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Católico pró-aborto? “Principais religiões” não sabem quando começa a vida humana, diz Biden

JOE BIDEN

Michael F. Hiatt - Shutterstock

Francisco Vêneto - publicado em 05/05/22

Não satisfeito em se declarar católico apesar de contrariar abertamente a doutrina, o democrata agora banca o "intérprete da teologia"

O presidente democrata norte-americano Joe Biden, que se declara católico apesar de contrariar abertamente a doutrina da Igreja, agora deu uma de “intérprete da teologia” e resolveu pontificar que o aborto seria compatível com a fé porque, segundo ele, as “principais religiões” não sabem quando é que começa a vida humana.

Mesmo de um ponto de vista meramente humano e sem entrar na perspectiva da Revelação e da Salvação, a Igreja Católica é, estatisticamente, a maior religião do planeta e, historicamente, uma das mais amplas e profundas influências na trajetória da civilização. Nem assim ela estaria entre “as principais” segundo a peculiar visão de mundo de Joe Biden – afinal, o critério usado por ele para demarcar as “principais religiões” é “não saber quando a vida humana começa”.

Ocorre que a doutrina católica – a verdadeira e não a deturpada pelo político democrata – reconhece e reafirma explícita e enfaticamente a obviedade de que um ser humano vivo é um ser humano vivo desde o instante da sua concepção. A Igreja Católica, portanto, afirma que é na concepção que começa a vida humana – o que derruba, sem margem para tergiversações, a mentira de Joe Biden de que as “principais religiões” não sabem a partir de que momento um ser humano é um ser humano.

Não custa lembrar, aliás, que é justamente em decorrência deste dado da vida real que a Igreja se vê nada menos que obrigada pelos fatos a declarar que o aborto provocado voluntariamente é o assassinato de um ser humano inocente nos seus primeiros estágios de desenvolvimento. Nem sequer chega a ser uma questão de teologia.

Contexto e ideologia

As desnorteadas declarações de Joe Biden baseadas no que ele diz que dizem as “principais religiões” têm um contexto autoexplicativo: a iminência de uma decisão da Suprema Corte norte-americana que, prevista para junho, poderia reverter a controversa sentença Roe versus Wade, de 1973, que, baseada numa farsa, legalizou o aborto em todo o território dos Estados Unidos.

Os democratas, partido de esquerda ao qual pertence Joe Biden, estão se mobilizando fortemente para evitar que o tribunal supremo reconheça a autonomia de cada Estado norte-americano para legislar a respeito do aborto. O pânico democrata é o de ver ruírem as suas narrativas ideológicas sobre o que alegam ser um “direito reprodutivo”, já que muitos Estados do país têm restringido o acesso ao aborto precisamente por reconhecerem o bebê em gestação como um ser humano com direitos humanos reais – coisa que o aborto não é.

Joe Biden proferiu a sua mentira sobre o posicionamento das religiões a respeito do início da vida humana durante declarações à imprensa na Base Aérea Andrews, em Maryland. Pouco antes de partir a bordo do avião presidencial, ele afirmou, segundo reportado pela Catholic News Agency (CNA):

“[A senteça] Roe [versus Wade] diz o que todas as principais religiões básicas concluíram historicamente: que a existência de uma vida e de um ser humano é uma dúvida. É no momento da concepção? É com seis meses? É com seis semanas? É a vivificação, como argumentou [Santo Tomás de] Aquino?”

O que dizem, de fato, a fé cristã e a biologia?

Muito distante da mentira impavidamente proferida por Joe Biden, a doutrina cristã é cristalina ao reconhecer e afirmar que um ser humano é um ser humano a partir do instante da concepção.

E não é porque a Igreja tenha inventado e imposto uma conclusão dogmática por puro e voluntarioso capricho ou por interpretações desvairadas: uma fé coerente com a razão, como é o caso da fé católica, é obrigada pela realidade dos fatos a reconhecer a obviedade da biologia.

A biologia informa, sem mais delongas, que um ser humano é ele próprio e não outra coisa desde o instante em que é formado, como zigoto, pela fusão do óvulo com o espermatozoide, constituindo, portanto, um novo ser humano desde o próprio instante da sua concepção. Este é o marco do surgimento de uma nova vida humana – e não alguma arbitrária hora marcada por convenção baseada nos parâmetros ideológicos de legisladores ou juízes, que variam de cultura para cultura e de época para época.

A ciência biológica afirmou e reafirmou inúmeras vezes esta simples constatação da realidade. Um exemplo oficial é o registro feito pelos participantes do VII Conclave Brasileiro de Academias de Medicina, realizado no Rio de Janeiro de 7 a 9 de maio de 1998. Eles redigiram com todas as letras:

“É um fato cientificamente comprovado que a vida humana tem início na fusão do óvulo com o espermatozoide, quando se forma o zigoto, que começa a existir e operar como uma unidade desde o momento da fecundação. Possui um genoma especificamente humano, que lhe confere uma identidade biológica única e irrepetível; portanto, uma individualidade dentro de sua espécie. É o executor do seu próprio desenvolvimento de maneira coordenada, gradual e sem solução de continuidade”.

Vai mudar também a biologia, Joe Biden?

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