reputação inicial como progressista e ecumenista, assumiu o preconceito anti-ocidental típico do novo regime autoritário e apoiou a política externa de Putin. Tornou-se, de certa forma, o seu ministro para assuntos religiosos. Da mesma forma que Putin lidera uma federação multi-étnica, multi-fé e multilingue, Kirill, em nome da Ortodoxia, preside o Conselho Religioso da Rússia, que reúne o Rabino Chefe para o Judaísmo, o Grande Mufti para o Islã e o Grande Lama para o Budismo. No exterior, o pontífice e o déspota professam a mesma ideologia da unidade do “mundo russo”, em outras palavras, de uma Rússia que inclui todas as populações de língua russa. Este imperialismo pan-russo foi tornado possível pelo fato de não ter havido um Nuremberg do comunismo. Putin e Kirill são dois sobreviventes do homo sovietus. Concordam sobre o esquecimento dos gulags, a recusa da ordem internacional e a negação dos direitos humanos.

O que eles trazem um ao outro?

Kirill e Putin são impulsionados pelo mesmo projeto de restauração. O patriarca procura afirmar a grandeza da Igreja russa, tal como o presidente pretende reafirmar a grandeza do Estado russo. Internamente, a Igreja está a assumir o papel outrora desempenhado pelo Partido Comunista. É agora responsável pelo patriotismo, moralidade, normas sociais e pelo recrutamento de elites. Neste contexto, Kirill pretende imitar a interpretação que ele tem de um catolicismo do século XIX que nunca existiu, uma Igreja fortaleza que teria governado a sociedade. Ele quer fazer esta Igreja travar as grandes batalhas contra a Modernidade com uma dimensão inquisitorial que não é tradicionalmente ortodoxa. No exterior, Kirill promove o apoio diplomático a Putin. O Patriarcado de Moscou é a única instituição russa que ainda cobre a totalidade da ex-URSS. Apoia as manobras geopolíticas do atual regime. As representações do Patriarcado de Moscou na Bielorrússia, na Ucrânia, mas também nos Estados Bálticos, no Cazaquistão e nas Repúblicas da Ásia Central são, de fato, segundas embaixadas. Com as suas extensões nos antigos países satélites e nas antigas repúblicas irmãs, mas também na Europa e nas Américas, o Patriarcado de Moscou constitui cerca de 50% do mundo ortodoxo e se beneficia dos importantes recursos diplomáticos e financeiros que o Estado russo lhe reserva. Os dois homens andam juntos na política interna e externa.

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DiálogoGuerraRússiaUcrânia
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