Boletim Direto do Vaticano, 5 de abril de 2022
Direto do Vaticano: um novo cargo para o cardeal Turkson

Crédito: Andrii Lutsyk | Shutterstock
Por Hugues Lefèvre : O cardeal ganês Peter Turskon, 73 anos, terá finalmente esperado um pouco mais de três meses após a sua renúncia como prefeito do dicastério do Serviço de Desenvolvimento Humano Integral para tomar conhecimento do seu novo cargo. O Papa Francisco nomeou-o Chanceler da Pontifícia Academia das Ciências e da Academia Pontifícia das Ciências Sociais. Estas duas prestigiadas academias reúnem personalidades eminentes do mundo científico. Fundada em 1847 por Pio IX, a Academia Pontifícia das Ciências tem como objetivo promover o trabalho científico e a cooperação, com uma preocupação pela responsabilidade ética e ambiental da comunidade científica.
É composta por 80 homens e mulheres reconhecidos nos seus campos científicos, alguns dos quais receberam um Prémio Nobel. O astrofísico alemão Reinhard Genzel, vencedor do Prémio Nobel da Física em 2020, aderiu recentemente. Oficialmente independentes da Santa Sé - embora o Papa nomeie os académicos - as deliberações e estudos que realiza são uma fonte de informação sobre a qual os vários órgãos da Cúria podem recorrer.
A Academia Pontifícia das Ciências Sociais foi criada por João Paulo II em 1994 para promover o estudo e o avanço das ciências sociais, económicas, políticas e jurídicas e para fornecer à Igreja elementos para o discernimento. O número de académicos varia entre 20 e 40. O último a aderir - em Outubro passado - é o economista americano Jeffrey David Sachs. O cardeal Turkson substitui o Arcebispo Marcelo Sánchez Sorondo como chanceler das duas academias. O argentino, que chegará aos 80 anos em Setembro, terá passado quase 24 anos à frente destas academias, tendo sido nomeado em 1998 por João Paulo II.
Cardeal Turskon, um elemento chave no pontificado de Francisco
Peter Turskon, um antigo arcebispo de Cape Coast que foi elevado à categoria de cardeal aos 55 anos de idade por João Paulo II, tornou-se rapidamente um ator chave no pontificado de Francisco. Filho de um carpinteiro, o quarto de 10 crianças, abordou a questão da ecologia integral, tão cara ao Papa Francisco. Neste sentido, ele é um dos principais arquitetos da encíclica "Laudato Si" sobre a "salvaguarda da casa comum", publicada em 2015.
Em 2016, o Papa anunciou a criação de um "super dicastério" que reuniria quatro entidades da Cúria Romana: o Pontifício Conselho de Justiça e Paz - chefiado pelo Cardeal Turkson desde 2009 -, o Pontifício Conselho Cor Unum, o Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, e o Pontifício Conselho para os Cuidados de Saúde.
O pontífice argentino colocou o cardeal ganense à frente deste gigante. Com um orçamento de 13 milhões de euros em 2020, este dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral emprega cerca de sessenta pessoas e gere questões estratégicas como os migrantes, o ambiente, e a partir de 2020, o problema da Covid-19…
Uma renúncia surpreendente
O Cardeal Turkson é apreciado pelo seu humanismo e simpatia. Mas alguns lamentam a sua falta de carisma e de capacidade de gestão. Submetido a fortes tensões internas causadas pela fusão de entidades do Vaticano com diferentes culturas de trabalho, o dicastério está a experimentar uma forte turbulência. Em Junho de 2021, foi realizada uma auditoria pelo Cardeal americano Blase Cupich. Alguns meses depois, na véspera de Natal, a renúncia do cardeal de 73 anos foi aceite pelo Papa Francisco, oficialmente devido ao termo do mandato de cinco anos do prefeito.
O Papa reza em Santa Maria Maggiore após a sua viagem a Malta
Por Hugues Lefèvre: No dia seguinte à sua viagem, o Papa foi de manhã cedo à Basílica de Santa Maria Maggiore para agradecer depois da sua viagem a Malta nos dias 2 e 3 de Abril. Rezou perante o ícone da Virgem Salus Populi Romani. O Papa visita sistematicamente esta basílica romana antes e depois de cada viagem apostólica, bem como por ocasião das grandes festas litúrgicas. Esta é a 94ª vez que visita a basílica desde o início do seu pontificado.
No dia anterior, o pontífice de 85 anos regressou a Roma quase uma hora mais tarde do que o previsto, o seu avião aterrou finalmente às 20h30 no aeroporto de Fiumicino em Roma. Durante a tradicional conferência de imprensa em voo, o Papa Francisco elogiou o "entusiasmo" com que foi recebido em Malta.
Enquanto ele mostrava grande dificuldade em andar e preferia usar um elevador para entrar e sair do avião, o Papa confidenciou que a sua saúde era "um pouco caprichosa". Referindo-se ao seu problema de joelhos, acrescentou no entanto: "É um pouco cansativo mas está a melhorar". Para além do tema dos migrantes, o pontífice argentino também regressou ao tema da guerra na Ucrânia, um acontecimento atual que esteve amplamente presente durante a sua viagem a Malta. Ele assegurou que estava "a fazer tudo o que pode ser feito" para pôr fim ao conflito, recordando que uma possível viagem a Kiev estava "sobre a mesa".
Francisco defende o acesso à educação e ao emprego para os autistas
Por Anna Kurian: O Papa Francisco pediu que as pessoas com autismo pudessem realizar o seu "projeto de vida", em particular através do acesso à educação e ao emprego, quando recebeu membros da Fundação Italiana do Autismo a 1 de Abril no Vaticano. Durante a reunião, o Papa apelou a "colocar a fraternidade no centro da economia". No contexto do Dia Mundial do Autismo, celebrado a 2 de Abril, o chefe da Igreja Católica esperava que as famílias das pessoas autistas, educadores e associações "não ficassem sozinhas, mas fossem apoiadas".
O Papa apelou a "uma mudança de mentalidade" em relação aos autistas, observando que "ainda existem preconceitos, desigualdades e discriminação". Estes homens e mulheres mais frágeis e vulneráveis, demasiadas vezes marginalizados por serem rotulados como diferentes ou inúteis, são de fato uma grande riqueza para a sociedade. Durante o seu discurso, o pontífice apelou à promoção do seu acesso à educação, emprego e lazer, para que possam cumprir o seu "projeto de vida". Salientou que muitas pessoas com deficiência "têm uma boa experiência de trabalho".
O pontífice também saudou a iniciativa de um grupo de pessoas autistas e seus cuidadores que iriam oferecer um almoço aos mais pobres na Praça de São Pedro depois da audiência. Salientou que as pessoas com deficiência devem ser "sujeitos" e não apenas "objetos de cuidado".






