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Existem maçons dentro da Igreja Católica?

franc macon

© Respiro - shutterstock

Julio De la Vega Hazas - publicado em 21/04/22

Alguns dizem que há membros da maçonaria entre os católicos. É verdade? Uma pertença é compatível com a outra?

A maçonaria é uma instituição – poderíamos até falar de “instituições”, pois há diversas “obediências” – que teve sua origem supostamente em grêmios de pedreiros especializados (“mason” significa “pedreiro” em inglês) e foi evoluindo, conservando símbolos originais (de instrumentos de construção), até uma sociedade que englobava intelectuais, com uma ideologia própria. Esta mudança pode ser observada desde o início do século XVIII.

Ela se autodefine como uma sociedade filantrópica, simbólica e filosófica, fundada sob o sentimento de fraternidade, de caráter iniciático, discreta e ritualizada. “Discreta” se utiliza para dizer que não é secreta (o que é só parcialmente verdade): ainda que seja registrada e seus dirigentes sejam conhecidos, mas sua pertença costuma ser ocultada. Não é propriamente religiosa, mas isso não significa que se desligue da religião.

Contrária à religião

Na realidade, sua filosofia é contrária a qualquer religião que tenha pretensão de revelada, particularmente a Igreja Católica. A maçonaria anglo-saxônica original professava um deísmo, muito difundido em círculos intelectuais das ilhas britânicas, que sustentava a existência de um Deus que criou o mundo para deixá-lo depois à sua sorte.

Quando cruzou o Canal da Mancha e se estabeleceu na França, deu lugar à que foi o modelo da maçonaria continental: a franco-maçonaria. Esta adotou e promoveu o ideal do Iluminismo.

É um racionalismo que, com relação a Deus, poderia ser deísta, agnóstico e ateu, mas que rotulava como supersticiosa e irracional qualquer fé revelada, e se mostrou mais agressivamente anticatólico que seus ramos anglo-saxões.

Ética

A filantropia era, sem dúvida, um ideal maçônico, mas, na prática, encontra-se bastante diluído por uma ética que não costuma ir além das boas intenções, e que, portanto, poderia ser qualificada de aburguesada. Isso se reflete também na fraternidade, que não costuma transcender a assistência mútua entre os próprios afiliados.

Quanto às formas, a maçonaria é claramente filha da sua época, que é o barroco. Está fortemente ritualizada, desde as vestimentas até os templos maçônicos e as cerimônias.

Também típico desta época é que fosse uma sociedade exclusivamente masculina. Só em tempos bem recentes se abriu às mulheres, ainda que mais frequentemente com a criação de lojas femininas que com a admissão de mulheres nas lojas tradicionais.

História

A maçonaria tem uma histórica complexa, na qual não faltam problemas internos e divisões, ainda que, na medida do possível, tenham tentado ocultar qualquer episódio de conflito. Em geral, isso deu lugar à existência de várias agrupações conhecidas como “obediências”, cada uma com rituais diferentes.

Com relação à Igreja Católica, convém diferenciar a compatibilidade e a beligerância. Esta última pode ser colocada em discussão: os maçons a negam, mas costuma ser uma realidade na maçonaria continental e está muito mais atenuada na anglo-saxônica.

O que está fora de cogitação é que a ideologia maçônica é incompatível com o credo católico, e isso está em suas raízes. Esta verdade foi declarada pela Igreja em repetidas ocasiões, também recentemente, e o fato de que hoje não esteja vigente a excomunhão automática de quem entra na maçonaria (como acontecia no passado), isso não significa nada a este respeito.

No Vaticano?

Há maçons no Vaticano? O que li e ouvi até agora não vai além dos boatos, sem provas nem nomes. Mas, na verdade, não é algo que mereça muito crédito. Não é impossível, mas estaríamos falando de uma ovelha negra no rebanho, como poderia haver por outro motivo.

Contudo, quando se ouve falar que alguém é maçom, convém não perder de vista um detalhe: Os maçons, salvo expulsão, não admitem desistências. Quem deixou a organização é chamado de “adormecido” ou “dormente”, mas continua sendo considerado maçom.

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