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Charles de Foucauld: “Aos meus irmãozinhos”

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EAST NEWS

Vanderlei de Lima - publicado em 08/05/22

A caridade, por sua vez, é vista como abertura universal a todo ser humano. O anúncio do Evangelho não se reduz a palavras pronunciadas, mas à presença misericordiosa do cristão

Eis uma obra de Charles de Foucauld (1858-1916) que, lançada pela Editora Vozes, na coleção “Clássicos da Espiritualidade”, merece a atenção de todos os interessados no seu progresso espiritual e no do próximo.

Publicado, em 1973, na França, o livro faz parte de um conjunto de ricas anotações espirituais que o eremita do Saara elaborou, em 1897, quando, recém-saído da Trapa, empregou-se como jardineiro, no mosteiro de Santa Clara, das monjas clarissas, em Nazaré. Aí, nas horas vagas, por três anos, muito se dedicou à meditação dos quatro Evangelhos e, por conseguinte, produziu milhares de páginas que, aos poucos, vão sendo traduzidas e publicadas também no Brasil. 

Nazaré é paradigmática para Foucauld, seja do ponto de vista geográfico, seja do teológico. Sim, ali, na periferia do poder político e religioso dos tempos bíblicos, Deus onipotente se faz pequeno, cotidiano, afável e amoroso. É a kenosis ou “o abaixamento de Deus que assume a pequenez da condição das criaturas. Ao viver em Nazaré, Jesus se faz pequeno. Trata-se do absurdo da encarnação que perpassa pela loucura da cruz e o mistério da morte e ressurreição” (Welder Lancieri Marchini, Prefácio, p. 9). E continua o prefaciador: “As obras de Foucauld estão relacionadas à sua vida de eremitério. A maioria de seus escritos está em forma de diários espirituais que tomam como motivação o tempo litúrgico ou mesmo leituras bíblicas isoladas. Muitos de seus escritos são comentários bíblicos, sobretudo dos evangelhos. Eles foram organizados na década de 1970 pela Editora Nouvelle Cité, de onde tomamos a base para a tradução” (idem, p. 10).

Conteúdo

Chegando ao conteúdo do livro ora apresentado, Marchini comenta: “Aos meus irmãozinhos é uma obra sobre a caridade e a vivência do Evangelho, tendo como inspiração a fraternidade vivenciada por Jesus ainda enquanto estava em Nazaré. Para Foucauld, Nazaré não é o prenúncio do Evangelho, mas já se trata de sua mensagem. A caridade, por sua vez, é vista como abertura universal a todo ser humano. O anúncio do Evangelho não se reduz a palavras pronunciadas, mas à presença misericordiosa do cristão” (p. 10-11).

Entrando nos textos de Charles de Foucauld – a refletirem sobre passagens dos Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) – transcrevemos alguns trechos a título de exemplo. Tendo diante de si Mateus 18,11-12, o eremita do Saara expressa o seu amor universal que começa pelos mais necessitados: “Na medida do possível, fazer o bem a todos os seres humanos, a todas as almas, a todos os corpos, …pois todos os seres humanos são membros de Jesus, todas as almas e todos os corpos são porções do corpo de Jesus, e o bem que lhes fazemos, fazemos então a Jesus. …Mas cuidar de cada membro de Jesus segundo suas necessidades, começando por tratar dos membros doentes antes de perfumar os membros sãos; ocupando-se das ovelhas perdidas, das almas pecadoras antes de se ocupar das ovelhas fiéis; das almas justas, das almas ignorantes, fracas, débeis, em perigo antes de se ocupar das almas que estão bem; ocupando-se dos pobres antes de se ocupar dos ricos; dos doentes, dos infelizes, dos cansados, dos necessitados antes de se ocupar daqueles que não precisam de nada” (p. 74-75).

Sobre Lucas 6,35, nosso monge sem mosteiro escreve: “Fazer o bem mesmo aos ingratos e aos maus; emprestar; mesmo aos que certamente não nos devolverão… como Deus faz ao dar os bens exteriores da conservação etc. …e os bens interiores da graça a todos nós, mesmo aos maiores pecadores… que empresta suas graças, mesmo aos que sabe infalivelmente que não as devolverá, mas que irão de ingratidão em ingratidão até amaldiçoá-lo eternamente” (p. 172).

Eis porque louvamos a bela e frutuosa iniciativa da Editora Vozes de publicar, em sua coleção “Clássicos da Espiritualidade”, as obras do grande Charles de Foucauld.

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